Pecuária

MT: Arroba segue valorizada mas o custo de produção atrapalha renda do pecuarista

08/10/13
O aumento nos custos para cria e engorda do boi inibiu com a alta na arroba cotada em Mato Grosso nos últimos quatro anos. O valor pago pelo boi gordo teve uma valorização média de 40% desde 2009, enquanto o custo da atividade cresceu em cerca de 30% no mesmo período.

Em Rondonópolis, por exemplo, o produtor está recebendo aproximadamente R$ 97 pela arroba, mostrando uma variação de 44% se comparada a outubro de 2009, que foi de R$ 85/@. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a alta foi consecutiva nos últimos quatro anos. Em 2010 a arroba era cotada a R$ 84/@, em 2011 passou para R$ 84/@, chegando a valer R$ 87/@ em 2012.

Este cenário poderia ser motivo de comemoração no setor, se não fosse a alta nos custos da atividade que cresceram praticamente na mesma proporção. Entre 2013 e 2009 os produtores mato-grossense tiveram que desembolsar até 33% a mais para criar o gado ou 17% para engordar o rebanho. Os índices de crescimento são os maiores observados neste período.

Conforme informações do Imea, os pecuaristas gastam cerca de R$ 78,8/@ na cria, R$ 71,8/@ na engorda e R$ 75,14/@ no ciclo completo. Em 2009, o custo de produção da cria era de R$ 59, de engorda a R$ 61 e R$ 62 no ciclo completo. Os valores consideram o gasto operacional efetivo, sem considerar a depreciação de máquinas e equipamentos e o custo da terra.

O superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, explica que o produtor não tem muito o que comemorar, mesmo com a alta na arroba do boi. Ele ressalta que o custos dos principais insumos, como o sal mineral, aumentaram nos últimos anos.

Vacari pontua ainda os gastos com a mão de obra e o preço do óleo diesel que também subiram neste período, bem como o adubo e calcário usados para a recuperação de pastagem. O aumento do preço, neste período, está relacionado a entressafra do boi. “A produção é crescente, mas a demanda é maior. Estamos exportando mais e também abastecendo o mercado interno”, finaliza.

Fonte: Agrodebate
Autor: Vivian Lessa