Novo estímulo ao setor lácteo brasileiro

07/08/13
Aumento da demanda interna e redução da oferta mundial. As características atuais do mercado de lácteos representam uma oportunidade de aumentar a competitividade do setor lácteo brasileiro, a partir de investimentos em capacitação, tecnologia e na melhoria da qualidade do produto. A avaliação é do presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim.

“É preciso aproveitar esse período para ampliar a produção nacional, garantindo o abastecimento interno e a participação do Brasil no mercado externo”, afirmou Alvim, que considera importante incentivar a gestão das propriedades rurais. Lembrou que o Sistema CNA/Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) tem incentivado o setor por meio de ações previstas no Programa Nacional do Leite. “O aumento da produção tem que acontecer de forma competitiva, uma das diretrizes do programa”, afirmou.

Ele participou nesta quarta-feira, em Brasília, de reunião da Subcomissão do Leite (Subleite) da Comissão da Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPDR) da Câmara dos Deputados. Ações para viabilizar o aumento da competitividade do setor leiteiro foram discutidas pelo grupo, que reúne representantes da iniciativa privada, governo e parlamentares.

Para o grupo, uma das prioridades é revisar os marcos regulatórios do setor lácteo, em especial o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA). Este regulamento define, entre outros pontos, as normas de inspeção industrial e sanitária, abrangem fiscalização nos estabelecimentos. Estabelecido por um decreto publicado em 1952, o RIISPOA está desatualizado, dificultando a modernização da indústria de lácteos.

Os participantes solicitaram que a atualização da norma seja publicada ainda este ano. Os integrantes da subcomissão defenderam, ainda, que os produtores rurais tenham acesso à assistência técnica de qualidade.

De acordo com Alvim, os principais exportadores de lácteos não conseguem abastecer o mercado externo neste momento. Eles enfrentaram problemas climáticos nos últimos meses – caso da Nova Zelândia e da Argentina – ou reduziram a produção em função da falta de estímulo, caso do Uruguai. Na Argentina, a produção caiu 10% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2012. As condições climáticas não têm favorecido a União Europeia e os Estados Unidos. A previsão é que a produção nesses dois fornecedores cresça apenas 1% em 2013.

No Brasil, a situação não é diferente. “Os custos da pecuária leiteira subiram 27,37% em 2012, enquanto os preços pagos aos produtores aumentaram 4,32% no período. A elevação dos gastos desestimulou a produção”, afirmou Alvim. Como reflexo da relação entre custos e preços, a produção inspecionada de leite cresceu 2,5% em 2012, abaixo da taxa média dos últimos anos, de 4,4%.

O reflexo do quadro de desabastecimento é a elevação dos preços do leite em pó no mercado externo. Em agosto de 2012, a tonelada era vendida por até US$ 3.000, cotação que chegou a US$ 5.021 nos últimos dias. Segundo Alvim, alguns negócios foram fechados por esse valor para entrega no início de 2014, como sinalizam os contratos para entrega futura do produto da Nova Zelândia, responsável por quase 40% das exportações mundiais.

O presidente da Comissão destaca, ainda, que o Brasil tem condições de tornar-se exportador de lácteos, desde que o governo negocie acordos sanitários com outros países, entre eles China, Rússia e México. Além disso, é preciso garantir a qualidade do produto. “Caso contrário, a produção nacional vai aumentar e não teremos para quem vender”, alertou.

Neste sentido, a CNA lançou o Programa Leite Legal, com foco na melhoria da qualidade do leite, e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) específico para o leite, que também abordará capacitações nesta área. As questões de crédito, segundo Alvim, foram discutidas durante a elaboração do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2013/2014, com foco no investimento em tecnologia e no custeio da atividade.

 

Fonte: Agrolink