Gomas Naturais

Métodos de extração da goma de cajueiro

Clodion Torres Bandeira (¹)

Goma é o nome genérico dado a uma classe de extrativos, ocorrendo em diferentes espécies vegetais. Com relação à goma do cajueiro, sua produção e extração da planta têm sido pouco estudadas. A maioria dos trabalhos existentes refere-se à sua composição química e características bioquímicas, nada sendo relatado, porém, quanto ao método de extração e produção por planta. A goma produzida pelo cajueiro é um substituto perfeito para a goma arábica, extraída de várias espécies de acácias, hoje toda im-portada, atingindo cifras superiores a US$ 400.000,00 por ano.
A goma do cajueiro tem inúmeras utilidades comerciais: fabricação de cola para papel e madeira, estabilização da espuma da cerveja, conservação de sabor dos alimentos industrializados, preservação de cristais de açúcar nas indústrias de sorvete, com o objetivo de evitar o seu descongelamento rápido. Acredita-se, no entanto, que seu maior potencial de utilização seja na indústria farmacêutica, onde é usada na fabricação de cápsulas e mprimidos, servindo como aglutinante de seus componentes.

Foram instalados dois experimentos na Estação Experimental de Pacajus, CE, com o objetivo de se conhecer o potencial produtivo da goma e verificar esse potencial em árvores de idades distintas. No primeiro experimento foram selecionadas plantas com mais de 25 anos de idade, e no segundo, plantas em plena produção, com 12 anos de idade. O segundo experimento foi concebido a partir dos resultados parciais do primeiro, sendo selecionados dois dos melhores tratamentos dos seis usados no primeiro expe-rimento.

As coletas de material exsudado foram feitas a partir de agosto de 1989, inicialmente a cada dois meses e mensalmente desde janeiro de 1990. Os dados estão sendo tabulados para plantas individuais, obtendo-se a média aritmética das repetições por tratamento.

Experimento I – Efeito de estimulantes e épocas de corte, na exsudação da goma do cajueiro, em plantas com mais de 25 anos de idade. Foram testadas quatro concentrações de estimulantes: 1) combi-nação de ácido sulfúrico a 50% e ethrel a 2,5% com uma pasta de ethrel, sendo a pasta de ácido sulfúrico aplicada no corte dado no tronco, enquanto a pasta de ethrel numa faixa de 20cm x 3cm abaixo do corte; 2) combinação de pasta ácida com 40% de ácido sulfúrico e ethrel a 2,5% com pasta de ethrel, com apli-cação igual à descrita no tratamento 1; 3) combinação de ácido sulfúrico a 50% e ethrel a 5%, aplicada no corte; 4) aplicação de ácido sulfúrico a 50%, no corte; 5) ácido sulfúrico a 40% aplicado no corte. A teste-munha teve apenas o corte sem estimulantes. Os cortes foram feitos mensalmente.

Experimento II – Efeito de estimulantes e épocas de corte, na exsudação da goma do cajueiro, em plantas com 12 anos de idade. Foram utilizados dois tratamentos: 1) idêntico ao tratamento 1 do experi mento I; 2) idêntico ao tratamento 2 do experimento I.
Em ambos os experimentos os cortes ficaram a uma altura de aproximadamente 50cm do solo. No primeiro experimento foram utilizadas três repetições, enquanto no segundo,doze, sendo cada árvore uma repetição.

Os resultados obtidos até o momento permitem as seguintes observações: a) as plantas com ida-de superior a 25 anos produziram mais no período de repouso e início da frutificação; b) as plantas jovens (12 anos) produziram mais na fase de floração; c) os tratamentos 1 e 2, para ambos os experimentos, com utilização de estimulantes, foram os que apresentaram melhor resultado; d) a média de produção para os dois experimentos ficou em torno de 7008/planta/ano, variando de 178g a 2.0009/planta/ano; e) a coloração da goma é influenciada, provavelmente, pela temperatura, pois varia de mês para mês; f) as plantas com mais de 25 anos aumentaram a produção de castanha após o período de extração da goma.
Acredita-se que com esses níveis de produção, desde que haja um mercado comprador favorável, seja economicamente viável a extração do exsudato do cajueiro por parte do produtor.

(¹) Pesquisador da Embrapa Agroindustria Tropical

Fonte: Embrapa