Custo de Produção

Mel: alimento em vez de remédio

Fernanda Yoneya – ESPECIAL PARA O ESTADO
A apicultura brasileira, que sempre esteve de olho no mercado internacional, quer, agora, aumentar o consumo interno de mel e de outros produtos de origem apícola. “Hoje, é mais negócio atender ao mercado interno do que exportar”, diz o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), Joail Humberto Rocha de Abreu. “A China teve problemas com antibióticos e ficou três anos sem exportar mel. Isso aqueceu as exportações de outros países, pois os preços dispararam. Mas, com a volta da China, que vende o mel mais barato do mundo, houve uma retração geral”, conta.

Daí a iniciativa do setor em estimular o consumo interno e, ao mesmo tempo, apoiar pequenos e médios apicultores – a maioria no País. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, em 2004, foram exportadas 21 mil toneladas de mel in natura, ou o equivalente a US$ 42 milhões; em 2005, com a volta do mel chinês, o Brasil havia exportado, até novembro, 12 mil toneladas do produto, ou US$ 16 milhões.

Hoje, calcula-se que o País tenha cerca de 150 mil apicultores, entre aqueles que se dedicam apenas à atividade e outros que a têm como forma extra de renda. Na produção de mel, destacam-se Rio Grande do Sul, Piauí, Santa Catarina, Ceará, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, que sempre foi o maior Estado exportador do produto. [INTERTITULO]

CUSTOS BAIXOS
Uma das vantagens da apicultura praticada no Brasil é o baixo custo de produção. O apicultor Frederico Kraft, de Brotas (SP), diz que para começar é preciso, no mínimo, de 150 colméias; uma colméia, que pode ter até 80 mil abelhas, custa cerca de R$ 100. Com o pasto apícola devidamente instalado, a enxuta mão-de-obra contribui ainda mais para reduzir despesas.

Prova disso são os irmãos apicultores Nilton e Nércio Parise, também de Brotas, que, apenas com suas esposas, cuidam de cerca de mil colméias, em uma propriedade de 20 hectares, e vivem da renda gerada pela atividade. “Nossos gastos são baixos, porque não temos funcionários. Em quatro pessoas, conseguimos cuidar dos enxames e colher o mel”, conta Nilton, que se dedica à atividade há 22 anos e possui cerca de 600 colméias.

Nércio, há menos tempo no ramo (12 anos), é dono de quase 400 colméias. Em 2005, os irmãos Parise, juntos, haviam colhido até o começo de dezembro 32,5 toneladas de mel. Após colhido, o mel é dividido e cada um distribui seu produto em diferentes pontos de venda, que irão processar, embalar, rotular e revender o mel ao consumidor. A produção dos irmãos Parise é escoada em regiões próximas, como São Carlos e Campinas. “A lata de 25 quilos de mel de laranjeira é vendida por R$ 100; a lata de mel de eucalipto vale R$ 70”, diz Nilton, que fatura, por mês, cerca de R$ 3 mil. Dependendo da florada, cada mel tem características e valor comercial diferentes.

CONSUMO
No Brasil, representates do setor dizem que há mel excedente que se desvaloriza por causa do baixo consumo interno. Calcula-se que o consumo de mel no País, considerado um dos mais baixos do mundo, não chega a 100 gramas/habitante/ano, enquanto na Alemanha, o consumo chega a 2,4 quilos de mel/habitante/ano. O baixo consumo de mel no País é atribuído a uma série de fatores, que incluem preços altos para o consumidor, dificuldade de encontrar pontos fixos de venda, como supermercados, e, principalmente, a “fama” de remédio, que sempre esteve associada ao produto.

Para resolver essa e outras questões, o setor se organizou para traçar um perfil detalhado do consumidor brasileiro, para, então, promover campanhas informativas e dar ao mel o status de alimento. “Estamos identificando hábitos de consumo: quem compra, faixa etária, finalidade e ponto de venda”, diz a coordenadora dos projetos do Setor Apícola no Sebrae Nacional Alzira Vieira. “A partir daí, será feita uma campanha direcionada para cada tipo de consumidor, dando destaque aos valores nutricionais do mel.”

 

Fonte: http://www.zoonews.com.br/noticias2/noticia.php?idnoticia=69512