Milho

No Brasil, a safra já colhida de milho ajuda a pressionar os preços internos do grão

MILHO PRIMEIRA SAFRA

A área semeada com milho primeira safra é estimada de 6,36 a 6,57 milhões de hectares, refletindo um decréscimo entre 3,7 a 6,8%. A cultura, em função da expectativa de preços mais baixos devido ao excedente de oferta, perdeu área para a soja, que tem maior liquidez e expectativa de preços mais remuneradores.

Na Região Sul a semeadura teve início em agosto. No Paraná o plantio já alcança 30% da área estimada. No Rio Grande do Sul já está próximo a 50% da área, número menor em relação ao mesmo período do ano passado em virtude de chuvas fortes no final de setembro, que dificultou o plantio. Na Região Centro-Oeste os produtores estão aguardando as chuvas se firmarem para iniciar a semeadura.

No Rio Grande do Sul a redução deve ficar entre 10 a 12%, estimada em 909,3 e 930,0 mil hectares na safra 2013/14. A confirmação destas tendências depende do clima para plantio e a disponibilidade de sementes das demais culturas. A cultura se encontra com 60% em fase de germinação e 40% em desenvolvimento vegetativo.

No Paraná a redução deve ficar entre 15 a 19%, estimada entre 711,3 e 746,4 mil hectares na safra 2013/14. A cultura se encontra com 51% na fase de germinação e 49% em desenvolvimento vegetativo. Quanto a produção da safra 2012/13, os produtores ainda não venderam 10% da primeira safra e nem 65% da segunda safra, deixando de aproveitar as elevadas cotações internacionais e nacionais do cereal. Os preços internacionais e nacionais evidenciam tendência de queda, que devem se acentuar ainda mais com a aceleração da entrada do produto norte americano no mercado e com o andamento normal do plantio da safra sul americana 2013/14. Os agricultores paranaenses optaram em substituir o plantio de milho durante a safra de verão, que está com cotações retraídas no mercado externo em virtude, principalmente, da previsão de uma boa safra do grão nos Estados Unidos, pelas culturas da soja e feijão.

Na Bahia, onde o plantio é predominante nas áreas de cerrado com o emprego de alta tecnologia, há uma tendência de um aumento de área entre 15,0 a 20,0%, podendo alcançar nesta safra, entre 445,1 a 464,4 mil hectares de área plantada. Esse aumento é em virtude de que o milho já tem venda garantida para os estados de Alagoas, Paraíba,

Pernambuco e Ceará, além dos cuidados dos produtores com o solo, utilizando o milho como rotação de cultura. Conforme o calendário agrícola local, os novos plantios de milho poderiam começar a partir do dia primeiro de outubro, mas como o clima ainda não está favorável, com previsão de normalidade somente para a segunda quinzena de outubro, o plantio ainda não se iniciou. Ao longo dos anos o cultivo do milho vem apresentando expressivos avanços tecnológicos, o que resulta em incrementos significativos na produtividade e qualidade do produto, evitando uma mudança expressiva de área.

Em Minas Gerais, levantamentos iniciais sinalizam uma tendência de redução de 2,6 a 6,6% no plantio de milho na safra de verão, que pode ficar entre 1.073,9 mil a 1.119,9 mil hectares, devido à opção pelo cultivo de soja, que apresenta maior competitividade e liquidez e à opção pelo incremento do milho silagem, motivado pela recuperação dos preços de leite. O plantio deve ocorrer entre outubro e dezembro, tão logo inicie o período chuvoso. O presente levantamento ainda sinaliza um decréscimo de 2,6 a 6,6% na produção, que ficaria entre 6.383,3 e 6.656,7 mil toneladas.

A produtividade média brasileira do milho primeira safra para a safra 2013/14 é estimada em 5.081 kg/ha, bem próximo à média registrada na safra 2012/12, de 5.104 kg/ha. Este acréscimo é refletida pela expectativa de recuperação das produtividades normais da Região Nordeste (aumento de 35,0%), seriamente castigadas pelas adversidades climáticas na última temporada e a manutenção das produtividades na Região Centro-Sul, uma vez que a climatologia indica normalidade nas precipitações nesta safra.

A produção brasileira de milho primeira safra, considerando a área cultivada e a produtividade obtida, deverá alcançar entre 32,25 e 33,45 milhões de toneladas, com variação negativa entre 4,0 a 7,4% em relação à safra passada, quando foram colhidas 34,83 milhões de toneladas. Esta estimativa inicial poderá sofrer variações, uma vez que estamos apenas no início da safra, e além da definição da área, ainda estarão relacionadas a maior ou menor influência dos fatores climáticos.

Considerando as duas safras, estima-se para esse início de acompanhamento, que a área total de milho estará entre 15,36 e 15,57 milhões de hectares, 1,6 a 2,9% menor que a safra passada. A produção nacional de milho deverá ficar entre 78,43 e 79,63 milhões de toneladas, ante aos 81,01 milhões de toneladas produzidas na safra 2012/13.

MILHO SEGUNDA SAFRA

Para o milho segunda safra, em função do calendário de plantio e da metodologia aplicada nas estimativas, foram repetidas as áreas da safra anterior e aplicado o rendimento médio dos últimos cinco anos, descartando os anos atípicos e agregando-se o ganho tecnológico.

Oferta e Demanda

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA ajustou seu quadro de oferta e demanda, onde acresceu em 2,0 milhões de toneladas a produção norte americana de milho, em relação ao relatório de agosto. Observou-se que a produtividade média das lavouras está superando as expectativas do mercado, mesmo com o atraso no plantio e ocorrência de período seco no desenvolvimento das lavouras;

A Ucrânia está com boas perspectivas de produção e, muito provavelmente, deverá atingir o volume estimado pelo Usda de 29,0 milhões de toneladas. No entanto, a Argentina sofre com o atraso do plantio pela falta de umidade suficiente no solo, para germinação das sementes.

No Brasil, a safra já colhida ajuda a pressionar os preços internos do grão, mesmo por que a demanda interna segue com fraco movimento, sendo a alternativa mais viável ao produtor nacional: a exportação.

Segundo o MDIC, a prévia do mês de setembro fechou em 3,44 milhões de toneladas de milho exportadas, mostrando que o mercado externo está mais comprador. Segundo os exportadores, os line-ups previstos para outubro estão entre 3,0 e 3,7 milhões de toneladas. Dentro deste ritmo, é possível que o volume exportado dentro do ano chegue a 20,0 milhões de toneladas.

Vale salientar que os Estados Unidos deverá entrar como forte competidor, neste mercado, a partir de meados de novembro, uma vez que a preocupação agora é recomposição dos estoques e atendimento do mercado interno de ração animal e etanol.

Em relação aos preços, Chicago apresentou o menor valor registrado no ano US$ 4,39/bushel (US$ 172,82/t). Com o dólar em queda, chegando ao valor atual de R$ 2,21, colaborou para diminuir o valor da paridade de exportação, que fechou em um valor de R$ 22,87/60 kg, influenciando, também, na queda dos preços internos.

No mercado doméstico, os preços internos seguem pressionados, lembrando que no Mato Grosso as cotações estão variando entre R$ 7,50 a 13,00 por saca de 60 kg e no Paraná entre R$ 16,60 e 20,00 por saca de 60 kg.

 

Fonte: Conab