Variedades

Melhores cafés do Cerrado

28/11/2016

Há cinco gerações, a família Castro Alves é uma das pioneiras na cafeicultura da região do Alto Paranaíba

A cultivar Topázio, desenvolvida por meio do Programa Estadual de Cafeicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), alcançou o segundo lugar no Prêmio Região do Cerrado Mineiro, categoria café natural. O material apresentado pela Fazenda Barinas, localizada no município de Araxá, MG, de propriedade do cafeicultor Tiago Castro Alves, obteve a pontuação de 91,08 pela metodologia da Associação Americana de Cafés Especiais (BSCA).

Há cinco gerações, a família Castro Alves é uma das pioneiras na cafeicultura da região do Alto Paranaíba. Em toda sua história de plantio, a propriedade investe em diversificação, integração, profissionalização e parcerias estratégicas para alcançar a qualidade do grão. Porém, esse resultado premia um trabalho recente voltado para alta qualidade do café. Quem atesta é o gerente de qualidade da fazenda Warley Carlos de Oliveira. “Temos quatro talhões da mesma variedade na fazenda e cada um apresentou características diferentes. Há dois anos fazemos acompanhamentos, talhão por talhão, para buscar entender algumas variáveis. Ficar atento ao clima, maturação e processos de pós-colheita foi fundamental para atingir esta pontuação”, informa.

Segundo o gerente, a fazenda realiza um mapeamento de qualidade para compreender como as variedades se comportam dentro do seu microclima e qual o melhor processo de pós-colheita. “Temperatura, umidade, maturação, insolação, altitude, fases da lua, entre outras, são variáveis importantes no estudo de comportamento do grão em diferentes perfis de torra e métodos de preparo”, acrescenta.

Mais duas variedades desenvolvidas pela EPAMIG também alcançaram boa classificação no Prêmio Região do Cerrado Mineiro 2016. As variedades Acaiá Cerrado, da fazenda Freitas, em Patrocínio, e a Paraíso 2, da fazenda Estrela II, em Patos de Minas, ficaram com o segundo e quarto lugares na categoria Cereja Descascado, respectivamente.

De acordo com o superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, o trabalho de melhoramento genético desenvolvido pela EPAMIG tem sido fundamental para o alcance da melhoria da qualidade dos cafés produzidos na região. “Comprovamos a importância da pesquisa agropecuária por meio de fortes indicadores como os que temos conseguido nas quatro edições do Prêmio Região do Cerrado Mineiro, a exemplo deste com a cultivar Topázio da propriedade Barinas, que obteve alta pontuação”, comenta.

As pesquisas do Programa Estadual de Cafeicultura da EPAMIG, realizadas nos Campos Experimentais da Empresa em Araxá e Patrocínio, são acompanhadas pelo pesquisador Antônio Alves Pereira (Tonico) e outros pesquisadores do programa num intenso trabalho de seleção de progênies que já resultou no lançamento de várias cultivares. Novos materiais estão sendo lançados, como cultivares que, além da resistência a doenças, melhor produtividade e arquitetura, possuem alto potencial para bebida. O Banco Ativo de Germoplasma de Café, um dos maiores do país, localizado no Campo Experimental de Patrocínio, tem papel fundamental neste trabalho de identificação do café de alta qualidade, além de ser importante para a história e evolução da cafeicultura do Cerrado com várias pesquisas de resistência, melhoramento genético e do grão especial para bebida.

Café do Planalto de Araxá

De acordo com o coordenador do Programa da EPAMIG, César Elias Botelho, devido ao potencial para o cultivo do chamado café de altitude na região do Planalto de Araxá, foram instalados vários experimentos de competições de cultivares, por meio de projetos do Consórcio de Pesquisa Café – EPAMIG/Embrapa Café, com foco, principalmente, na qualidade superior da bebida. A seleção é feita baseada em 25 cultivares e materiais genéticos. “São avaliadas cultivares da EPAMIG, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Fundação Procafé e do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) para seleção das mais adaptadas à região, nas condições do Cerrado”, informa.

Segundo o pesquisador, a região de Araxá possui características de relevo, solo e clima ideais para o grão especial. “As condições climáticas são excelentes para produção do café, com quantidade de chuvas um pouco maior, o que influencia no desenvolvimento das plantas resultando em peneira alta, ou seja, em um grão graúdo”, salienta. Esta constatação foi feita na safra de 2015, quando o café produzido no Planalto de Araxá foi comparado ao de outras regiões do Estado. “Todas as cultivares produziram grãos com maior percentual de peneira alta em relação a outras regiões, fator importante para atender ao mercado de café expresso que exige sementes mais graúdas”, comenta.

Fonte: Secretária de Agricultura e Pecuária MG