Produtivo

O avanço na produção de mudas no Brasil

Escrito por Sérgio Luiz Facio

A luta pela sobrevivência e a competitividade na citricultura têm levado os produtores a se preocuparem com a qualidade da fruta e diminuição dos custos de produção. A utilização de um maior adensamento dos pomares, e consequentemente a maior produtividade por área, tem sido usada como uma das armas no combate aos custos.
No momento de implantação ou renovação de pomares, visando atingir uma maior produtividade, o citricultor deve se preocupar, também, com a aquisição de mudas sadias, livres de fungos do gênero Phytophthora, CVC (Clorose Variegada dos Citros), Nematóides, Cancro Cítrico e outras doenças e pragas. Segundo dados do Fundecitrus, todo ano, milhões de árvores são erradicadas devido a incidência destas doenças e pragas.
Boa parte destas plantas nem chegam a produzir pelo fato de saírem dos viveiros já contaminados com algum tipo de praga ou doença.
A ocorrência destes fatores e o surgimento da CVC, deram início à produção de mudas em viveiros telados, já que a produção de mudas a céu aberto se tornou inviável devido ao ataque das cigarrinhas transmissoras da doença, persistindo o risco de contaminação mesmo com pulverizações semanais para o controle dos vetores. Outro fator importante que tem contribuído para esta evolução na produção de mudas é o Cancro Cítrico, que nos últimos anos se multiplicou por quase todo parque citrícola.
Para o controle das pragas e doenças em mudas, não basta que as mudas sejam produzidas em viveiros telados, sendo necessários a adoção de alguns cuidados.
Visando normatizar a atividade, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo estabeleceu regras para a produção de mudas certificadas, cujas vantagens são:
Controle rigoroso de pragas e doenças;
– Material genético com origem e sanidade garantida pela entidade certificadora;
Sistema radicular abundante;
Menor tempo de formação de muda;
– No plantio, a muda não sofre uma redução drástica do sistema radicular, diminuindo os riscos de contaminação por fungos do gênero Phytophthora, e também há um melhor pegamento no campo;
– O custo do transporte é menor.
Outro ponto importante na adoção da produção de mudas certificadas de citros é a redução drástica no número de viveiros, o que facilita a fiscalização.
Conforme o Fundecitrus, 35 viveiros na Espanha produzem 15 milhões de mudas de citros por ano, e a fiscalização destes viveiros é feita por cinco técnicos.
No Brasil há um consumo anual de 17 milhões de mudas de citros, produzidas por 1,5 mil viveiros, dos quais apenas 150 são telados, sendo que nem todos seguem as normas de segurança.
É fundamental esclarecer que existe uma certificação para viveiros e outra certificação para cada lote produzido nestes viveiros, ou seja, dentro de um viveiro certificado “podem haver vários lotes” que não atendam as normas de certificação e portanto será um lote de mudas não certificadas.
Há uma série de normas estabelecidas pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, onde existem várias exigências com relação a construção de viveiros e produção de mudas certificadas de citros. Tais exigências são apresentadas a seguir.
O viveiro, para a produção de mudas certificadas deve seguir as seguintes normas:
– O viveiro deve ser construído em área de boa drenagem, possuir antecâmara a ser protegido com tela de malha de 1 mm nas laterais e com cobertura de polietileno transparente, filme único de 150 micras. A muda deve ser isolada do solo com uso de bancada de, no mínimo, 30 cm de altura; o piso deve ser de pedra britada ou material similar, com camada mínima de 5 cm;
– O viveiro deve ser construído em local distante de, no mínimo, 20 m de plantas cítricas;
– O viveiro deve ter pedilúvio para desinfestação de calçados, instalado na entrada;
– O viveiro deve ser construído de maneira a não permitir a entrada de águas invasoras;
– O produtor deve proceder a desinfestação do material e equipamentos utilizados nos viveiros, com formalina 2,5%, bem como a desinfestação de pisos, paredes e bancadas com hipoclorito de sódio a 1%, após a retirada das mudas do viveiro;
– O produtor deve restringir o acesso de pessoas estranhas ao viveiro e manter a área limpa de detritos vegetais.
A produção de mudas certificadas de citros deve seguir as seguintes normas:
– O porta-enxerto deve ser produzido em tubetes, bandejas ou embalagem definitiva;
– As sementes devem ser submetidas a tratamento térmico à 52ºC durante 10 minutos;
– A muda deve ser produzida em recipientes com dimensões mínimas de 10 cm de largura e 30 cm de altura;
– O substrato deve ter boa porosidade e ser isento de nematóides, fungos do gênero Phytophthora e outros patogenos e pragas comprovadamente nocivos aos citros;
– A água de irrigação deve ser clorada e isenta de nematóides, fungos do gênero Phytophthora e outros patogenos comprovadamente nocivos aos citros.
Para a certificação final das mudas e liberação para o transplantio, são exigidos ainda, exames laboratoriais, realizados por órgãos credenciados pela Secretaria e com coleta de material realizada por um técnico da Defesa Vegetal das seguintes pragas e doenças:
– Análise de Phytophthora;
– Análise da CVC;
– Análise de nematóide.
A certificação de mudas de citros no Brasil que inclui normatização de viveiros, normatização da produção de mudas e exames laboratoriais finais de mudas produzidas, vem de encontro com os anseios dos citricultores mais conscientes com os problemas advindos da aquisição de mudas doentes. Com a implantação de viveiros certificados, produzindo mudas livres de pragas e doenças, a aquisição de mudas no futuro pode deixar de ser um problema.

Fonte: http://www.agrofit.com.br/portal/citros/53-citros/122-o-avanco-na-producao-de-mudas-no-brasil-