Produtivo

Mecanização permite avanço da cana no Centro-Oeste

24/09/13
Enquanto em São Paulo as usinas e fornecedores correm para garantir a mecanização da colheita antes do início do ano que vem, quando entra em vigor o protocolo que proíbe a queima da palha da cana no Estado, no Centro-Oeste a produção só tem crescido por causa da introdução das novas máquinas, segundo Ênio Fernandes, fornecedor e presidente da Associação dos Produtores de Matérias-Primas para as Indústrias de Bioenergia de Goiás (APMP). O estado possui quase metade (49%) da área plantada com cana da região, com 818 mil hectares, enquanto Mato Grosso (MT) possui 224 mil hectares e Mato Grosso do Sul (MS), 624 mil hectares, segundo a Conab. 

 

“O Centro-Oeste já iniciou o plantio de cana [com colheita] mecanizada. A nova fronteira já começou com planejamento para ser tudo mecanizado”, afirma Fernandes, que ressalta que “a região já é caracterizada pela forte mecanização nos grãos” .

Ele próprio já está implementando um plano de ampliação da área com cana no próximo ano. Após colher 477 hectares nó último ano-safra, Fernandes já aumentou a área em 45 hectares e pretende chegar em 700 hectares em março de 2014.

Segundo o produtor, uma máquina consegue colher o mesmo volume de cana que 85 trabalhadores braçais. “Se fosse para ter corte manual, teríamos que importar trabalhadores braçais, já que onde estamos localizados não é região tradicional de cana. A disponibilidade da mão-de-obra não é muito grande”, observou.

Fernandes destaca ainda que a topografia do Centro-Oeste, mais plana que São Paulo, favorece a adoção de máquinas.

O Mato Grosso do Sul (MS), que possui o maior índice de mecanização do País, com 611 mil hectares colhidos mecanicamente ante 650 mil hectares (94%), deve zerar a área colhida “no facão” em até duas safras, segundo o presidente da Associação dos Produtores de Bionergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Landa. “[A mecanização] facilitou a existência de grandes unidades produtivas e permitiu aumentar a escala.”

Perdas e ganhos

Apesar de garantir a expansão da produção e da área, a mecanização da colheita na Região Centro-Oeste tem tido um efeito colateral “natural”: a proliferação de ervas daninhas e insetos. Como a mecanização deita a palha no solo, forma-se uma camada quente e úmida sobre a terra que cria um ambiente propício para o aumento da infestação de pragas animais e vegetais.

Na região de Dourados (MS), o principal problema é a dispersão da mamona, que foi cultivada há alguns anos com objetivo comercial e depois abandonada. Com folhas largas, a planta cria sombras que impedem que a planta da cana absorva luz para fazer fotossíntese e ainda compete com ela pelos nutrientes e a água do solo. “As sementes que estavam lá quebraram a dormência e estão nascendo no meio da cultura [de cana]”, conta Caio Giusti, gerente geral de cana da Arysta LifeScience. Na região de Cuiabá (MT), tem ocorrido situação semelhante com a mucuna.

A situação é mais tênue em São Paulo, onde os produtores já utilizam mais doses de defensivos. “Estamos verificando, com a palha no chão, a incidência de mais fungos de solo e outros insetos. Mas os produtores têm entrado com pulverização costal e com avião”, afirma a vice-presidente da Organização de Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana), Maria Cristina Pacheco. Segundo o gerente da Arysta, o gasto com herbicidas dentro dos custos de produção gira entre 3% e 4%.

Outros problemas decorrentes da mecanização são compactação do solo, a perda de um corte de cana e a dificuldade do uso de máquinas em áreas com alta declividade, como Piracicaba, onde 35% da área não é mecanizada.

Além disso, o aumento dos custos de produção da cana-de-açúcar com as próprias colheitadeiras dificulta a permanência dos pequenos plantadores, que em São Paulo gerem 80% das propriedades canavieiras. “Algumas usinas já não estão querendo renovar contrato com áreas não mecanizáveis”, alerta Pacheco.

Por outro lado, o fim do trabalho no corte da cana é visto como um ganho. “O trabalhador hoje é mais qualificado e melhor remunerado”, ressalta Landa, que nega que tenha ocorrido desemprego no MS. “O número de vagas passou de 19 mil em 2005 para 30 mil agora”, atesta.

Fonte: DCI – Diário do Comércio & Indústria