Flores

Mercado Internacional

Mercado europeu

No continente europeu, a União Européia representa o principal mercado consumidor mundial de flores. Até 2004, os quinze países que faziam parte desse bloco econômico apresentavam elevado consumo anual per capita de flores. Além disso, a inclusão de mais dez países na União Européia eleva o potencial europeu de demanda de flores. Esse mercado tem como característica a grande exigência quanto à origem e à qualidade dos produtos que adquirem.
Em virtude das exigências e para garantir o acesso ao mercado da União Européia, produtores e comerciantes de flores da Colômbia, Costa Rica e Equador têm se preocupado em obter o certificado ambiental – selo verde – relacionado ao correto manejo ambiental e às relações de trabalho adequadas.
O movimento comercial de flores e plantas ornamentais na UE é predominantemente interno, ainda que uma importante quantidade desses produtos provenha de países extracomunitários.
Entre 1999 a 2001, fazendo-se uma média das importações, foram obtidos 662 milhões de euros, equivalendo a 18,3% que provêm de fora da EU. O restante, 81,7%, cerca de 2,958 bilhões de euros, é gerado no comércio intracomunitário. O principal provedor de flores e folhagens da UE é a Holanda, país comunitário cujas exportações para seus associados na comunidade estão ao redor dos 2 bilhões de euros. Outros importantes provedores desses 28 produtos são Quênia (180 milhões), Israel (125 milhões), Colômbia (100 milhões) e Espanha (90 milhões) (MOTOS; PACHECO, 2004).
As importações européias originárias de países em desenvolvimento vêm crescendo na última década. Em 2001, atingiram 19% do total importado de flores e folhagens de corte pela UE. A Holanda foi responsável pela maior parte das importações feitas de países emergentes, se comparada com outros países desse bloco, o que a caracteriza como a principal porta de entrada para os produtos dos novos exportadores (IBRAFLOR, 2005). No ano de 2004, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a União Européia importou 3,08 bilhões de euros em flores de corte. Desse total,  proximadamente 578 milhões de euros foram oriundos de flores exportadas por países em desenvolvimento, o que destaca a importância desses países no mercado europeu de flores de corte.
Em relação às flores de clima tropical, é importante ressaltar que essas representam em torno de apenas 5% do total movimentado no mercado europeu de flores de corte.
A Holanda (plantas cultivadas em estufas climatizadas), Costa Rica, Havaí, Equador, Camarões, Malásia e Ilhas Maurício são os principais países exportadores de flores tropicais para a Europa (OPITZ, 2005).

Mercado norte-americano
Há grandes diferenças entre o mercado norte-americano e o da União Européia. A Colômbia, o Equador e a Holanda forneceram 80%  das importações do país no ano de 2003. Do total das importações (US$ 671 milhões), cerca de US$ 611 milhões foram em flores de corte.
As flores cortadas para buquês, consideradas o segundo maior grupo de flores importadas pelos Estados Unidos da América, atingiu US$ 174 milhões no ano de 2003. O principal fornecedor foi a Holanda, de onde se importou o equivalente a US$ 63 milhões. A Colômbia ocupou a segunda posição, com US$ 37 milhões; o Equador, com US$ 23 milhões; o Canadá  com US$ 14 milhões; México, US$ 11 milhões; Israel, US$ 7 milhões; Costa Rica, US$ 6 milhões; Nova Zelândia, US$ 5 milhões; e Peru, com US$ 2 milhões (PERTWEE, 2004).
Em relação ao valor da produção interna, em 2003, o valor obtido por produtores com mais de US$ 10 mil em vendas chegou a US$ 425 milhões para flores cortadas e US$ 109 milhões para plantas. No que diz respeito ao ano de 2004, o valor da produção de flores manteve-se no mesmo patamar anterior, mas a de plantas de corte sofreu uma queda de 5% no valor comercializado. A produção de flores californianas, nesse mesmo ano, esteve no patamar de US$ 306 milhões, representando 72% do total do país. Lírios, rosas e tulipas são as três espécies mais importantes (MOTOS; NOGUEIRA, 2001).
A produção de plantas de corte concentra-se na Flórida, alcançando 77% do total produzido.
Nos boletins da Ornamental Crops National Market Trends,2 foram obtidos os dados sobre as importações norte-americanas do ano de 2003, com informações dos principais produtos ornamentais que são importados segundo os países de origem. Essas estatísticas são mostradas em unidades físicas – atados ou ramos – e não são diretamente comparáveis com as utilizadas para a Europa (MOTOS; PACHECO, 2004).
Assim, no fornecimento das alstroemerias, áster, cravos, crisântemos, gérberas, rosas, gypsophilla, a Colômbia está em primeiro lugar e em segundo lugar para lisianthus. A rosa colombiana é o produto mais importado pelos Estados Unidos com 1.774.784 unidades, seguida pelo cravo, com 774.286 unidades. O Equador é o segundo fornecedor de rosas (735.289 unidades) e de cravos (18.508 unidades). Outros fornecedores importantes de flores para o mercado americano são: Costa Rica, México, República Dominicana e Guatemala, esse último com suas plantas de corte. A Holanda é um importante provedor de gladíolos, gérberas e lírios (MOTOS; PACHECO, 2004). O mercado americano vem apresentando oscilações de ano para ano: 2001 e 2002 foram considerados ruins para os
fornecedores de flores de corte, enquanto o de 2003 foi um grande ano, com importações superiores a US$ 600 milhões em flores de corte, um crescimento de 13% em relação à 2002. Os preços, em geral, mantiveram-se estáveis e só as importações de rosas chegaram a US$ 217 milhões (IBRAFLOR, 2005).
Tal como o mercado da União Européia, o americano também é exigente em termos de qualidade e complexo em relação à logística de distribuição. Preço competitivo é apenas a condição sine qua non para acesso, que depende ainda de apoio das redes locais atacadistas, responsáveis pelo abastecimento do mercado varejista. Preço, qualidade do produto, regularidade no abastecimento e credibilidade para manter contratos nos termos fixados são elementos essenciais para se inserir e se expandir no mercado americano, no qual a participação brasileira é insignificante.

Mercado do Japão
Considerado o maior mercado de flores da Ásia, o Japão é um dos países de maior importância nesse ramo. Produz 82% das flores de corte consumidas no país (SECOM, 2004), mas ainda assim se posiciona como grande e crescente importador, não apenas em razão da expansão do mercado doméstico como também da queda da produção própria. Segundo o 2 Disponível em: <www.ams.usda.gov/fv/mncs/ornt.pdf>. Acesso em setembro de 2005.
30 Ministério de Finanças do Japão, no período 1999-2003, a produção doméstica de flores de corte caiu 15% e das importações passaram de US$ 155 milhões em 1999 para US$ 171 milhões em 2003.
Apesar da importância da produção interna e da imposição de barreiras tarifárias e não tarifárias, o Japão depende de importações para atender a sua demanda interna. Entre 1998 e 2002, registrou-se ligeiro crescimento das importações de bulbos florais, que alcançaram 679 milhões de unidades (MOTOS; PACHECO, 2004). No setor de flores cortadas, esse crescimento foi registrado nas orquídeas (28,6%), crisântemos (25,9%) e cravos (10,4%), espécies que são as mais importadas pelo Japão. Entre os principais países fornecedores do Japão, estão a Coréia, 19,8%; Tailândia, 18,3%; Taiwan, 11,7%; Malásia, 8,2%; e Colômbia, 7,8% (MOTOS; PACHECO, 2004).
A posição do Brasil em relação ao mercado japonês não é confortável. Dificuldades associadas à distância, estrutura de vôos internacionais, rigor dos dispositivos fitossanitários, qualidade dos produtos e sistemas de pagamento restringem o acesso de fornecedores brasileiros ao mercado japonês.

Mercado da China
Na escala mundial, o mercado de plantas ornamentais poderá sofrer mudanças significativas em um futuro próximo em decorrência da expansão da produção e consumo do continente asiático, onde se registra aumento de áreas plantadas no Vietnã, Taiwan e, principalmente, na China. Os plantios nesse último país podem ser caracterizados como “grandes monoculturas”, seja pelas áreas seja pelo nível de especialização. Existem projetos com implantação de 150 hectares contínuos só de dracenas (Dracena sp.) (IBRAFLOR, 2005). Em 2004, a China tinha uma área plantada com flores de 636.000 ha. e produzia cerca de 9 bilhões de flores frescas por ano, aproximadamente sete flores per capita. Em 2004, a floricultura chinesa movimentou cerca de 5,4 bilhões de dólares e exportou apenas 140 milhões. Apesar do desenvolvimento acelerado, a floricultura chinesa ainda enfrenta diversos empecilhos – tecnológico e logístico –, que dificultam seu posicionamento como grande exportador de flores.
Em razão das barreiras externas, o gênero Chrysanthemum spp. não chega a ser exportado, mas pode ser encontrado no mercado doméstico. Na composição dos custos das flores e produtos derivados produzidos na China, 60% referem-se à taxa de transporte da companhia nacional de aviação e 40% são os custos básicos de produção, enquanto em outros países a taxa do transporte sobre os custos não passa da metade do percentual da China. Como resultado, o lucro da indústria chinesa de flores é baixo e não tem atraído investimentos privados significativos.
O mercado de flores chinês enfrenta dificuldades em decorrência do custo elevado de movimentação do produto e da estrutura, ainda precária, de distribuição nas principais cidades. Não há subsídios do governo e a indústria de flores, considerada pequena, gera poucas divisas. Em muitas empresas, os equipamentos e a tecnologia não estão adequados às exigências necessárias para executar a exportação (UNCTAD, 2004).

Mercado da América Latina
Dentre os países latino-americanos, destaca-se a Colômbia, segundo maior exportador mundial, com 13,4% do mercado em 2004, perdendo apenas para a Holanda, que responde por 58,2%. Praticamente toda (98%) a produção colombiana é exportada. Em 2002, a área cultivada nesse país era de 5.906 ha., gerando aproximadamente 163 mil empregos:
88 mil diretos e 75 mil indiretos. Ainda nesse mesmo ano, as exportações chegaram a pouco mais de 672 milhões de dólares (MOTOS; SABUGOSA, 2004, apud IBRAFLOR, 2005).
Apesar de ser um dos maiores fornecedores no ramo de flores, a Colômbia, em período recente, apresentou certa dificuldade comercial, em razão dos problemas decorrentes da instabilidade política interna (IBRAFLOR, 2005). Mesmo com essa dificuldade, o agronegócio de flores continuou crescendo no país.
Presentemente, a Colômbia é o principal exportador para os Estados Unidos, com 60% do mercado, o segundo principal fornecedor de flores para o Reino Unido e o terceiro para Alemanha (IBRAFLOR, 2005) e o quarto principal exportador para a Europa (4% das importações da União Européia). Das exportações colombianas, 84,5% são destinadas aos Estados Unidos, 9,3% para UE e 6,2% para outros países. As rosas, os cravos e os crisântemos são seus principais produtos (MOTOS; SABUGOSA, 2004). Dados das Nações Unidas3 para o período 2002-2006 mostram que a Colômbia vem lentamente ampliando suas exportações e atingindo novos mercados como o da Europa Oriental e da Ásia.
O Equador cultiva 2,5 mil hectares anuais com flores, cuja exportação gera para o país US$ 250 milhões anuais em divisas. É um dos grandes destaques mundiais no segmento de flores de corte. O produto de maior relevância das exportações equatorianas é a rosa, com faturamento total aproximado de US$ 219 milhões no ano de 2002. O segundo lugar fica para a gipsophyla, com a qual obteve quase US$ 18 milhões. Rosas, cravos e cravinas representam cerca de 70% da demanda mundial. O Equador vem ganhando competitividade no mercado mundial, principalmente no comércio de rosas. As exportações de produtos da floricultura do Equador vêm crescendo no mercado internacional, sobretudo, para os Estados Unidos, Canadá, Holanda, Rússia, Alemanha, Suíça, Espanha, França e

Japão
O terceiro país que mais exporta na América Latina é a Costa Rica. Os principais cultivos são as folhagens – grande parte delas produzidas por empresas norte-americanas instaladas nesse país e responsáveis pela comercialização nos Estados Unidos.
A Colômbia, Equador e Peru, juntos, atendem 29% do mercado europeu, superados apenas para Israel, outro grande exportador. O notável desempenho desses três países da América Latina deve-se, em boa parte, ao tratamento especial que a comunidade européia dispensa aos países andinos. A tarifa européia sobre a importação de flores da Colômbia, Peru, Equador, Venezuela e Bolívia é nula. Os Estados Unidos, para onde são destinadas 70% das flores exportadas pela Colômbia, mantêm política idêntica com o objetivo de estimular a diversificação de culturas e combater o plantio de coca. Os produtores brasileiros pagam tarifas que oscilam entre 1,6% e 11,2% para seus produtos que entram na Europa (IBRAFLOR, 2005).
O Brasil possui um grande mercado interno e consome praticamente tudo que produz.
Embora cultive uma grande área, gera um pequeno fluxo de produtos para o mercado internacional. As flores tropicais começam a renovar e modernizar os arranjos tradicionais.
As orquídeas e antúrios, mesmo apreciados mundialmente, vêm cedendo espaço para as cores vivas das bromélias, alpínias, musáceas e helicônias que encantam especialmente os europeus, como grandes consumidores. O Brasil produz exatamente as mesmas espécies de plantas tropicais oferecidas pela Colômbia. As flores tropicais têm preço proporcional ao exotismo. Ainda na América Latina, é interessante observar o surgimento de novos projetos de cultivos de flores no México e no Chile.

Fonte:

http://www.iica.org.br/Docs/CadeiasProdutivas/Cadeia%20Produtiva%20de%20Flores%20e%20Mel.pdf

 

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Cadeia produtiva de flores e mel / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura ; Antônio

Márcio Buainain e Mário Otávio Batalha (coordenadores). – Brasília : IICA : MAPA/SPA, 2007.

140 p. ; 17,5 x 24 cm – (Agronegócios ; v. 9)

ISBN 978-85-99851-21-0

 

1. Agronegócio – Brasil. 2. Política Agrícola – Brasil. 3. Frutas. I. Secretaria de Política

Agrícola. II. Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. III. Buainain, Antônio

Márcio. IV. Batalha, Mário Otávio. V. Título.

AGRIS 3307;9340

CDU 631.575