Manejo

Mancha Marrom de Alternária, uma opção de controle

Várias são as doenças que provocam danos à citricultura. Algumas mais antigas, outras mais recentes mas que, de qualquer forma, tornam maior o desafio no aumento da produtividade e redução de custos dos produtores. A Mancha Marrom de Alternária ou simplesmente Mancha Marrom, ganha destaque nos últimos anos, face aos danos provocados na produção de tangerinas. Conhecida até então no Estado do Rio de Janeiro, ganhou proporções após 2003, onde apareceu causando danos, nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O agente causal desta doença, o fungo Alternaria alternata f. cv. citri ,produz uma toxina específica (ACT) para tangerinas, tangores e tangelos, responsável pela necrose dos tecidos, onde o fungo passa a se desenvolver, não afetando laranjas doces, limões e limas acidas. A doença se caracteriza por manchas marrons escuras nas folhas (Figura 01), ramos (Figura 02) e frutos (Figura 03), nos quais algumas vezes se nota a presença de uma goma (Figura 04). Pode causar desfolhas intensas (Figura 05) , seca de ramos (Figura 06) e queda de frutos (Figura 07). Os frutos são suscetíveis à doença até 4 meses após a queda das pétalas. Estes sintomas que normalmente nas nossas condições, ocorrem em Murcott e Poncã, aparecem de 24 a 48 horas após a infecção, sendo condições favoráveis ao mesmo, temperaturas entre 20 e 27°C, altas umidades e pouca ventilação. O controle baseia-se basicamente no uso de fungicidas. Estudo visando identificar genótipos para possível utilização em cultivos comerciais, vem sendo avaliados em Capão Bonito- SP, na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento do Pólo Regional do Sudoeste Paulista, da APTA/SAA, sob coordenação de Centro APTA Citrus Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico de Cordeiropolis- SP. Para o controle químico, deve-se conhecer o histórico da área, condições ambientais e tipo de fungicidas a serem empregados. Para melhor eficiência devem-se harmonizar épocas e intervalos de aplicação, produtos e doses e estágios fenológicos da cultura. Existem vários fungicidas para o controle da Mancha Marrom, destacando as estrobilurinas, cúpricos, ditiocarbamatos , triazóis e dicarboximidas. Os benzimidazóis não são eficazes no controle desta doença, podendo agravá-la se utilizados. Os fungicidas deverão ser aplicados durante o período critico de suscetibilidade, principalmente nas fases de inicio de brotações, florescimento e frutificação. Assim sendo, o controle deve ser preventivo e se basear num esquema de manejo. Com base nestas informações, a BASF através de seu Depto. Técnico, estudou algumas alternativas de manejo, as quais serão apresentadas abaixo, para que sirvam de ponto de apoio a produtores, consultores e técnicos do setor. Os manejos estudados se baseiam no fungicida Comet (estrobilurina), o qual se mostrou eficaz no controle desta doença, em ensaios anteriores. O ensaio foi instalado no sítio São Francisco, município de Limeira-SP, propriedade do Sr Eduardo Bueno, em Murcott plantada em 1995, podada no ano anterior à instalação do campo. As aplicações se iniciaram no dia 14/10/2004, por ocasião do início das novas brotações, que em função da seca neste ano, se atrasaram, sendo utilizado um atomizador, com uma vazão de 5,2 litros de calda por pé. As pulverizações se sequenciaram, obedecendo a um esquema de manejo previamente determinado, conforme Quadro I. As avaliações dos resultados foram efetuadas por ocasião da colheita, onde se coletaram 200 frutos por tratamento (50 frutos/parcela). Estes foram separados em frutos sadios e infectados, sendo feito a pesagem e classificação de acordo com a Tabela 01: Foram também avaliados os números de frutos caídos por tratamento. Para tal foram feitas duas contagens, sendo a 1ª por ocasião do início de maturação e a 2ª na colheita. Os resultados são apresentados a seguir. Na Figura 08, são apresentados os resultados referentes aos pesos das frutas amostradas.). Com base na análise dos resultados obtidos, podemos concluir que todos manejos (tratamentos) estudados foram eficientes no controle da Mancha Marrom em Murcott, para as condições deste ensaio. Os produtos Comet, Cobox, Cantus, Dithane, Delan e Score nas dosagens estudadas, se prestam ao manejo da Alternaria alternata. Entretanto, os melhores resultados foram obtidos com os manejos (tratamentos) 02 e 04, destacando-se o uso de Comet com Assist na primeira aplicação, ou seja, no início das novas brotações, o que é de fundamental importância para redução do potencial de inoculo da área. Estes são resultados iniciais, que servirão como base para quem quer adotar um controle químico, não sendo uma recomendação ou posicionamento oficial da BASF, devendo-se prosseguir os estudos. Para melhor orientação, esquematizou-se abaixo, o manejo do tratamento 02, que foi o que apresentou os melhores resultados (Figuras 14 e 15).

Fonte:  http://www.agrofit.com.br/portal/index.php?view=article&catid=54%3Acitros&id=105%3Amancha-marrom-de-alternaria-uma-opcao-de-controle&option=com_content&Itemid=18