Milho: Produtor segura e preço sobe ao consumidor

20/08/2018

A T&F Consultoria Agroeconômica aponta que, no mercado do milho, o produtor continua segurando vendas, o que leva usuários a comprar “da mão para a boca”: “Esta situação já dura há dois meses e meio, desde a implantação do tabelamento dos fretes em 31 de maio, que está bagunçando todas as entregas e encarecendo os custos do consumidor final e tirando lucratividade dos produtores”.

O único movimento diferente, segundo ele, vem da exportação, que está adquirindo grandes lotes, principalmente no MT, maior produtor do país, que produz sozinho mais do que o RS, SC e PR juntos e precisa escoar a sua produção, no que faz muito bem. O analista Luiz Fernando Pacheco destaca ainda que o câmbio está ajudando os preços a subirem.

“Deve-se notar que houve um movimento de alta, até cinco dias úteis atrás, que começou a diminuir desde então, motivado pela necessidade dos vendedores de fazer caixa para o plantio de verão (no Sudoeste do país). Os compradores continuam se abastecendo do comércio formiguinha, mas diminuíram a demanda porque ‘as fábricas de ração estão sem pedidos’ ou com volume de produção significativamente menor, diante dos problemas apresentados no setor de carne e dos bons pastos para o gado, com as chuvas inesperadas neste inverno (embora não substituam a ração ou mesmo o milho em grão, inteiramente). Já no Centro-Oeste os preços subiram, puxados pelo câmbio”, explica.

BOLSA

As cotações do milho no mercado futuro da B3, de São Paulo voltaram a fechar em alta, nesta sexta-feira, com percentuais expressivos: 0,52% para set18, 0,25% nov18, 0,26% jan19, 0,03% mar19, 0,18% mai19 e 0,16% set19. “Como todas as cotações do milho, porém, fecharam acima do nível psicológico e lucrativo de R$ 40,00/saca, e isto pode levar os Commercials (participantes do mercado físico, como agricultores, cerealistas e cooperativas) a usarem o mercado futuro para fixarem bons preços do cereal para esta e para a próxima temporada (ontem mostramos os percentuais de lucro de cada posição)”, diz Pacheco.

“Já para os investidores nossa recomendação é de cautela, porque há muitos entraves para novas altas do milho a médio e longo prazo (falta de repasse para os custos dos compradores, queda na demanda, possível queda do dólar, entre outras)”, conclui.

Fonte: Agrolink