Sanitário

Manejo Dietético e Sanitário de Cães e Gatos

Alimentação

Até o desmame (ao redor da 6a semana de vida) a alimentação deve se basear, preferencialmente, em leite materno. Caso seja necessário pode se recorrer ao leite artificial (sucedâneo), administrando-o, à 37ºC, 6 vezes ao dia:

Sucedâneo para cães e gatos 200 ml de leite em pó integral (Ninho, Glória, etc.) 1 gema de ovo 1 pitada de sal 1 colher das de chá de óleo vegetal 1 colher das de chá de mel ou dextrosol 10 gotas de Kalyamon B12 ou Ostelin B12
* acrescentar 2 colheres das de sopa de água (no caso de cães), ou leite artificial pronto.

Quantidade diária requerida (ml)

Idade em dias % do peso corpóreo
3 20
7 25
14 30
21 40

Após a 3a semana de vida oferecer o leite artificial à vontade.

Após o desmame, deve-se, gradualmente, fornecer alimentação sólida, no mínimo 3 vezes ao dia. Após o primeiro ano de vida o animal deve receber pelo menos 2 refeições sólidas diárias.

O animal deve ter horários fixos de alimentação, evitando-se os alimentos entre as “refeições”.Os recipientes devem ser retirados nos períodos entre as “refeições” e ser higienizados adequadamente (evitar tigelas plásticas ).

Dieta básica após o desmame e quando adultos

Preferencialmente, deve-se oferecer rações comerciais, condizentes com a idade do animal, de marcas conhecidas, obedecendo-se as recomendações dos fabricantes quanto às quantidades a oferecer e modo de prepará-las.

A dieta caseira pode ser empregada opcionalmente, devendo ser formulada e orientada por Médicos Veterinários, para se obter o balanceamento dos nutrientes.

Para os gatos, como opção às rações comerciais, pode-se recorrer a carne de peixes, aves ou de bovinos e ao leite e derivados. Não se deve administrar as rações destinadas a cães e gatos e vice-versa.

Cuidados na alimentacão

Os cães e gatos alimentados com dieta caseira podem e devem receber óleo vegetal na alimentação.

Deve-se evitar a mistura de rações comerciais com alimentação caseira para não alterar o equilíbrio das dietas balanceadas.

Deve-se evitar o emprego de rações comerciais destinadas a outros animais (aves, porcos, etc.) já que estas têm constituintes indesejáveis para os carnívoros.

As vísceras (fígado, coração) são contra-indicadas na fase de crescimento e, principalmente, para gatos de qualquer idade. Vísceras, a exemplo do baço (“passarinho”) e dos pulmões (“bofe”) devem ser evitadas. Às “carnes especiais” antes de serem oferecidas devem ser averiguadas quanto às suas composições e procedências.

Algumas rações comerciais destinadas a gatos podem, eventualmente, desencadear, em animais predispostos obstrução urinária ou eliminação de sangue na urina. Procure a orientação do médico veterinário para a indicação adequada do tipo de alimento/ração.

Animais alimentados com rações comerciais devem ter constante acesso à água de bebida.

Deve-se evitar o oferecimento de ossos artificiais. O acesso constante a ossos grandes, de bovinos, como profilático da deposição de tártaro pode acarretar excessivo desgaste dentário ou fratura dental. É totalmente contra indicado o fornecimento de ossos grandes de aves e de suínos pela possibilidade de formação de fragmentos lacerantes e de obstrução intestinal, quando deglutidos.

Deve-se restringir o uso de cabeça e pescoço de aves na alimentação mesmo com cocção prolongada pelo possível desencadeamento de irritação da mucosa ntestinal.

Os cães da raça Dálmata, não devem receber alimentação baseada em grãos, frutos do mar, vísceras de bovinos e de aves, embutidos e vagens de leguminosas.

Deve-se evitar o preparo e estocagem de alimentos caseiros por muito tempo prevenindo-se assim a fermentaçao e a rancificação. Rações comerciais provindas de sacos úmidos e engordurados, ou com prazo de validade vencido, não devem ser administrados.

Não oferecer doces, balas, chocolates, farináceos, fubá, etc., embutidos (salsicha, presunto, salame, etc.) e patês, aos cães e gatos.

Higienização

Os carnívoros domésticos podem ser banhados, a intervalos mensais ou quinzenais a partir da 5a semana de vida, com água morna e corrente, nos horários mais quentes do dia, devendo ser bem enxaguados e secos.

E recomendável a proteção das orelhas antes do banho com tampões de algodão parafinado (adquiridos em farmácias de manipulação), que devem ser removidos após o enxague do animal.

Devem-se evitar talcos (pré ou pós-banho), sabões e xampús “especiais”, exceto quando indicados pelo Médico Veterinário. Usar sabões neutros de boa procedência.

Não se aconselha a secagem e a limpeza das orelhas com cotonetes, devendo-se, a intervalos regulares, proceder a remoção do cerume sob cuidados de Médicos Veterinários.

Não se esqueca da higiene bucal dos cães e gatos, procure a orientação do Médico Veterinário.

Deve-se evitar o uso de desinfetantes e de alvejantes, na água de banho ou de enxague e, mesmo, no piso de canís/gatís e em áreas de permanência dos animais.

O combate às pulgas é muito mais eficaz através de dedetização da propriedade associada ao uso de inibidores de crescimento das pulgas, devendo-se afastar os animais da habitação por, no mínimo, 48 horas.

Cuidados de ordem geral

Evitar viagens dos cães e gatos que não recebem o preventivo ao litoral, pela possibilidade de infestação por parasitas (Dirofilaria Immitis) que se alojam nos pulmões e coração, e que são transmitidos por mosquitos. Busque orientação do Médico Veterinário.

Gatos, parcial ou totalmente, brancos, não devem ser expostos a radiação solar sem o uso de fotoprotetores (aviados pelo Médico Veterinário e adquiridos em farmácias de manipulação).

Existem intervenções cirúrgicas que impedem a instalação de tumores de pele.

Sobre os anticoncepcionais: a castração ainda é o procedimento mais seguro e efetivo.

Vermifugação

Antes da cobertura de cadelas ou gatas, recomenda-se a execução de exame de fezes e a vermifuqação, com produtos específicos, sob orientação de Médico Veterinário. Alguns parasitas (tênias – Dipylidium caninum) transmitidos por pulgas, não são detectados no exame de fezes. Os exames de fezes são indicados pelo menos a cada 4 meses, no primeiro ano de vida e, a seguir, anualmente. O primeiro dos exames deve ser feito ao redor da 4a – 6a semana de vida. A vermifuqação deve ser realizada com produtos farmacêuticos e sob orientação do Médico Veterinário. As fezes principalmente aquelas de gatos, devem ser recolhidas e descartadas diariamente, em vaso sanitário, de preferência logo após a evacuação.

Acidentes (traumas, intoxicações)

Após traumatismos, procure imediatamente o auxílio do Médico Veterinário evitando o uso indiscriminado de anti-inflamatórios e/ou analgésicos, que podem agravar o quadro do animal.

Em casos de envenenamentos, procure imediatamente orientação do Médico Veterinário, trazendo, se possível, o produto tóxico.

Imunização

As principais infecções passíveis de serem previnidas, pela vacinação anual, pelo Médico Veterinário, são:

ESQUEMA DE VACINAÇÃO
 

INFECÇÕES IDADE (meses) dos CÃES IDADE (meses) dos GATOS
Cinomose 2, 3 e 4  
Hepatite infecciosa canina 2, 3 e 4  
Parainfluenza 2, 3 e 4  
Parvovirose 2, 3, 4 e 5*  
Panleucopenia   2, 3 e 4
Rinotraqueíte**   2, 3 e 4
Calicivirose**   2, 3 e 4
Leptospirose*** 2, 3 e 4  
Raiva*** 4  
Coronavirose 2, 3 e 4  

* A quarta dose é a critério do Médico Veterinário.

** Complexo Respiratório Felino

*** Doença transmissível ao homem.

Obs.: O esquema pode ser alterado e outras vacinas introduzidas, em condições específicas, de acordo com a indicação do Médico Veterinário.

Os cães que não foram amamentados ou que sofreram desmame precoce podem, a critério do Médico Veterinário, iniciar o esquema de vacinação antes dos 2 meses de idade.

Universidade de São Paulo
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia

 

Fonte: http://www.usp.br/fmvz/t_hovet1.htm