Cana de Açúcar

Moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul atinge 41,47 milhões de toneladas

25/06/2014

O volume processado de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do País atingiu 41,47 milhões de toneladas na primeira quinzena de junho, 16,32% acima do valor registrado no mesmo período da safra 2013/2014.

No acumulado desde o início da atual safra até 15 de junho, a moagem totalizou 158,95 milhões de toneladas, levemente superior ao montante apurado no mesmo período de 2013 (153,33 milhões de toneladas).

Segundo o diretor Técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, “a persistência do clima mais seco desde o início da safra tem por um lado favorecido a operacionalização da colheita, mas por outro prejudica severamente o desenvolvimento da planta, intensificando a quebra agrícola”. Já existem unidades produtoras que estão reduzindo o ritmo de colheita para não avançar em áreas que não atingiram o ciclo de desenvolvimento e maturação, acrescentou.

De fato, dados finais apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) a partir de uma amostra composta por cerca de 160 unidades produtoras, mostram que o índice de precipitação pluviométrica registrado nas regiões produtoras de cana-de-açúcar permanece aquém do patamar histórico para o período. No último mês, o volume de chuvas registrado nas áreas com cana ficou 50% abaixo do patamar verificado em maio de 2013.

Com efeito, a produtividade agrícola da área colhida até o final de maio alcançou 78,4 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, sensível queda de 7,3% no comparativo com o mesmo período do ano anterior. Especificamente em maio, o rendimento agrícola atingiu 80,0 toneladas por hectare, declínio de 6,4% em relação ao mesmo mês de 2013.

De acordo com o executivo da UNICA, “a quebra de safra observada até o momento é preocupante e deverá ficar mais evidente ao final da safra”. Esse cenário esperado de baixa produtividade agrícola nas últimas quinzenas da safra poderá comprometer a oferta de matéria-prima, já que algumas áreas não serão colhidas e outras serão, porém com elevado custo e dificuldades logísticas para o abastecimento da indústria, conclui Rodrigues.

No tocante ao número de usinas em operação, sete iniciaram as atividades na primeira quinzena de junho, totalizando 269 unidades produtoras em moagem até o momento. A expectativa é de que 16 empresas iniciem o processamento na safra 2014/2015 a partir da segunda metade de junho.

Qualidade da matéria-prima

A concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima processada atingiu 129,98 kg na primeira metade de junho, ante 125,26 kg computados em igual quinzena do último ano.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015, o teor de ATR é praticamente idêntico àquele apurado na safra passada: 121,64 kg por tonelada de cana-de-açúcar, contra 121,87 kg por tonelada em 2013.

Produção de açúcar e etanol

Do volume total de cana-de-açúcar processada do início da safra 2014/2015 até 15 de junho, a maior parcela continua a ser destinada à produção de etanol, com mix de produção para o produto alcançando 57,84%.

Com isso, a produção de etanol acumulada desde o início da safra até 15 de junho somou 6,56 bilhões de litros, alta de 2,75% no comparativo com idêntico período da safra anterior. Desse total, 3,81 bilhões de litros referem-se ao etanol hidratado e 2,75 bilhões de litros ao etanol anidro (alta de 14,66% sobre o volume produzido na safra 2013/2014).

Na primeira quinzena de junho, a produção de etanol alcançou 1,72 bilhão de litros, sendo 800,81 milhões de litros de etanol anidro e 921,40 milhões de litros de etanol hidratado.

A fabricação acumulada de açúcar até 15 de junho, por sua vez, atingiu 7,77 milhões de toneladas, 4,40% acima do registrado em igual período de 2013 (7,44 milhões de toneladas). Deste total, 2,33 milhões de toneladas foram processadas na primeira quinzena de junho.

O diretor da UNICA esclarece que o crescimento na produção de açúcar nos primeiros 15 dias de junho se deve a preocupação de boa parte das empresas que, devido a possibilidade de ocorrência de El Nino na segunda metade da safra, estão aproveitando a atual condição climática favorável à colheita para garantir a produção de açúcar necessária ao atendimento dos compromissos futuros já assumidos.

“Adicionalmente, vale ressaltar que boa parte do crescimento da produção de açúcar na primeira quinzena de junho foi destinada à fabricação de açúcar branco, direcionado ao mercado doméstico”, acrescentou Rodrigues.

Nessa linha, os dados de produção apurados pela UNICA mostram que na segunda quinzena de maio o açúcar bruto representou 66,3% da produção total de açúcar. Na primeira quinzena de junho, entretanto, esse percentual caiu para 63,7% devido à maior produção de açúcar branco.

Vendas de etanol pelas unidades produtoras

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul desde o início de abril até 15 de junho alcançaram 4,87 bilhões de litros, sendo 383,33 milhões de litros destinados à exportação e 4,48 bilhões de litros ao mercado doméstico (aumento de 4,46% no comparativo com igual período de 2013).

No mercado doméstico, as vendas acumuladas de etanol hidratado totalizaram 2,54 bilhões de litros e, as de anidro, 1,94 bilhão de litros (crescimento de 14,69% em relação ao último ano).

Na primeira quinzena de junho, as vendas totais das unidades produtoras alcançaram 931,08 milhões de litros, sendo apenas 28,27 milhões de litros para o mercado externo e 902,81 milhões de litros para o mercado doméstico.

As vendas domésticas de etanol anidro cresceram 13,77% nos primeiros 15 dias de junho deste ano no comparativo com o mesmo período de 2013, totalizando 417,65 milhões de litros. As vendas de etanol hidratado, entretanto, alcançaram 485,16 milhões de litros, queda de 1,85% no comparativo com a mesma quinzena da safra 2013/2014 e de 13,22% em relação a última quinzena de maio deste ano.

O diretor da UNICA explica que “a queda nas vendas de etanol hidratado na primeira quinzena de junho se deve, em grande medida, ao menor número de dias úteis observados nesse período.” Quando as vendas de maio e junho são ajustadas pelo número de dias úteis, é possível verificar que o volume diário comercializado praticamente não se alterou, acrescentou Rodrigues.

Fonte: UNICA – União da Indústria de Cana-de-açúcar