Trigo

Meta do RS é ser responsável, em 10 anos, por 50% do trigo consumido no país, diz secretário

29/10/2013

Que o Rio Grande do Sul é o maior produtor de trigo do país, com previsão de colher 2,7 milhões de toneladas nesta safra, os números já mostram. A curto prazo, os desafios são manter os preços, elevar e estabilizar a renda do produtor e criar as condições para que o produto fique no Estado – hoje a maior parte se exporta e, mais tarde, é trazido de volta com valor mais alto. No longo prazo, porém, a meta é fazer com que, em dez anos, o RS abasteça 50% do consumo interno brasileiro de trigo, hoje em torno de 10 milhões de toneladas.

Na abertura oficial da colheita, em Cruz Alta, na sexta-feira (25-10), a saída apontada pelo secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, parte de esforço conjunto entre governos do Estado, Federal e produtores. Estados como o Paraná e Santa Catarina, que produziram menos do que o esperado, devem receber trigo gaúcho. Para reter no mínimo o que se consome aqui e também ajudar a manter os preços de comercialização, o Banrisul e o Banco do Brasil têm disponíveis, juntos, R$ 400 milhões para financiar a compra do produto.

Além disso, segundo Mainardi, a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) vai disponibilizar, se necessário, toda a capacidade de armazenagem do Estado – de mais de 500 mil toneladas – para estocar o trigo.

O secretário vai sugerir ao Ministério da Agricultura que a Conab compre uma parte do trigo gaúcho, faça estoque público e, com isso, regule o valor do mercado evitando que a oferta seja menor que procura. “Não tem como permitir que o trigo saia do Estado, seja vendido a outros estados e países e depois tenha que voltar mais caro para abastecer o mercado interno. É inadmissível”, afirmou.

O secretário de Política Agrícola do Mapa, Caio Rocha, fez um balanço da produção brasileira. Disse que o governo federal criou o maior Plano Safra da história – para crédito, armazenagem, irrigação, seguro agrícola e cooperação – de R$ 136 bilhões. Destes, R$ 25 bilhões são para financiamento da construção de silos, com 15 anos para pagar e juros reduzidos. Lembrou, também, que estão previstos R$ 700 milhões para o seguro agrícola rural.

Câmara Setorial
Após o lançamento oficial da colheita do trigo em Cruz Alta, a Câmara Setorial do setor se reuniu na sede empresa CCGL na tarde desta sexta-feira (25). O secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi e representantes da Farsul, Embrapa Trigo, Emater, associações e sindicatos discutiram algumas medidas de curto, médio e longo prazos. A primeira delas será a criação de uma comissão na Câmara Setorial responsável por elaborar plano estratégico que pense o setor nos próximos dez anos, a exemplo do que o governo tem feito com o leite, a carne e outras culturas.

Para Mainardi, é impossível, por mais que se possa errar na previsão, não dar respostas efetivas ao produtor quando ele pergunta como será a safra do próximo ano. Se não tiver segurança de renda, há desestímulo à plantação. Para chegar aos dois milhões de hectares no Estado em dez anos, pensar o futuro é fundamental, diz o secretário.

O mercado interno gaúcho consome, com a moagem, cerca de 1,2 milhão de toneladas, outra parte é exportada para outros. O secretário do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, garantiu em reunião com o Mainardi na quinta-feira (24), apoio do governo caso seja necessária a compra de trigo para estoque público.

A Câmara acredita que não será preciso estocar, uma vez que países que tradicionalmente exportam para o Brasil, como a Argentina, sinalizaram que manterão grande parte da produção dentro do país. Houve também indicativo de que São Paulo, Rio de Janeiro e até Minas Gerais estariam interessados no trigo gaúcho. Eles pretendem pressionar a União para que não permita a entrada do trigo russo. A importação faria parte de acordo maior entre as duas federações que beneficiaria o Brasil na cadeia suína. Alegam, porém, que o produto de lá, embora barato, não apresenta qualidade.

Fonte: Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Autor: Daniel Cóssio