Cana de Açúcar

Mercado canavieiro é foco para lançamentos

06/05/2014

 

O mercado está aquecido devido às necessidades específicas do setor, que passa por mudanças como a mecanização da colheita 

O mercado canavieiro estimulou a maioria dos lançamentos e novidades durante a 21ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola Aplicada (Agrishow 2014), realizada em Ribeirão Preto de 28 de abril a 2 de maio. Um dos motivos para o aquecimento do mercado são mudanças como a mecanização da colheita.

A New Holland trouxe à feira a enfardadora BigBaler 1290, adaptada tanto para a produção de feno e pré-secado quanto para o recolhimento da palha da cana-de-açúcar. O especialista em marketing de produto da empresa, Juliano Mendonça, destaca que a máquina veio dimensionada para o uso na lavoura de cana-de-açúcar, com seus equipamentos preparados para receber o produto, que é extremamente corrosivo. “É uma mudança importante, porque aumenta a vida útil da máquina, assim como aconteceu com os carros flex, que foram preparados para receber o etanol sem danos”, explica.

Mendonça diz que o interesse pela área da cana é uma questão de mercado, que apresenta as maiores necessidades neste momento, com várias alterações na configuração do processo de produção do etanol. “Desde janeiro de 2014, é proibida a colheita manual, além da proibição da queimada da palha. Por isso, os produtores estão investindo na mecanização das lavouras, e faltavam produtos específicos”, afirma.

Outra empresa que voltou suas atenções para o setor canavieiro é a John Deere, que aproveitou a feira para apresentar ao público, pela primeira vez, uma linha de pulverizadores específicos para uso em canaviais. Os produtos são equipados com proteções adicionais e banco para instrutor, além do sistema AMS de agricultura de precisão. Com mais facilidade para manobras e total eficiência operacional, proporcionam menos pisoteio nas cabeceiras e 25% menos tempo gasto com manutenção, reduzindo as perdas. A empresa lançou também, no final do ano passado, uma nova colhedora de cana, com ajuste automático de corte, que permite que a cana seja cortada na altura determinada, independetemente do perfil do solo.

“O mercado canavieiro precisa mais que os outros de novidades para enfrentar o momento atual. Houve perda de produtividade por causa das condições climáticas e o maior desafio do setor é aumentar a produtividade. Por isso, a necessidade de novidades específicas para a área”, avalia Rodrigo Junqueira, diretor de vendas da John Deere Brasil.

Máquinas de construção

Os equipamentos de construção também se voltaram para o mercado da cana-de-açúcar. A Case Construction, por exemplo, lançou a pá carregadeira versão canavieira, uma exclusividade. Para atender com mais eficiência a esse mercado, a máquina traz caçamba com maior volume e sistema de pré-filtragem de ar do motor e do ar-condicionado, além de ventilador reversível do radiador, para evitar entupimentos nos sistemas durante o manuseio do bagaço da cana.

“Os novos produtos para o setor canavieiro estão surgindo em decorrência da mecanização e da necessidade de aumentar a produtividade. E não adianta ter bons equipamentos para plantio e colheita se não tiver bons produtos também para a preparação do solo”, diz Carlos França, gerente de marketing da Case Construction.

De acordo com França, 2013 foi um ano excelente para a indústria de equipamentos de construção. Segundo ele, a participação do segmento agrícola da Case Construction gira em torno de 7% das vendas. “É o desenvolvimento da área canavieira que vem puxando o crescimento das vendas desses produtos chamados de linha amarela”, afirma. “Antes, eram utilizados equipamentos agrícolas com implementos e adaptações. Agora, o produtor tem opções de máquinas específicas, que aumentam a produtividade e a rentabilidade do negócio.”

Cliente exigente

O empresário do agronegócio tem levado em conta as mesmas características dos carros de passeio na hora de adquirir suas máquinas, ou seja, busca cada vez mais conforto, praticidade e tecnologia aplicada..

A New Holland colocou em seu estande na Agrishow dois carros Maserati, de alta performance, para comparar com dois tratores da marca, o T6 e o T7, considerados da mesma forma produtos cheios de tecnologia, que influenciam diretamente na produtividade e nos resultados. “A ideia é que o operador tenha a mesma qualidade encontrada em um veículo de alta performance. Com manuseio mais simples e automatizado, e mais conforto, ele trabalha melhor, as perdas são reduzidas, o que gera mais produtividade”, afirma Cristiano Conti, especialista de marketing na área de grãos.

Para Rodrigo Junqueira, diretor de vendas na John Deere Brasil, o que impulsionou a busca por conforto e tecnologia foram dois fatores: a falta de operadores no campo e o fato de que muitas vezes o dono da propriedade é o próprio operador da máquina.

 

Fonte: DCI – Diário do Comércio & Indústria
Autor: Aline Quezada