Suinos

Mais uma semana de pressão nas cotações do boi gordo, frango e suíno vivo

Publicado em 02/05/2016

Boi Gordo: Preços recuam de maneira gradual. Cotação em Araçatuba-SP e Barretos-SP é de R$154,50 e R$153,50, respectivamente

Por Juliana Serra, médica veterinária da Scot Consultoria

Mercado do boi gordo com pouca movimentação em São Paulo nesta sexta-feira.

Nas praças de Araçatuba-SP e Barretos-SP, a arroba do macho terminado está cotada em R$154,50 e R$153,50, à vista, respectivamente.

Alguns frigoríficos têm oferecido preços abaixo da referência, porém o mercado não evolui nos valores mais baixos.

Contudo, os preços têm recuado de maneira gradual, diante do aumento gradativo da disponibilidade de boiadas.

As indústrias paulistas têm buscado animais terminados em outros estados. As programações de abate atendem cerca de cinco dias.

No balanço geral do levantamento, das trinta e uma praças pesquisadas pela Scot Consultoria, houve queda em oito para o boi.

As recentes desvalorizações da carne também vêm colaborando com o cenário de pressão baixista para os animais terminados.

Frango Vivo: Por mais uma semana, cotações cedem em cinco praças de comercialização

Por Sandy Quintans

Por mais uma semana, o mercado de frango vivo encerra a semana com perdas em grande parte das praças de comercialização. Nesta sexta-feira (29), os preços em São Paulo voltaram a ceder e fecha o dia com cotação de R$ 2,50/kg. Em Minas Gerais, as cotações seguem acomodadas em R$ 2,35/kg, após as baixas do início da semana.

De acordo com informações do analista da Safras & Mercados, Fernando Henrique Iglesias, o aumento  da oferta de animais é o maior fator de pressão neste final de abril. “A procura foi bem efetiva, tanto no mercado doméstico quanto no externo. O problema é que novamente o setor enfrentou um quadro de excedente de oferta, fator que acabou contribuindo para a queda nas cotações”, explica.

O boletim do Cepea desta semana também aponta o crescimento na oferta, o que fez com que preços caíssem tanto no atacado quanto nas granjas. “Segundo pesquisadores do Cepea, mesmo com a demanda enfraquecida do atacado, a oferta de animais para abate continua maior que a procura”, aponta o Centro.

Um dos fatores neste aumento na oferta no cenário doméstico está atrelado ao aumento no abate de matrizes de corte e descarte, segundo aponta Iglesias. “Vemos, por exemplo, que o Paraná está disponibilizando seus excedentes de produção em mercados como São Paulo e Minas Gerais, o que tem deixado o setor bastante fragilizado”, comenta o analista.

Com isso, os preços tiveram mais uma semana de cotações em baixa, quando reajustes positivos eram necessários para ajustar margens do mercado. O levantamento semanal realizado pelo Notícias Agrícolasaponta que Minas Gerais foi a praça com maior queda na referência de negócios – assim como na anterior. Na praça, as cotações cederam 6% e fecha a semana a R$ 2,35/kg.

Em São Paulo, as perdas também foram expressivas, caindo 3,85% na semana. O que levou a referência de negócios para R$ 2,50/kg. Santa Catarina e Paraná tiveram baixas ainda maiores, com perdas de 4% na semana e referência de R$ 2,40/kg.

Custos de produção

Por outro lado, pela primeira vez no ano, os custos de produção registraram baixa, segundo levantamento da Embrapa Suíno e Aves. O ICPFrango/Embrapa chegou a 214,78 pontos em março, o que representa uma queda de 4,48% em relação ao levantamento de fevereiro deste ano. Por outro lado, no acumulado do ano, a alta é de 21,41%.

A baixa no índice deste mês está ligada ao recuo de preços do farelo de soja, devido ao avanço da colheita da safra de verão. “Houve uma queda de 15% e 25% no preço (do farelo de soja), embora o milho tenha continuado aumentando”, disse o analista da área de socioeconômica e responsável pelos índices de custos de produção do CIAS, Ari Jarbas Sandi.

Apesar da queda no índice em março, o cenário ainda é preocupante. Um dos principais fatores no aumento dos custos nos últimos meses é a alta de preços para o milho, além da escassez na oferta do cereal. A Scot Consultoria aponta que a alimentação corresponde em até 70% no gastos dos avicultores nas granjas. Com isso, em um ano as cotações do milho subiram 73,6% em Campinas (SP).

Por outro lado, a consultoria aponta que a carne de frango apresenta melhor competitividade em relação a bovina. Enquanto há um ano era possível comprar 2,4 quilos de frango para um quilo de dianteiro bovino, atualmente é viável adquirir 2,29 quilos.

“Apesar do aumento dos custos de produção para o frango – o que pode contribuir para enxugar a oferta, em razão da rápida resposta da produção avícola –, a expectativa é de que a carne bovina ainda continue em patamares historicamente desfavoráveis frente à de frango”, explica a Scot.

Exportações

Os embarques seguem registrando ritmo positivo e deve encerrar abril com crescimento em volume. Apesar disto, o Cepea aponta que o bom desempenho nas exportações não deve ser suficiente para alavancar os preços no mercado interno.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), foram exportados até a quarta semana de abril 285,4 mil toneladas de carne de frango in natura. Com média diária de 19 mil toneladas, há um crescimento em relação ao desempenho por dia de março – de 13,5% – e acréscimo de 26,3% em comparação com dados abril de 2015. Em receita, a soma é de US$ 402,2 milhões, com valor por tonelada US$ 1.409,50.

Fernando Henrique Iglesias projeta que abril pode alcançar 380 mil toneladas. “Considerando as 285,4 mil toneladas de carne de frango in natura exportadas até a quarta semana do mês, é possível que o resultado final possa alcançar entre 360 e 380 mil toneladas, volume que, se confirmado, será bem favorável”, disse.

Suíno Vivo: Mercado enfrenta mais uma semana de pressão nas cotações

Por Sandy Quintans

Nesta sexta-feira (29), as cotações para o suíno vivo encerraram estáveis nas principais praças de comercialização. Apesar disto, o cenário é de preços em queda por mais uma semana consecutiva. Por outro lado, exportações continuam com ritmo positivo, o que pode ajustar estoques no cenário doméstico.

Aliás, o excedente na oferta de animais é um dos principais fatores de pressão para as cotações, segundo explica o analista da Safras & Mercado, Allan Maia. Além disto, a demanda também está enfraquecida, um reflexo da situação política e econômica.

“Havia uma expectativa de aquecimento na demanda interna e de melhora nas exportações, o que levou o setor a ampliar a oferta de animais. A exportação, por um lado, vem correspondendo, mas o consumo interno, por outro, permanece enfraquecido, o que ajuda a pressionar as cotações. Outro fator que prejudica o setor é a forte alta do preço do milho, que vem ocasionando um elevado custo de produção”, explica.

O boletim do Cepea aponta que atual patamar de preços nas granjas chegou ao pior resultado dos últimos quatro anos em termos reais em Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. As dificuldades não se limitam apenas nas cotações em queda, mas também na alta dos custos de produção.

“Nesse contexto, pequenos produtores independentes estão em uma situação mais delicada, pois arcam com a aquisição dos insumos”, apontam os pesquisadores do Centro.

Com isso, a Scot Consultoria aponta que o poder de compra dos suinocultores paulistas chegou ao pior patamar do ano.  Com a média de preços de R$ 58 por arroba em São Paulo, houve uma baixa de 1,7% no poder de compra nos últimos sete dias. “Atualmente, em Campinas-SP, é possível adquirir 3,85 quilos do grão com um quilo do cevado. Esta é a menor relação de troca observada desde o início deste ano”, aponta a consultoria.

Preços

O levantamento semanal de preços realizado pelo Notícias Agrícolas aponta que a maior queda foi registrada no Paraná. Na praça, a referência cedeu 5,92%, fechando a semana com cotação de R$ 2,86 pelo quilo do vivo.

Em Minas Gerais, a bolsa de suínos definiu negócios em R$ 2,25/kg – o que representa baixa de 2,99% –, deixando os suinocultores mineiros em um cenário ainda mais preocupante. “Nós estávamos numa situação ruim e piorou um pouco mais. A expectativa está na próxima semana, que devido ao dia das mães costuma ser uma boa semana e esperamos que enxugue o mercado”, explica o presidente da ASEMG (Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais), Antônio Ferraz.

Já em São Paulo, o cenário também é de perdas nas cotações. Na semana, a referência cedeu 1,56%, após a bolsa de suínos definir negócios entre R$ 58 e R$ 59/@  – o mesmo que R$ 3,04 a R$ 3,15 pelo quilo. “Este é o pior momento da suinocultura, custo de produção continua apertado e há um aumento do farelo de soja e milho, motivado pela escassez de chuva também colaboram para essa queda”, afirma o presidente da APCS, Valdomiro Ferreira.

No Rio Grande do Sul, a baixa registrada foi de apenas 0,32% na média de preços da semana. Segundo a pesquisa semanal da ACSURS (Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul), a referência de negócios passa a ser de R$ 3,07 pelo quilo.  Além da baixa, os custos de produção também registram alta. A média de preço pago pela saca de milho de 60 quilos passa de R$ 45,25 para R$ 46,50.

Exportações

Por outro lado, os embarques de carne suína in natura seguem registrando dados positivos, devido a valorização do dólar – que torna os preços mais atrativos no mercado internacional.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), até a quarta semana de abril foram exportadas 40,8 mil toneladas, registrando uma média diária de 2,7 mil toneladas.

Em comparação com os volumes diários de março, houve um crescimento de 5,5%, enquanto que em relação ao mesmo período de 2015, o acréscimo é de 51,3%. Em receita, os embarques chegam a US$ 75,9 milhões, com valor por tonelada 1.861,30.

Fonte: Notícias Agrícolas + Scot