Sanitário

Riscos das plantas tóxicas ao rebanho

As plantas tóxicas são muitas, e não existe tratamento específico para seus efeitos, muitas vezes, fatal. Confira os riscos da samambaia e de algumas outras plantas perigosas.

 

Riscos das plantas tóxicas ao rebanho
“Planta tóxica não é só a que mata, mas também a que provoca perturbações diretas ou indiretas na saúde do gado, muitas vezes, pouco associadas, como a ocorrência de abortos”. O alerta é dado pelo pesquisador Arnildo Pott, da Embrapa Gado de Corte, alegando que fome, superlotação, queimada, viagens e deficiências minerais levam os bovinos a ingeri-las, mesmo quando não são palatáveis. No Brasil, se calcula que existam mais de 90 espécies de plantas tóxicas que causam prejuízos em rebanhos bovinos.
Segundo os pesquisadores, muitas plantas são tóxicas só em determinadas regiões ou em certas ocasiões de seu ciclo vital. Daí exigirem atenção redobrada dos criadores, que devem estar atentos a efeitos envolvendo distúrbios no sistema nervoso e nos aparelhos circulatório, digestivo e muscular.
Dos animais, os bovinos são as principais vítimas das plantas tóxicas, pois sua gustação quase nula e sua rápida deglutição os impedem de rejeitar o que laçam com a língua. A digestão, muito demorada, também enseja maior possibilidade de absorção do tóxico. 

Segundo estatísticas, as intoxicações por plantas são agravadas nas secas, quando, pela falta de pastagem, os animais famintos comem com voracidade quase tudo que encontram.

A médica veterinária Renata Souza Dias observa que é comum nas fazendas leiteiras, no início do período da secagem, se deparar com piquetes que apresentam acúmulo de barro, cupins e capoeiras. “A falta de atenção com esses locais favorece o surgimento de plantas tóxicas. E a falta de informações quase sempre leva a hipóteses complexas em busca da causa dos quadros clínicos”, informa.
Algumas espécies chegam a causar controvérsias em seu diagnóstico, devido à semelhança com outras doenças tais como a leptospirose e a tristeza parasitária. Os componentes tóxicos variam de acordo com a idade e a parte da planta. A ocorrência de solos pobres em fósforo e arenosos favorece seu desenvolvimento.
A prática de queimadas favorecem a brotação, eleva sua toxidez e contribui para sua proliferação. Além de ingerida nos pastos, a samambaia pode estar presente em fenos contaminados e na cama dos animais estabulados, sendo que a planta mantém seus princípios tóxicos, verde ou seca.
Conheça algumas plantas tóxicas e suas reações
Samambaia 

É uma planta que vegeta em lugares de maior altitude em solos ácidos e arenosos, após derrubada de matas, nas beiradas de estradas e capoeiras. A samambaia é tóxica verde ou seca e tem poder cumulativo. Ela possui uma tiaminase do tipo I, que é metabolizada para outras substâncias como o fator de anemia aplástica, fenóis, tiazol, pirimidina, ácido cinâmico, chiquímico e fator determinante de hematúria. As intoxicações ocorrem mais quando os animais estão com fome, habituados a comer a planta, em fenos contaminados com a mesma, ou no caso de bovinos que recebem escasso material fibroso.

Sinais clínicos: Animais começam a apresentar pêlos arrepiados, perda de peso e andar cambaleante, tristeza, indiferença, hemorragias cutâneas e das cavidades naturais como boca e fossas nasais, edema de garganta, aumento da temperatura corporal. Também podem ser observados sintomas como anorexia, depressão, enterite, fezes diarréicas de cor escura e com coágulo de sangue, mucosas pálidas com petéquias, temperatura elevada, hemorragias no local de picada de insetos ou de agulhas.

Cicuta ou funcho-selvagem 

É uma planta perene, com 180 cm de altura, caule oco, recoberto com manchas púrpuras, folhas pinatipartidas, lembrando as de salsa. A planta é encontrada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os princípios tóxicos são os alcalóides (coniína, coniceína) voláteis.
Sinais clínicos nos bovinos: Dificuldade de deglutição, dificuldade de locomoção, incoordenação, tremores musculares, prolapso da terceira pálpebra, dificuldade respiratória, salivação, eructação intensa, regurgitação do conteúdo ruminal, movimento de pedalagem, abortos e nascimentos de bezerros com defeitos teratogênicos.
Cafezinho, erva-de-rato ou erva-café 

Uma das plantas tóxicas de maior importância no Brasil com ampla distribuição, exceto na região Sul, apresentando alta palatabilidade e elevada toxicidade com efeito cumulativo. É ingerida em qualquer época do ano, porém o número maior de intoxicações ocorre na seca, quando os animais penetram nas matas e capoeiras. O princípio tóxico é o ácido monofluoracético e a planta seca apresenta cerca de quatro vezes mais do que a planta verde.
Sinais clínicos: Desequilíbrio do trem posterior (os animais caem), tremores musculares, movimentos de pedalagem, dispnéia, membros distendidos, taquicardia, convulsão e morte; Os sinais aparecem em poucas horas após a ingestão da planta (5 a 24 horas) e apresentam um quadro superagudo (o animal pode morrer em 1 a 15 minutos).

Fedegoso
 

Planta causadora de miopatia e cardiomiopatia degenerativas em várias espécies. Esta leguminosa é encontrada nas pastagens ao longo de beiras de estrada, em lavouras, em solos ricos ou bastante fertilizados. As intoxicações ocorrem mais na época seca do ano quando os pastos estão secos e também pela ingestão de cereais e feno contaminado com sementes ou outras partes da planta. Os princípios tóxicos são o N-metilmorfoline e o Oximetilantraquinona.
Sinais clínicos: Diarréia com cólica e tenesmo em 2 a 4 dias após a ingestão, fraqueza muscular, ataxia dos membros posteriores e relutância em se mover. Mioglobinúria, decúbito esternal e lateral. Os animais podem adoecer mesmo após duas semanas de cessada a ingestão da planta.

 

 

 

Fonte: http://www.informativorural.com.br/conteudo.php?tit=riscos_das_plantas_toxicas_ao_rebanho&id=99