Soja

Nova safra de soja e milho do Brasil deve chegar ao mercado cedo em 2017

08/11/2016

O Deral também reportou que o plantio do milho verão está quase concluído, em 99 por cento, ante 91 por cento há um ano

Um início precoce em dezembro da colheita da safra recorde de verão de grãos do Brasil deverá colocar exportações de soja e milho no mercado global mais cedo do que o normal nesta temporada, o que poderia criar obstáculos para posições altistas nos mercados futuros de grãos.

Amplas chuvas de primavera no maior exportador mundial de soja e segundo maior exportador de milho permitiram que produtores plantassem a safra de verão com semanas de antecedência, e volumes favoráveis, frequência e distribuição das chuvas apontam para safras recordes.

O segundo maior Estado produtor de soja e milho do Brasil, Paraná, disse nesta terça-feira que o plantio da safra de soja atingiu 80 por cento da área total estimada, 5 pontos percentuais à frente do plantio há um ano. O Departamento de Economia Rural (Deral), ligado ao governo do Estado, acrescentou que o clima favorável tem ajudado os trabalhos no campo.

No Mato Grosso, maior Estado produtor de grãos do país, o instituto agrícola Imea disse que chuvas precoces favoráveis durante o plantio das safras de soja e milho já colocou a colheita no radar até o fim do ano, bem à frente da temporada anterior.

“Some ao início precoce do plantio o fato de que 90 por cento da soja semeada no Mato Grosso são de variedades precoces ou superprecoces”, disse Carlos Cogo, diretor da Carlos Cogo Consultoria. “Nós podemos ver o início da colheita no fim de dezembro com volumes significativos até janeiro.”

Produtores nos dois Estados estão dispostos a realizar a colheita o mais cedo possível para poder plantar a segunda das duas safras de milho antes que a temporada de chuvas seja substituída pela temporada de seca, que no Brasil dura de maio a setembro.

As indústrias de aves e suínos do Brasil deverão comemorar a colheita antecipada, à medida que tentam retomar sua capacidade de produção, após cortes de 15 por cento mais cedo em 2016 em resposta à escassez no milho, o principal ingrediente nas rações animais.

Analistas ressaltam que o desenvolvimento das lavouras ainda não está concluído, com potencial para um período seco nas próximas semanas, quando as safras estão enchendo vagens ou espigas com grãos e sementes. Além disso, muita chuva poderia ser prejudicial.

“A colheita vai começar justo no momento em que a temporada de chuvas entra nos meses mais úmidos do ano”, lembrou Cogo, acrescentando que os grandes volumes de chuva em janeiro e fevereiro poderiam atrasar o trabalho no campo e reduzir a qualidade dos grãos colhidos.

Fonte: Reuters