Pecuária

Manejo de pastagens pode aumentar produção de carne brasileira em 30%

02/08/2016

Técnicas eficientes de plantio nas pastagens melhoram a fertilidade do solo e a alimentação dos animais 

O Dia de Mercado da Pecuária de Corte, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (FAEAC), reuniu mais de 150 participantes, na última sexta-feira (29/07), em Rio Branco, no Acre. A programação do evento contou com palestras e debates sobre o atual cenário da bovinocultura de corte brasileira, principalmente na região Norte.

O presidente da FAEAC, Assuero Veronez, afirmou que, com 87% de área preservada, o Acre tem o desafio de aumentar a produtividade e o rebanho, sem ampliar os 13% de área disponível para produção. “Mesmo com um rebanho pequeno, nosso estado produz uma carne com alta qualidade. Precisamos investir um pouco mais em tecnologia para alcançar índices zootécnicos cada vez melhores”, disse Veronez.

Como produzir mais com menos; Melhoramento Genético – usando a genética para aumentar a produtividade e lucratividade dos rebanhos de corte; Manejo de pastagens e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF); Reprodução Bovina – estratégias para melhorar a eficiência reprodutiva em rebanhos de corte, e Mercado Pecuário 2016/2017 e os riscos para a rentabilidade na pecuária foram os temas das palestras apresentadas durante o evento.

Para discutir manejo de pastagens, o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Ademir Hugo Zimmer, listou técnicas eficientes de plantio em propriedades com gado a pasto. “A aplicação de técnicas e sistemas de plantio nas pastagens melhora a fertilidade do solo e é fundamental para obter rendimentos por animal e por área. Se o manejo for feito corretamente, a produção de carne brasileira pode aumentar em 30 a 40%”, explicou o pesquisador.

Existem várias tecnologias indicadas para cobertura e restauração de pasto. Para Ademir, a estratégia de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) tem sido uma boa opção em muitas propriedades do Acre. “O sistema une, em uma única área, a produção de grãos, fibras, madeira, energia, leite ou carne. Além de servir como manejo de pastagens, a técnica possibilita o aumento de produtividade e rentabilidade do produtor rural”.

O professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP), Pietro Sampaio, falou sobre o tema Reprodução Bovina – Estratégias para melhorar a eficiência reprodutiva em rebanhos de corte. De acordo com ele, as ferramentas de melhoramento genético precisam ser utilizadas para tornar o Brasil mais competitivo. “90% da pecuária não usa inseminação artificial, apenas a monta natural e os touros utilizados na monta não possuem avaliação genética.”, afirmou Pietro.

Melhorar a qualidade do bezerro desmamado e investir em inseminação artificial foram os pontos frisados pelo professor durante a palestra. Em sua opinião, a alta eficiência reprodutiva ao desmame e aumento de lotação de vacas por hectare são complementares para tornar a pecuária de corte atrativa frente às outras atividades agropecuárias.

O Dia de Mercado foi encerrado com a palestra do consultor da Agroconsult, Maurício Palma Nogueira, sobre os riscos para a rentabilidade na pecuária. Para ele, os objetivos do setor são: reduzir ao máximo o tempo para abate – que diminui significativamente os custos fixos e indiretos de produção, além de permitir maior rotatividade do capital; aumentar o peso final da carcaça – por permitir máximo aproveitamento do potencial genético do animal e diluir os custos do bezerro, melhorando a eficiência reprodutiva das matrizes (fêmeas).

O consultor também apresentou os resultados do Rally da Pecuária 2016, que percorreu mais de 60 mil quilômetros para levantar dados sobre estratégias nutricionais, o uso de insumos tecnológicos e comercialização de animais. Os estados visitados pela expedição foram Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Pará, Rondônia e Acre.

Fonte: Agrolink