Soja

Manejo de lagartas antes do plantio garante estande inicial da soja

Publicado em 17/09/2015

O Sistema de Plantio Direto (Plantio Direto) é uma ferramenta de manejo conservacionista na agricultura, principalmente hídrica, que teve grande desenvolvimento a partir da década de 1990 no Brasil substituído os métodos convencionais nos últimos anos. O mais importante nesse sistema de cultivo é a alteração na biocenose em que depois de estabelecido, seus benefícios se estendem não apenas ao solo e água, mas também ao rendimento das culturas e promove uma maior competitividade dos sistemas agropecuários.

A partir de então o rendimento e a área cultivada vêm aumentando continuamente fazendo do Brasil um dos principais produtores de alimentos no mundo.

Esse sistema intensivo é caracterizado pelas culturas da soja, algodão, feijão e milho, cultivadas em áreas extensas, às vezes irrigadas e sucessivas. Dessa maneira a frequente oferta de alimento propicia a ocorrência de surtos populacionais de insetos em curtos períodos. Entre outros aspectos geradores de pragas o que se acentua nesse modelo de agricultura é o de desequilíbrio provocado pelo uso excessivo de agrotóxicos em condições ambientais climáticas que têm gerado esse aumento de pragas no sistema.

Com a ocorrência contínua de culturas e plantas daninhas o manejo de pragas tem ocorrido durante todo o período em que tenha algum alimento para qualquer que seja a praga. Antes mesmo da semeadura já ocorre risco de perda da cultura por várias pragas na área. Portanto, o monitoramento deve ser realizado antes de eminente prejuízo, preferencialmente 20 dias antes da semeadura, pelo menos.

Portanto, o manejo de pragas na cultura de verão inicia-se por ocasião da dessecação da cobertura sendo comum na região do Cerrado o milheto, sorgo, braquiária ou plantas daninhas, por exemplo. Nessas coberturas podem estar presentes pragas como a Lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda), a Lagarta-eridania (Spodoptera eridania), a Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) e a Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon) que, se estiverem presentes e não forem controladas, poderão comprometer seriamente o estabelecimento inicial das culturas, quando causam redução do stand da cultura, cortando as plântulas recém-emergidas. Dessa maneira, torna-se importante táticas de redução populacional de pragas antes da emergência, caso a praga esteja presente.

A dessecação da cobertura, fazendo se mistura de tanque com inseticidas, tem se tornado prática comum e crescente na agricultura nacional. Os inseticidas mais utilizados pelos produtores rurais, em geral atendem ao requisito de menor investimento, sendo muito comuns os inseticidas com ação de “choque” os quais tendem a ser pouco seletivos a inimigos naturais. No entanto, novas moléculas tem proporcionado bons resultados na redução da população de lagartas no momento do estabelecimento das culturas. Na escolha do inseticida a ser utilizado deve-se ter em mente a condição em que a praga está na área e as características do inseticida. Para tanto deve ser consultado um Agrônomo qualificado na tomada de decisão, o qual definirá a melhor estratégia para a redução dos danos da praga no sistema.

Resultados interessantes têm sido observados na utilização de diamidas na proteção inicial das culturas quando adicionadas aos herbicidas no momento da dessecação antes da semeadura. As diamidas contrapõem Souza e Souza (2004) os quais mencionam a utilização de Clorpirifós na dose de 480 g ha-1 na proteção contra lagartas as quais têm ampla possibilidade de sobrevivência nos hospedeiros antes da semeadura de verão e terão a cultura como único alimento. Peixoto (2009) verificou a eficiência utilizando diamida+lambdacialotrina (7,5 g + 3,75g ha-1) na dessecação de milheto 10 dias antes da semeadura do milho de verão quando as pragas presentes eram Spodoptera sp e Elasmopalpus sp. Além da redução dos danos acima de 80% um aspecto importante foi preservação de inimigos naturais. Onde se dessecou utilizando o Clorpirifós (480 g ha-1) havia 3 vezes menos tesourinhas (Dermaptera) do que onde se aplicou diamidas. Então, a redução dos danos das pragas, em tese, não foi exclusivamente pela mortalidade provocada pelos inseticidas, mas também pela preservação das tesourinhas, um importante predador de lagartas no solo. O que se percebe é que a escolha do inseticida deve ser orientada em razão da eficiência e seletividade. Portanto a dessecação precede de monitoramento para definição da ação de controle e qual produto seria mais adequado para cada situação de cobertura e época.

Fonte: Syngenta