Mercados e Comercialização

O Nordeste, como um todo, produz apenas 10% da demanda nesta região, tratando-se portanto de um mercado francamente comprador, importando, de outras regiões do Brasil e de outros paises, a maior parte do que consome, com destaque para o leite em pó, que chega atingir 76% do total de lácteos.

Assim como em outras regiões e no Brasil em geral, coexistem dois tipos de mercado de lácteos, ambos de grande expressão econômica, conhecidos como formal e informal em que, no primeiro, (possivelmente majoritário na região semi-árida), o leite e seus derivados não sofrem praticamente qualquer tipo de fiscalização sanitária ou tributária por parte do governo.

Indústrias de lácticínios de médio e grande porte coletando principalmente médios e grandes volumes de leite, transformando-os no tipo “longa vida”, leite em pó, iogurtes, bebidas lácteas e outros produtos industrializados convencionais, frequentemente convivem ao lado de centenas de pequenas “fabriquetas” artezanais de queijo de coalho, requeijão do norte e outros derivados de identidade regional, além da venda de leite crú a domicílio, esta ainda bastante significativa pelas cidades de médio e pequeno porte da região.

É interessante notar que, onde ocorre fortemente, essa coexistência se reflete favoravelmente na formação do preço do leite para o produtor, uma vez que o conjunto das fabriquetas, com sua grande capilaridade e oferta de benefícios indiretos ao produtor (pagamento em espécie, sem retenção, coleta na porteira da fazenda e devolução de 50% do soro para criação de suinos), exerce forte competição na coleta de leite, contrapondo-se ao poder de monopólio das grandes indústrias. Além do que essas fabriquetas estão simbioticamente associadas á suinocultura o que permite o uso ambientalmente não danoso do soro resultante da fabricação queijeira.

Assim é que, como alternativa à integração ao setor industrial de grande porte, que para o pequeno produtor de leite significa associar-se de modo a tornar-se um grande fornecedor – análises do setor indicam que pequenos volumes serão progressivamente recusados no processo de implantação da coleta granelizada – a formalização do setor queijeiro no Nordeste semi-árido impõe-se como opção de sustentabilidade da pequena produção na cadeia produtiva do leite na região. Para tanto padrões de qualidade precisam ser regulamentados, cujo estabelecimento requer ações de apoio governamental para redução do custo da formalização, nelas incluindo redução de impostos, financiamentos para melhoria da infraestrutura, com compra de equipamentos e revisão da legislação sanitária quando existente.

A diferenciação e a valorização do produto incorporando fundamentos da produção agroecológica de leite e derivados, poderá se constituir, a médio e longo prazos, em outra via de sustentabilidade para a pequena e média produção. Neste sentido, o ambiente semi-árido naturalmente favorável à saúde animal, e com baixo requerimento de insumos para correção da fertilidade dos solos, oferece vantagens comparativas relevantes. Obviamente que a organização e a capacitação dos produtores será de fundamental importância para a obtenção da qualificação necessária para a acesso a um mercado mais exigente.

Fonte: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Leite/LeiteSudeste/mercados.html

Embrapa Gado de Leite

Orlando Monteiro de Carvalho Filho
Gherman Garcia Leal de Araujo
Pablo Hoentsch Languidey
José Luiz de Sá
Victor Muiños Barroso Lima