Mercado Consumidor e suas Exigências

O mercado consumidor do suco de laranja concentrado congelado brasileiro é, principalmente, Europa, Japão e EUA (em menor quantidade, devido ao crescimento da produção própria). A Europa pode ser considerada um mercado consumidor exigente por demandar padrões de qualidade estabelecidos por vários órgãos reguladores, até mesmo originário de outra região como USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O Japão é considerado muito exigente quanto à qualidade, por não adotar os padrões utilizados internacionalmente, mas sim padrões formulados pelo próprio país e que são considerados mais restritos e específicos, dificultando o cumprimento das exigências.

Os EUA, diferentemente dos dois mercados consumidores anteriores, não é caracterizado como um país muito exigente em qualidade, mas, mesmo assim, possui altos padrões de qualidade. Essa diferença entre os mercados consumidores, segundo as empresas entrevistadas, deve-se por não haver produção de laranja e nem fabricação de suco na Europa e Japão como no Brasil e EUA.

Os órgãos reguladores regulam a qualidade do suco de laranja, permitindo ou não a sua importação pelos países pertencentes ao mercado consumidor desta indústria. Os órgãos reguladores podem ser: internacionais – ARSK-Value (Associação Alemã das Indústrias de Suco de Laranja – Bonn), Codex Alimentarius, AIJN (Association Internacional Juice and Nectare Fruit) – e governamentais – JAS (Japanense Agricutural Standard), USDA.

O consumidor final do suco de laranja brasileiro não tem contato direto com as empresas processadoras de suco sediadas no Brasil. Este intercâmbio é intermediado pelas empresas de diluição e envasilhamento que, realizando a compra do suco, revendem-no, após manipulação, ao consumidor final ou aos distribuidores.

As exigências quanto as características do suco de laranja são identificadas pelas empresas de diluição e envasilhamento as quais acrescem suas exigências, repassam-nas para as empresas de processamento. Assim, as exigências identificadas pelas empresas processadoras provém das empresas de diluição e de envasilhamento e dos órgãos reguladores (internacionais e governamentais).

Alguns aspectos essenciais que compõem a qualidade do produto suco de laranja, de acordo com as demandas do mercado consumidor e órgãos reguladores, são:

1. Físico-químicas: rátio, brix, vitaminas, ácidos, compostos nitrogenados, porcentagem da polpa, óleo.

2. Organolépticas: sabores, cor, aroma, pulp wash.

3. Microbiológicas: microorganismo.

4. Práticas de procedimentos: Autenticidade do produto, controle de pesticidas e controle de metais pesados.

Esses aspectos são apontadas pelas empresas como relevantes para a obtenção da qualidade do suco, mas a classificação do grau de importância das mesmas difere para cada empresa.

A qualidade total de um produto pode ser representada por várias características, ou seja, um produto tem qualidades e não uma qualidade, pois existe uma qualidade para cada característica do produto. Essas características podem ser agrupadas em parâmetros e dimensões da qualidade, segundo Toledo (1993).

Assim, as dimensões da qualidade do suco de laranja concentrado congelado podem ser definidas como:

  • · qualidade de conformidade: para o suco esta qualidade se relaciona com o cumprimento dos requisitos definidos para o produto.
  • · qualidade da interface do produto com o meio: interface com o usuário e interface com o meio ambiente. Um exemplo, é quanto à questão do controle de pesticida que pode afetar o consumidor final, caso sejam encontrados resíduos acima dos limites de segurança estabelecidos.
  • · qualidade de características subjetivas associadas ao produto: estética – que seria as preferências de cada país consumidor quanto ao sabor, cor, aroma e acidez; e qualidade percebida e imagem da marca. Esta última qualidade pode ser exemplificada no caso do suco de laranja concentrado congelado, quando se verifica, segundo as empresas entrevistadas, o grau de fidelidade na relação entre empresa processadora e cliente. Por um lado, o cliente irá se manter fiel a uma empresa por esta apresentar sempre a qualidade de produto desejado e, por outro lado, pelo fato de a empresa manter baixa a rotatividade dos seus clientes procurando sempre satisfaze-los quanto a qualidade. Essa qualidade percebida pelos clientes faz o nome da empresa (marca).
  • · qualidade de características funcionais intrínsecas ao produto: envolve o desempenho do produto – refere-se a adequação do produto a sua missão, que no caso do suco de laranja concentrado congelado é ser um suco mais durável que o suco natural e que apresente características as mais próximas possíveis do suco natural como cor, sabor, aroma, acidez e vitaminas; facilidade e conveniência do uso – e as características secundárias que completam a função básica do produto, como é o caso da adição de sabores e aromas ao suco. A indústria processadora apresenta uma grande quantidade de aromas e sabores que podem compor o suco de laranja concentrado congelado de forma diferenciada do standard, o que possui apenas os aromas e sabores do próprio suco que são reintegrados.
  • · qualidade dos serviços associados ao produto: o suco de laranja concentrado congelado é um produto que não pode ser recuperado se não estiver dentro dos requisitos preestabelecidos, ou seja, pode ser corrigido desde que o produto esteja dentro do prazo de validade e sob as condições adequadas de armazenamento e, também, há a possibilidade do suco ser trocado por um outro recém produzido, desde que as alterações constatadas no suco forem de responsabilidade da empresa.
  • · qualidade de características funcionais temporais: em específico a durabilidade se refere à medida da vida útil do produto (shelf life). No caso do suco de laranja concentrado congelado, a sua vida, quando armazenado adequadamente, é de até dois anos.

Ana Claudia Giannini Borges

Departamento de Direito e Administração de Empresa – Fundação de Ensino “Eurípedes Soares da Rocha” –

Marília – SP

José Carlos de Toledo

Departamento de Engenharia de Produção – Universidade Federal de São Carlos – São Carlos – SP

Fonte:  http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1998_ART404.pdf