Soja

Mato Grosso quer converter área de pastagem em soja

Com possibilidade de produzir até 50 milhões de toneladas de soja, o Estado do Mato Grosso aguarda decisão sobre novo Código Florestal para recuperar áreas – São PauloDe olho em novas ampliações de área, e uma produção superior à da Argentina, o Estado de Mato Grosso aguarda ansiosamente a votação sobre o novo Código Florestal. Além disso, o setor agrícola cobra uma solução definitiva para os problemas logísticos que dificultam o escoamento de carga.Com uma área de aproximadamente 6,4 milhões de hectares, os produtores de soja investiram, nesta ultima safra, cerca de R$ 131 milhões na conversão de 98 mil hectares de pastagens degradadas, em áreas saudáveis para o cultivo da soja. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), o estado possui atualmente 27 milhões de hectares de pastagens, no qual mais de nove milhões possuem todos os requisitos necessários para receber a soja. “Essa conversão foi responsável pela metade do aumento de 196 mil hectares na área cultivada com soja no estado. O restante foi por conta de expansões em áreas arenosas, que já foram usadas antes em outras oportunidades, comentou Glauber Silveira, presidente da Aprosoja.Para Carlos Favaro, diretor administrativo da entidade, o estado precisaria desembolsar mais de R$ 12 bilhões para converter os 9 milhões de hectares de pastagens em áreas aptas para a agricultura. Com isso Mato Grosso teria um aumento de 163% em sua produção de soja, suficiente para ultrapassar os montantes argentinos. “Podemos buscar esses R$ 12 bilhões necessários para fazer essas transformações, e com isso o Mato Grosso passará das 20 milhões de toneladas de hoje, vamos produzir 50 milhões de toneladas. Isso não é uma meta, é uma oportunidade, entretanto não sabemos quando isso vai acontecer”, afirmou ele.Favaro contou que duas barreiras impedem o estado de desenvolver maiores áreas de soja: o novo código florestal que, espera, será votado ainda este ano; e o sistema logístico da região, atualmente focado no modal rodoviário. No caso do código, a expectativa gira em torno do não reflorestamento de áreas já consolidadas para a agricultura e pecuária. “Precisamos de segurança jurídica, onde áreas consolidadas não precisarão ser reflorestadas. Somente a partir da votação do novo código, poderemos pensar em novas conversões de pastos”.Já em relação à logística, a situação é ainda mais grave. Segundo o diretor, a falta de ferrovias e hidrovias é um grande limitador para o escoamento de safras, dado que grande parte das exportações usam as rodovias, que além de serem muito concorridas e caras, ainda dependem da condição das pistas entre Mato Grosso e São Paulo. “As opções logísticas são muito restritas, não temos ferrovia ou hidrovias, o que encarece muito nosso produto dada as tarifas rodoviárias. O estado conseguiria muito mais retorno se pudesse escoar os grãos para portos do norte e nordeste. Com isso, iríamos gerar mais empregos e renda no estado”, disse Favaro.O diretor acredita que, caso isso tudo seja resolvido e os produtores reformem os 9 milhões de hectares para a soja, a pecuária nada sofra com isso. Entretanto Rogério Romanini, diretor de relações institucionais da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), comentou que com o atual estado de degradação das pastagens, o máximo de animais por hectare foi limitado a 1,1 animal. Ou seja, dentro dos 27 milhões de hectares de pastagens que o estado possui apenas os 28 milhões de bovinos existentes teriam espaço. “Nos dias de hoje essa tomada de 9 milhões seria um problema. A capacidade de gado que temos no estado é de 1,1 unidade animal por hectare, dado o estado de degradação de nossas pastagens”.Romanini aposta que o animal de confinamento será uma realidade mais rentável ao criador, dado duas situações: o custo para reparar os pastos, considerado muito alto; e a rentabilidade por hectare da soja, milho e algodão. “O pasto aqui não é tratado como lavoura, e agora o estado é lamentável. Com a conversão de pastagens em áreas para a soja não acredito em redução de rebanho, mas sim na forma que o produtor terminará o seu gado. Esse negócio de terminar o boi, a pastagem vai acabar, a tendência é terminar tudo em confinamento. É muita terra para pouco gado, e a rentabilidade com a produção de soja, cana, e milho por hectare é muito maior”, finalizou ele.DCI

Fonte: http://www.sindag.com.br/noticia.php?News_ID=2145