Raças Leiteiras

A escolha dos animais é de extrema importância para o sucesso do empreendimento, portanto torna-se muito importante a escolha de reprodutores e matrizes adequados para o sistema de produção escolhido.

As principais raças com aptidão leiteira são:

1. Saanen

Originária da Suíça, onde é criada principalmente na região do Rio Saanen, Cantões de Berna e Appenzell. Nesses locais a temperatura média anual é de 9,5°C. Sendo assim, a raça apresenta ajuste fisiológico para regiões de clima frio.

Apresenta alta produção leiteira e persistência da lactação. Devido à suas qualidades, vêem sendo usada para a formação e/ou melhoramento de muitas outras raças caprinas leiteiras. A fêmea é fértil, e geralmente apresenta dois cabritinhos por gestação. Apresenta boa adaptação ao regime de confinamento, mas devido à sua especialização leiteira é muito exigente quanto ao regime alimentar. É um animal de porte grande e pesado. A fêmea pesa de 45 a 60 kg e o macho 70 a 90 kg. A altura é de 70 a 83 cm nas cabras e 80 a 95 cm nos bodes. A pelagem é uniformemente branca, mas podem ocorrer pelagem de coloração creme. A produção média de leite varia de 2,5 a 4,9 kg e a lactação têm duração de 260 a 305 dias.

2. Parda Alpina

É originária dos Alpes europeus. A raça é de porte médio e bastante rústica. Apresenta como características principais cabeça triangular, orelhas eretas e curtas e porte médio. A fêmea pesa de 50 a 60 kg e o macho 70 a 90kg. A pelagem é parda, variando de claro acinzentado ao vermelho escuro. A produção média de leite varia de 2,0 a 4,0 kg e a lactação têm duração de 240 a 280 dias.

3. Branca Alemã

É originária do cruzamento de raças rústicas da Alemanha com animais Saanen. A cabra é de porte menor que a Saanen, apresentando uma alta produção leiteira e melhor conformação do sistema mamário. Para efeito de registro genealógico esta raça e a Saanen são consideradas as mesmas.

4. Parda Alemã

Originou-se do cruzamento de raças nativas alemãs com as Alpinas. Apresenta características parecidas com a raça Alpina, porém é mais robusta, pesada e compacta. O pêlo é de comprimento médio e sua coloração varia de castanho-claro ao vermelho escuro, podendo apresentar tons acinzentados.

5. Toggenburg

Originária da Suíça, através do cruzamento inicial da cabra fulva de Saint-Gall com a branca de Saanen. A fêmea pesa de 45 a 65 kg e o macho varia de 60 a 90kg. Apresentam pêlos longos de cor castanha, podendo variar de clara a cinza. Apresenta manchas brancas nas orelhas, no focinho e nos menbros (dos joelhos para baixo), além de duas faixas brancas na cabeça, que se originam próximo da inserção dos chifres indo até a boca. A produção média de leite varia de 2,0 a 4,0 kg e a lactação tem duração de 255 a 290 dias.

6. Anglo-Nubiana

Originária do cruzamento de raças Africanas com cabras comuns da Inglaterra (principalmente a Zaraibi e a Chitral). Após intenso processo de seleção obteu-se um animal com dupla aptidão, ou seja, pode ser direcionado tanto para a produção de corte, como para produção leiteira. Não é tão boa produtora de leite como as já citadas, mas seu leite tem maior porcentagem de gordura. É bastante difundida no Nordeste Brasileiro pelo fato de se adaptar bem ao clima semi-árido. São animais robustos e de porte grande. Apresentam pêlos curtos e finos, podendo variar de preto a branco, em todas as tonalidades. As fêmeas pesam de 55 a 65kg enquanto os machos de 70 a 95 kg.

A raça produz uma quantidade média de leite menor do que as raças Alpinas exploradas no Brasil e também apresenta um período de lactação mais curto. Porém seu leite possui maior teor de gordura em comparação as raças Alpinas.

Melhoramento Genético

Visto que não existe uma raça ideal, e sim tipos de animais mais adaptados para cada sistema de produção, o melhoramento genético se torna uma importante ferramenta no sistema de produção.  Para tanto, é importante explorar as diferenças genéticas entre indivíduos de uma mesma raça, com o intuito de obter animais de alta produção. Ou ainda, juntar características desejáveis de diferentes raças para a sua adaptação em diferentes regiões.

Na produção leiteira o melhoramento genético recebe enfoque especial, pois as principais raças com aptidão leiteira são originárias de países de clima frio. Para obter raças que se adaptem a regiões em que o clima se apresenta de forma diferente da original, torna-se necessário utilizar o sistema de cruzamento alternativo (uso de reprodutores de duas raças , visando conciliar suas características). A partir dessa sistemática desenvolveu-se na Alemanha a raça Branca Alemã, oriunda do cruzamento entre raças rústicas da Alemanha com animais Saanen.

No Brasil o melhoramento genético também busca aumentar a produção leiteira, e para tanto busca adaptar os animais às condições ambientais daqui. Com o cuzamento de raças rústicas com raças especializadas em produção de leite, além do fator climático busca-se o desenvolvimento de resistência do rebanho à doenças. Em resumo é um processo de seleção induzida, onde acasála-se os melhores indivíduos de uma determinada raça (ou de duas raças) para aumentar a frequência dos genes desejáveis, e como decorrência, eliminar as indesejáveis.

Os critérios de seleção dos melhores indivíduos para o cruzamento pode ser feito através dos caracteres fenotípicos ou através da seleção genotípica. A seleção genotípica é feita através do controle geneológico do rebanho. Os dados de produção dos filhos, de um certo reprodutor ou reprodutora, são comparados aos dos pais. Quando essa diferença é para a melhor, diz-se que o animal é melhorador e portanto a ampliação do seu uso no rebanho vai otimizar os resultados.

Ao selecionar indivíduos pora uso no melhoramento genético devem ser considerados diversos fatores. Os principais são:

-produção de leite;

-constância na lactação;

-facilidade de ordenha;

-porcentagens de proteína e gordura no leite;

-sanidade.

Fonte: http://projetosmultidisciplinares.pbworks.com/Ra%C3%A7as+%28Caprinos%29