Sanitário

Manejo preventivo reduz índice de hipocalcemia na pecuária leiteira

02/03/2018

Na produção de leite, o desafio metabólico é uma das principais preocupações dos pecuaristas. Mas o processo produtivo em si traz diversos pontos cruciais, e todos devem ser observados com cuidado e precisão para evitar a incidência de problemas no rebanho. Nesse cenário, o início da lactação é um dos períodos mais delicados e apresenta questões que devem ser resolvidas com agilidade para minimizar os custos e reduzir possíveis prejuízos.

A hipocalcemia, por exemplo, é um dos problemas recorrentes no início da lactação e o manejo correto é o que definirá o sucesso do tratamento contra a enfermidade. Conforme explica Marcelo Feckinghaus, especialista técnico da Ourofino Saúde Animal, no campo, foram muitas as tentativas de solucionar a doença com suplementação de cálcio durante o pré-parto. No entanto, sabe-se hoje que a prevenção não está relacionada ao aumento desse mineral, mas, sim, a uma restrição desse elemento na dieta anterior ao parto.

“Dessa forma, o animal consegue mobilizar de maneira efetiva e constante as reservas presentes no corpo, principalmente nos ossos, que são depósitos naturais de cálcio no organismo, por meio da ação de hormônios específicos”, orienta Feckinghaus. “Devido ao nível de produtividade e manejo nutricional das propriedades, a prevenção tem sido muito eficiente em reduzir a hipocalcemia nos rebanhos”, acrescenta o profissional da Ourofino.

A necessidade de cálcio é alta no organismo do animal. Segundo pontua Feckinghaus, somente para a produção leiteira, conforme dados da NRC (2006), são necessários 1,37 grama do mineral para cada litro de leite. Assim, os animais de maior produção serão os mais suscetíveis a apresentarem o quadro e, por consequência, terão uma necessidade maior de aporte do mineral durante o tratamento.

Por isso, quando detectada, a doença precisa de tratamento rápido e eficiente, pois a consequência máxima é o óbito do animal afetado, devido à falta de cálcio para contração muscular, que tem como consequência a falência do diafragma e, posteriormente, morte por asfixia.

“Quando falamos em tratamento, é óbvia a necessidade do aporte mineral via circulação direta – a via de eleição sempre será a endovenosa. Assim, o sucesso do tratamento é praticamente instantâneo, garantindo a sobrevivência da vaca”, diz o analista técnico. Porém, em alguns casos, o animal pode ter dificuldade na manutenção dos níveis de cálcio, apresentando um novo episódio de hipocalcemia nos dias subsequentes. Para tentar minimizar tais acontecimentos, o uso da via subcutânea é uma alternativa para manter a absorção de cálcio por um período mais prolongado, aumentando a eficácia e a manutenção do tratamento. Feckinghaus destaca que, “ainda levando em consideração a via endovenosa, a velocidade da aplicação interfere diretamente no resultado a ser obtido, pois se a solução for administrada rapidamente, aumentará a perfusão renal e, consequentemente, a eliminação do mineral sem qualquer absorção ou utilização metabólica eficiente”.

Outro ponto importante é a reposição dos níveis de energia. Em quadros de hipocalcemia, o animal apresenta um aporte energético substancial, comprometendo outros sistemas e órgãos. Desse modo, de acordo com o profissional da Ourofino, é necessária a reposição de glicose ou de seus derivados, para reestabelecimento da homeostase sistêmica.

Fonte: Agrolink