Soja

Manejo de plantas daninhas na cultura do milho safrinha ajuda a não infestar a safra da soja

A recomendação é que se utilizem conjuntamente diferentes práticas de manejo de plantas daninhas. Caso não ocorra o manejo, pode haver perda de produtividade do milho em torno de 10% a 80%

Embrapa Agropecuária Oeste

Durante o cultivo do milho safrinha, alguns cuidados devem ser tomados para que plantas espontâneas não se transformem em plantas daninhas, que competem com a cultura pelos recursos do ambiente. Como o nível de infestação durante a safrinha é geralmente menor que na safra principal, em que ocorre grande infestação, devido a ocorrência de temperatura e umidade favoráveis, alguns agricultores fazem um controle deficiente das plantas daninhas na safrinha, ou mesmo optam por não fazê-lo.

Isso pode acarretar competição das plantas daninhas não somente com a cultura do milho safrinha, mas futuramente com a cultura da soja na safra principal. O ideal é que o manejo seja realizado ao longo do ano, de forma contínua e integrada, para que as espécies infestantes não se proliferem, como explica Germani Concenço, pesquisador da área de manejo de plantas espontâneas da Embrapa Agropecuária Oeste – empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Caso o manejo não seja realizado, pode haver perda de produtividade do milho em torno de 10% a 80%.

É necessário ficar atento a um período no desenvolvimento da cultura chamado Período Crítico de Prevenção à Interferência (PCPI), em que a convivência entre as plantas daninhas e as da cultura trazem maior prejuízo à produtividade. Tecnicamente, o período em que a presença de espécies de plantas daninhas na lavoura tem o maior impacto sobre a cultura está compreendido entre 15 – 20 e 45 – 50 dias após a emergência do milho.

Por isso, para que a infestação por plantas daninhas seja menor no PCPI, o agricultor pode utilizar a dessecação química pré-colheita da soja, feita com herbicida de contato, como meio de iniciar a lavoura do milho “no limpo”, ou seja, o primeiro controle das plantas daninhas ocorre antes da semeadura do milho safrinha. É importante frisar que os herbicidas devem ser registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e nas secretarias de Agricultura.

O ideal é que o produtor faça prevenção e não espere que o nível de ocorrência de plantas infestantes esteja alto e as plantas em estádio mais avançado de crescimento, sendo forçado a utilizar herbicidas mais agressivos e doses mais altas, que afetam não só a planta daninha, mas também provocam toxicidade às plantas da cultura.

Para os produtores que não fizeram o manejo na pré-colheita da soja, também é possível fazer um controle no pré-plantio ou pré-emergência do milho, para iniciar a lavoura limpa. Durante o cultivo, caso ocorra infestação durante o PCPI, o controle químico deve ser planejado de acordo com a espécie daninha presente, nível de infestação e estágio de desenvolvimento da planta daninha e do milho.

“Existem herbicidas que são seguros para o milho somente em certos estágios do crescimento, e mesmo produtos que só podem ser usados em híbridos conhecidamente tolerantes, como é o caso do herbicida nicosulfuron. Os produtos e as doses devem ser específicos para cada situação”, ressalta o pesquisador.

A recomendação é que se utilizem conjuntamente diferentes práticas de manejo de plantas daninhas, evitando depender apenas do controle químico. Os principais são o preventivo, o biológico, o mecânico, o cultural e o químico, que associados impedem a ocorrência pontual de plantas invasoras, diminuem sua proliferação.

Os métodos químicos devem ser utilizados de forma pontual e específica no manejo de espécies que não foram adequadamente suprimidas pela integração dos demais métodos de controle.

A indicação é que o agricultor dê preferência a sistemas conservacionistas, como plantio direto, cobertura morta na entressafra, rotação e consórcios de cultivos e integração lavoura-pecuária, exemplos de manejo cultural. Dessa forma, evita-se a seleção de espécies plantas daninhas que se adaptaram bem a práticas de manejo aplicadas em determinada cultura, e se tornaram dominantes.

O fundamento do manejo cultural é utilizar as características das plantas da cultura e do sistema de cultivo para suprimir a ocorrência de espécies espontâneas. Por exemplo, manter a cobertura no solo ao longo da estação seca reduz muito o desenvolvimento das plantas daninhas e a infestação ao longo do ano, diminuindo dores de cabeça na safra subsequente.

A buva, importante espécie invasora da soja por ser resistente ao herbicida glyphosate, é altamente inibida pela presença de cobertura no solo na entressafra “Milho com braquiária é uma excelente opção de manejo cultural”, diz Concenço. Essa é uma técnica consolidada, desenvolvida pelo pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste Gessi Ceccon.

Manejo com herbicidas

Os produtores devem ficar atentos à tecnologia de aplicação no manejo químico. Dosagem inadequada do herbicida, pontas de pulverização desgastadas, assim como altura da barra e pressão do pulverizador incorretas, causam problemas. A velocidade do vento é outro fator que deve ser observado pelo produtor, que durante a aplicação deve estar entre 2 e 8 km/h. A temperatura do ar recomendada é entre 15ºC e 30ºC, com umidade relativa do ar superior a 60%. “O produtor precisa associar todos esses fatores.”

Fonte:  http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=53189