Manejo

Manejo de pragas na cultura da seringueira

As pragas mais freqüentes na cultura de seringueira são: percevejo de renda (Leptopharsa heve) e ácaros, subdivididos em microácaro Calacarus heveae e ácaro-vermelho
(Tenuipalpus heveae).

Segundo o doutor Marcel Tanzini, professor da Esalq/USP, a seringueira apresenta uma grande diversidade de espécies de ácaros, com grande número de espécies predadoras de ácaros fitófagos. Além disso, há a ocorrência natural de fungos patogênicos que podem
atacar e matar as espécies que danificam a seringueira.

Já os ovos do percevejo de renda podem ser parasitados e destruídos por uma pequena vespinha. Como a cultura ainda não é alvo de pulverizações intensas para o controle de pragas e doenças, esse ecossistema tem sido preservado.

O percevejo de renda pode ocorrer a partir do re-enfolhamento das plantas, apresentando acentuado crescimento populacional a partir daí, o qual é favorecido pela presença de umidade no ambiente. Grandes populações podem ser observadas nos meses de janeiro e fevereiro.

O seu ataque pode provocar o desfolhamento das plantas atacadas. Essas plantas poderão re-enfolhar, o que representa dois problemas: precisarão de mais nutrientes e energia para produzir folhas novamente, os quais serão desviados da produção de látex; poderão re-enfolhar em um período mais úmido, o que poderá facilitar a ocorrência de outras doenças que normalmente não são registradas em São Paulo, porque as plantas enfolham em um período
seco.

Neste caso está o fungo Microcyclus ulei, que ataca folhas novas em períodos úmidos. M. ulei é muito importante para a Amazônia, devido à maior umidade, mas não consegue se desenvolver no interior de São Paulo porque as plantas normalmente enfolham em período seco.

Os dois ácaros ocorrem no primeiro semestre, de fevereiro a junho, e provocam o desfolhamento precoce das plantas. Normalmente, diz a doutora Marineide Rosa Vieira, professora de Acarologia Agrícola da Unesp, Campus de Ilha Solteira, elas desfolham em julho, mas o ataque dos ácaros pode antecipar a queda de folhas para maio ou mesmo abril. Com menor quantidade de folhas as plantas terão uma redução na sua capacidade de realizar fotossíntese e como conseqüência a produção será reduzida.

Prevenção em primeiro lugar

Na expansão da seringueira, Marineide Vieira acha interessante e importante que os produtores evitem a instalação de grandes áreas de monocultivo e preservem áreas com vegetação nativa entre os cultivos de seringueira, para possibilitar a existência de locais de refúgio para os inimigos naturais, que podem auxiliar no controle das pragas. O aumento da área cultivada fatalmente representará aumento dos problemas fitossanitários.

A professora conta que uma equipe de pesquisadores do Campus de Ilha Solteira fez um trabalho no município de Reginópolis (SP) com o clone PB 235, no ciclo 2002/2003, com o objetivo de gerar informações pertinentes à influência das pragas da produtividade da seringueira. No experimento realizado, houve a ocorrência do ácaro vermelho a partir de dezembro e do Calacarus heveae a partir de fevereiro. Como conseqüência o desfolhamento começou em abril.

Os resultados obtidos demonstraram que houve redução na produção de látex a partir do mês de abril. “Considerando-se a produção total do período 2002/2003, houve uma queda de 10% na produção de látex. Mas esse resultado não é absoluto. Novos ensaios são necessários, com outros clones, principalmente com o RRIM 600, para que se possa afirmar com certeza o valor do dano. Nossa escolha pela área com PB 235 foi em função da maior ocorrência de ácaros que se observa nas áreas comerciais cultivadas com esse clone”, informa Marineide Vieira.

Para todos os problemas fitossanitários da cultura, ela considera importante que o produtor adquira o hábito de observar e fazer um registro escrito de todas as ocorrências, para possíveis comparações com anos anteriores e futuros. Isso deve ser feito talhão por talhão, anotando-se os sintomas observados, data em que começaram a ser vistos, intensidade do desfolhamento provocado, a produção obtida. Essas informações poderão ajudá-lo nos próximos ciclos. “Talhões que foram muito atacados neste ano deverão ser observados com maior cuidado no próximo ciclo”, alerta.

Ácaros

Monitoramento: Por enquanto ainda não há um plano de amostragem para uso de lupas de bolso. As informações que existem são para uso de equipamentos de laboratório que têm uma capacidade maior de aumento. Nesse caso, a professora da Unesp recomenda:

1. Avaliar 2% das plantas. De cada uma coletar duas folhas (com três folíolos) de pontos diferentes da copa.
2. No laboratório avaliar, para o micro-ácaro Calacarus heveae, duas áreas de um centímetro quadrado, uma de cada lado da nervura principal da página superior dos folíolos. Para o ácaro-vermelho, Tenuipalpus heveae, duas áreas de um centímetro quadrado na página inferior dos folíolos, sendo uma sobre a nervura central e outra sobre uma nervura lateral.
3. Nível de controle para o micro-ácaro: 0,5 ácaro/cm2.
4. Nível de controle para o ácaro-vermelho: 1,0 ácaro/cm2.

Percevejo de renda

Tanzini aconselha a seguir algumas medidas contra o percevejo de renda:

– Avaliar 5% das lantas; 1 ramo por planta; 1 folha com três folíolos por ramo;

– Nível de controle: 2 insetos por folíolo.

Segundo ele, o controle pode ser feito com produtos à base de fungos patogênicos, Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana, logo no início da ocorrência, utilizando-se o controle químico convencional caso seja atingido o nível de dois insetos/folíolo, por exemplo, o
imidacloprid.

Entretanto, à medida que o uso do controle químico for mais freqüente, fatalmente esse ambiente será afetado negativamente, com o registro de desequilíbrios ecológicos a favor das pragas.

Por isso, alerta Tanzini, a decisão pelo controle químico deve ser feita com cautela, nas áreas em que ele realmente é necessário. Ainda faltam informações técnicas suficientes para embasar de forma adequada essa decisão, mas diversos pesquisadores têm trabalhado para gerá-las.•

Revista Campo & Negócios, Ano VI, Nº69 – Novembro de 2008, p. 78 e 79

Autor: R. Campo e Negócios

Fonte: http://www.agr.feis.unesp.br/defers/noticias/index.php?idnoticia=1228050539