Gerenciamento de Produção

Medidas para a sustentabilidade do agronegócio de flores e plantas ornamentais no Brasil

O crescimento, sustentável e duradouro do setor requer, no plano externo, equipar os aeroportos do País de câmaras frias para recepção dos produtos, melhorar os mecanismos burocráticos e logísticos de exportação, assegurando maior agilidade nesses processos. Além disso, é preciso melhorar o funcionamento dos corredores de exportação, respeitar a legislação de proteção de cultivares, acompanhar a vigência das normas fitossanitárias internacionais e proceder a um rígido controle no embarque, além de proteger espécies de plantas ameaçadas de extinção, garantindo reprodução controlada, melhorar o controle na entrada e na saída desses vegetais para evitar pragas e doenças, credenciar agentes e empresas para as operações nos pontos de destino e melhorar o sistema de informação de mercado.
No plano interno, há necessidade de ampliar o acesso dos produtores a insumos básicos, a novas espécies e cultivares, à capacitação profissional e a novas tecnologias de produção; é também necessário estimular e viabilizar pesquisas tecnológicas em geral, em particular aquelas focadas no domínio reprodutivo do material encontrado na própria natureza, cujo valor comercial é enorme; melhorar a prospecção comercial, a base de informação e comunicação dos produtores, distribuidores e consumidores. Há necessidade também de se estimular a ampliação de pontos de vendas e estabelecer certa padronização desses locais, bem como garantir o financiamento de investimentos no setor e estimular o consumo, dando maior visibilidade por meio da mídia. A montagem e execução de um programa
para o desenvolvimento sustentável do setor com base em projetos estaduais e aporte de recursos externos, poderá imprimir maior dinâmica ao processo de expansão da floricultura nacional.

A produção mundial de flores ocupa uma área estimada em 190 mil hectares, movimenta valores próximos a US$ 16 bilhões por ano na produção e cerca de US$ 44 bilhões por ano, no varejo. Cresceu 10% ao ano durante a última década do Século XX (Lima, 2005) e está se tornando um segmento econômico de grande importância na visão da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesse novo século, o crescimento mantém-se em ritmo menor, apesar do registro da queda anual de 4,5% em 2001 (CBI News Bulletins, 2004).
O mercado dos produtos da floricultura está segmentado em quatro grupos: bulbos, mudas, flores e folhagens. Têm-se ainda plantas vivas, em vasos ou de raiz, para fins ornamentais.
Quanto à adaptação climática, as plantas são subdivididas em dois grupos: as de clima temperado e as de clima tropical.
As flores de corte constituem o segmento mais importante do mercado de produtos da floricultura. Nos últimos anos, as plantas vivas vêm ganhando destaque e crescendo a taxas mais elevadas.
Segundo dados fornecidos no Comtrade,1 o comércio internacional de produtos da floricultura atingiu, em 2003, valor recorde de US$ 9,4 bilhões. Entre 1999 e 2003, a taxa média anual de crescimento foi de 6%, e, entre 2002 e 2003, houve significante aumento no valor comercializado, chegando a 12% no grupo de flores cortadas para buquês, 8% no de folhas, folhagens e galhos, e 20% nos demais itens de plantas vivas (LAWS, 2005 apud KIYUNA, 2005c).
Em 2003, do total movimentado no mercado mundial, 42,8% do volume global de vendas corresponde ao segmento de flores de corte; 39,8% representam transações efetuadas com plantas vivas; 8,8% provêm de vendas internacionais de bulbos e 8,6%, os negócios realizados com folhagens (IBRAFLOR, 2005).
As flores tradicionais, de clima temperado, incluindo as rosas, são as espécies que mais se destacam no mercado mundial. O espaço das flores tropicais ainda é pequeno, mas vem crescendo,  conquistando novos consumidores e promotores. Além de apresentarem beleza e profusão de cores especiais, a flores tropicais somam outras vantagens, a exemplo de menor perecibilidade e maior resistência no transporte em grandes distâncias. O mercado mundial de flores de clima tropical, isoladamente, movimenta apenas US$ 400 milhões de dólares por ano (OPITZ, 2005), podendo triplicar esse montante até 2010.
O mercado internacional de plantas ornamentais é altamente competitivo e relativamente concentrado em alguns grandes produtores. O comércio mundial de produtos da floricultura é dominado pela Holanda e Colômbia, com respectivamente, 58,2% e 13,4% das exportações (estatísticas da FAO, 2004). Outros países com presença destacada são: Itália, Dinamarca, Bélgica, Alemanha, França,  Espanha, Israel, Estados Unidos, Canadá, México, Costa Rica, Equador, Peru, Chile, Zimbábue, Quênia, África do Sul e Austrália.

 

http://www.iica.org.br/Docs/CadeiasProdutivas/Cadeia%20Produtiva%20de%20Flores%20e%20Mel.pdf

 

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Cadeia produtiva de flores e mel / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura ; Antônio

Márcio Buainain e Mário Otávio Batalha (coordenadores). – Brasília : IICA : MAPA/SPA, 2007.

140 p. ; 17,5 x 24 cm – (Agronegócios ; v. 9)

ISBN 978-85-99851-21-0

 

1. Agronegócio – Brasil. 2. Política Agrícola – Brasil. 3. Frutas. I. Secretaria de Política

Agrícola. II. Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. III. Buainain, Antônio

Márcio. IV. Batalha, Mário Otávio. V. Título.

AGRIS 3307;9340

CDU 631.575