Sanitário

MANEJO SANITÁRIO DE BEZERROS LEITEIROS: RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS

INTRODUÇÃO

 

Dentro de um Sistema de produção de bovinos leiteiros, o produtor necessita associar fatores como genética, nutrição e sanidade para a obtenção do potencial máximo de produtividade dentro de sua propriedade. De nada adianta a fazenda apresentar um plantel com genética e fornecer alimentos em quantidade e qualidade se o produtor descuidar do manejo sanitário do rebanho, ocasionando assim o retardamento ou até mesmo impedindo que o animal expresse todo o seu potencial de produtividade.

 

O período que compreende do nascimento a desmama é a fase mais crítica na fazenda, quando a taxa de mortalidade poderá ser elevada se o produtor não tomar o devido cuidado no manejo sanitário do rebanho.

 

Dentre os cuidados na criação de bezerros leiteiros, os seguintes fatores devem ser observados: cuidados com as vacas antes do parto, fornecimento do colostro, cura do umbigo, aleitamento e o fornecimento gradual de volumoso e concentrado para o correto desenvolvimento e funcionamento do rúmen.

 

CUIDADOS COM AS VACAS 60 DIAS ANTES DO PARTO

 

– Separá-la dos outros animais em piquete apropriado, contendo área para pastagem, sombreamento e cocho coberto;

 

– A vaca deverá se apresentar com ausência de lactação;

 

– 30 dias antes do parto a vaca deverá ser vacinada contra paratifo, onde produzirá anticorpos que serão transferidos para os bezerros através do colostro.

 

CUIDADOS COM OS BEZERROS NO PÓS – PARTO

 

– Logo após o nascimento, se necessário, realizar a limpeza da região da boca e nariz para retirada de muco, coágulos e restos de membranas fetais para que o animal possa respirar sem dificuldades;

 

– O bezerro deve mamar o colostro o mais rápido possível (antes de 6 horas de nascimento – 100 mL de colostro/kg de peso vivo nas primeiras 24 horas de vida). Deve-se acompanhar de perto este procedimento para certificação de que o animal realmente mamou o colostro;

 

– Deve-se realizar o corte (com uma tesoura limpa – deixar em torno de dois dedos abaixo da inserção do umbigo junto ao corpo do animal) e cura (álcool iodado a 10%) do umbigo. Caso seja necessário (principalmente na época das águas onde tem grande prevalência de moscas no estábulo/curral) pode-se utilizar um spray repelente de moscas;

 

– O tratamento do umbigo deverá ser feito de três a quatro dias. Caso tudo ocorra bem, o coto umbilical cairá dentro de nove dias após o nascimento;

 

CUIDADOS COM OS PARASITOS

 

– A primeira aplicação de vermífugo deverá ser realizado aos dois meses de vida. Este medicamento deverá possuir uma formulação para aplicação oral. Reaplicar o vermífugo após trinta dias. Após este prazo, reaplicar a cada 60 dias até completar um ano de idade;

 

– Observar dentro de um lote de bezerros se algum animal está com peso muito abaixo dos demais, falta de apetite, pêlos arrepiados, mucosas pálidas, bem como a presença de diarréia com sangue ou a presença de fezes de coloração amarelo-esbranquiçada – sugestivo de sinais de verminose;

 

– Após a entrada dos bezerros em piquetes, realizar um monitoramento da presença e da quantidade de carrapatos no lote;

 

– Tratar ferimentos externos com spray repelente de moscas para que não ocorram miíases (bicheiras).

 

VACINAÇÕES

 

– Brucelose → deve-se vacinar as fêmeas entre 3 e 8 meses de idade. Não revacinar;

 

– Leptospirose → 1a dose a partir do 4o mês de idade – repetir de seis em seis meses durante dois anos. Depois deste prazo a revacinação será anual;

 

– Febre aftosa → esta vacina deve seguir a campanha de vacinação local, de acordo com o calendário nacional – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

 

– Raiva → vacinar a partir dos quatro meses de idade, dose única. Revacinar anualmente;

 

– Clostridioses → vacinar entre 6 e 12 meses. Reaplicar de seis em seis meses até completar dois anos de idade. Após dois anos de idade a revacinação deverá ser anual;

 

– Paratifo → vacinar entre 15 e 20 dias de vida.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O manejo sanitário de bezerros leiteiros deverá ser adotado em toda propriedade para que o produtor possa prevenir a entrada de possíveis doenças em sua fazenda, minimizando assim os custos e maximizando sua produção e conseqüentemente seus lucros. Procure sempre trabalhar em conjunto com um Médico Veterinário para que este possa avaliar e aplicar um programa de manejo sanitário dentro das particularidades de sua fazenda. A prevenção é sempre o melhor remédio!

 

Flávio Barros Sant´Anna

Pesquisador – EMBRAPA/CPAC

 

Fonte: http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=445&pg=2&n=2