Curiosidades

Nem só de bifes gira o mercado da carne

Desde 2008, o Brasil contempla um posto muito importante no ramo da produção e exportação de carnes, se consolidando como o maior exportador de carne bovina, um lugar digno que só os mais fortes podem chegar.

Não há dúvidas sobre o aproveitamento das carcaças e consequentemente seus diferentes cortes para consumo in natura. A existência de grandes mercados como Europa, Cota Hilton, Rubia Gallega, Rússia etc. agregam mais valores aos cortes, derivados e seus subprodutos.

Mas você já parou para pensar que o boi não é feito só de bifes? E os mercados para as miudezas (miúdos, derivados e subprodutos)? China, Hong Kong, Ásia-Oriente Médio são compradores importantes neste segmento e, sem dúvida, no final das contas tem uma porcentagem importante em relação ao mercado das exportações.

O mercado de subprodutos (miúdos, tripa e salga) está à tona, cada vez mais em crescimento e o principal objetivo do momento é agregar valor nestes produtos. Fazendo um breve comparativo de crescimento deste segmento, o Brasil aumentou as exportações de miúdos, salga e tripas, de 5% (US$) em 2002 para 11% (US$) em 2012, passando o faturamento de US$ 68,969 milhões em 2002 para US$ 613,642 mi em 2012 (aumento de 89%).

Mas afinal, o que são esses “miúdos”? De acordo com o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal – RIISPOA, “miúdos são os órgãos e vísceras dos animais de açougue, usados na alimentação humana”. Os miúdos se dividem em miúdos comestíveis e não comestíveis.

Entre os miúdos, derivados e subprodutos comestíveis estão fígado, bucho, rabo, pulmão, coração, língua, testículos, rins, baço, cérebro, intestinos, artérias, timo, bananinha do contra-filé, carne de sangria, traqueia, recorte de desossa, esôfago, músculos da cabeça, diafragma, vergalho, medula espinhal, ligamento cervical, rabo e língua.

Destes, grande parte é exclusivamente exportado, como é o caso do bucho, da medula e artérias que são direcionados para países como China e Japão. No caso da carne de sangria, que é retirada da região do dianteiro antes da pesagem, é destinada para os Emirados Árabes e Irã, por exemplo, e também produção de carne industrial.

Já entre os derivados e subprodutos que não são comestíveis, são aproveitados o sangue, os chifres, patas, crinas, tendão e o couro que possui um grande valor econômico e após ser “curtido” é utilizado para fazer roupas, calçados, bolsas entre outros.

Um setor do frigorífico que possui importância comercial é a graxaria, local onde se faz o aproveitamento de matérias-primas gordurosas e de subprodutos não comestíveis.
No processo de retirada do couro é aproveitado o sebo, que é processado e vendido como sabão, graxa, estearina, gelatina e ainda aplicado em diferentes ramos industriais, como cosméticos, plástico, matéria prima para tudo de pvc, borracha, chicletes, fertilizantes, sendo possível transformá-lo até em biodiesel.

Ainda no mercado atendido pelas graxarias existe a fabricação de diferentes tipos de farinhas (farinha de carne, de sangue, em pó, de carne e osso, etc.) que são produzidas da “sobra” de ossos, carnes e órgãos condenados, é importante ressaltar que estas farinhas são para consumo de animais não ruminantes.

Um subproduto com um alto valor econômico no mercado são os cálculos biliares ou a famosa “pedra do fel” que é encontrada dentro vesícula biliar, formada pelo acúmulo de sais biliares e de cálcio é encontrada em animais mais velhos. Possui um alto valor e geralmente é vendida para mercados Asiáticos para ser utilizada na indústria farmacêutica.

A carne bovina propriamente dita, proveniente de animais criados a pasto e sadios, tem sido considerada como uma das mais nutritivas. Esta possui vitaminas, A, E, ácidos graxos, minerais e elementos essenciais para uma vida saudável.

Como se vê, a famosa frase “do boi só não se aproveita o berro” é mais do que verdadeira, o que falta é evidenciar ao pecuarista tudo que é aproveitado e como isso é remunerado….

Leandro Cazelli é médico veterinário e consultor técnico da ACRIMAT, a Associação dos Criadores de Mato Grosso.

 

Fonte: Agrodebate