Milho

Milho: Com compradores retraídos e perspectiva de aumento nas importações, preços cedem até 20% no Brasil

Publicado em 05/08/2016

Após as recentes valorizações, os preços do milho voltaram a ceder no mercado interno brasileiro. Conforme levantamento semanal realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Bittencourt Lopes, em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, ambas em Mato Grosso, o recuo foi de 20,59% na semana e saca fechou a sexta-feira (5) a R$ 27,00.

No Paraná, o valor da saca do cereal recuou 6,58% em Cascavel e fechou o dia a R$ 35,50. Já em Ubiratã e Londrina, as perdas foram de 4,05%, com a saca do milho também a R$ 35,50. Em Ponta Grossa, a queda foi menor, ao redor de 2,33%, com a saca a R$ 42,00. Na região de São Gabriel do Oeste (MS), o preço cedeu 2,63%, com a saca a R$ 37,00. No Porto de Paranaguá, a saca para entrega setembro/16 caiu 6,06% e encerrou a semana a R$ 31,00.

Em contrapartida, o preço ainda subiu 9,98% em Assis (SP) e finalizou a semana a R$ 42,98 a saca. Ainda em São Paulo, em Avaré, o ganho semanal foi de 4,64%, com a saca a R$ 43,96. Na região de Itapeva (SP), a valorização ficou em 3,52%, com a saca a R$ 42,98 a saca. No Oeste da Bahia, a saca do milho subiu 4,17% e fechou a semana a R$ 50,00.

Segundo informou o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, os grandes compradores ainda continuam na expectativa de queda nos preços, já que não vislumbram novos negócios para a exportação. Os valores praticados no mercado interno, em sua maioria, continuam bem acima dos observados nos portos do país.

E para formar esse cenário, o Mapa reportou essa semana que está adotando medidas para viabilizar a importação de 1 milhão de toneladas de milho transgênico dos EUA. O ministério encaminhou o pedido de avaliação e aprovação para a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). O intuito é garantir a segurança e fiscalização necessária para que a compra do produto atenda as necessidade do setor.

“O ministro da agricultura está empenhado em atender ao pedido dos industriais e quer garantir o abastecimento do grão no país, exclusivamente para ração animal usadas pelos criadores de aves e suínos e produtores de leite, até dezembro de 2017”, informou o Ministério da Agricultura em seu site.

“Ainda assim, é preciso considerar que esse é um volume relativamente pequeno se compararmos com o consumido pelo país”, diz Ana Luiza Lodi, analista de mercado da FCStone. Os especialistas sinalizam que o consumo brasileiro de milho gira em torno de 4,5 milhões de toneladas por mês.

Além disso, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) anunciou que irá realizar dois leilões de vendas dos estoques públicos na próxima semana. No total, serão negociadas 50 mil toneladas para criadores de aves e suínos. E, todo esse cenário fez com os compradores se retraíssem no mercado, ainda conforme ponderam os analistas.

Safrinha brasileira

Enquanto isso, os produtores caminham para a finalização da colheita do milho safrinha. De acordo com o levantamento realizado pela consultoria INTL FCStone e reportado nessa semana, os produtores deverão colher cerca de 45,08 milhões de toneladas de milho. O volume representa uma queda de 17,5% em relação ao colhido na temporada anterior. Já a Conab estima a produção em 43 milhões de toneladas.

 “Com a colheita avançando, muitos resultados têm surpreendido negativamente, ficando aquém do esperado. Destaca-se, ainda, que mesmo no Paraná, menos afetado pela seca ocorrida no mês de abril, a produção também não tem alcançado as expectativas iniciais em algumas regiões”, destaca a analista de mercado Ana Luiza Lodi.

Dólar

Ainda hoje, a moeda norte-americana encerrou o dia com queda de 0,80%, cotada a R$ 3,1691 na venda. O patamar de fechamento é o menor desde o dia 16 de julho de 2015, quando o câmbio tocou o nível de R$ 3,1582. Conforme dados da agência Reuters, a movimentação é decorrente da perspectiva de ingressos de recursos externos no Brasil e com investidores minimizando as chances de aumento de juros nos EUA, mesmo depois dos dados mais fortes sobre o emprego no país.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a semana também foi negativa aos preços do milho. As principais posições do cereal acumularam desvalorizações entre 1,68% e 3,06%. Já nesta sexta-feira, as cotações testaram uma reação e encerraram o dia com ligeiras altas. Os vencimentos da commodity exibiram altas entre 3,00 e 3,50 pontos. O contrato setembro/16 era cotado a US$ 3,24 por bushel, enquanto o dezembro/16 finalizou o pregão a US$ 3,34 por bushel.

No cenário internacional, o mercado permanece pressionado pelo bom encaminhamento da safra dos EUA. Tanto é que as cotações do cereal atingiram os menores patamares dos últimos 7 anos essa semana. Diante das condições climáticas favoráveis, a perspectiva é que os produtores americanos colham uma grande safra nesta temporada, podendo ser recorde.

Ainda essa semana, surgiram especulações de que o rendimento médio das lavouras do cereal devam subir e superar as projeções iniciais, de 177,8 sacas de milho por hectare. Em seu último reporte, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) manteve em 76% o percentual de lavouras em boas ou excelentes condições.

E, nos próximos dias, entre 12 a 18 de agosto, o Meio-Oeste deverá receber chuvas dentro da média e, até em alguns lugares, acima da normalidade. Enquanto isso, as temperaturas deverão ficar acima da normalidade no mesmo intervalo. As informações foram reportadas pelo NOAA – Serviço Oficial de Meteorologia do país.

“Apesar do indicativo de período mais seco, o rendimento está bastante elevado e a produção de milho pode chegar a 370 milhões a 372 milhões de toneladas naquele país. E há uma notícia de que poderemos ter um aumento nas exportações dos EUA, que pode ser divulgado no próximo relatório de oferta e demanda do USDA. Os US$ 3,20 e US$ 3,30 por bushel na CBOT é o suficiente para indicar o tamanho da safra no país e mesmo com um aumento de 3 milhões a 5 milhões nos embarques ainda sobraria produto no mercado para dizer que não há uma tendência de alta nos preços devido ao tamanho da produção”, diz o consultor de mercado da Novo Rumo Corretora, Mário Mariano.

 

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas