Pecuária

Maior oferta de leite provoca queda dos preços e preocupa produtores gaúchos

10/11/2016

O incremento da taxa fotossintética aumenta a produção de massa verde e a oferta de pasto ao rebanho bovino leiteiro

Os dias com maior luminosidade e a boa umidade no solo propiciam condições mais adequadas de produção dos campos nativos, favorecendo a oferta de alimento para o rebanho e se refletindo no aumento da produção de leite. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, as pastagens apresentam bom desenvolvimento, principalmente se tratando de espécies perenes (tiftons, jeegs, aries, aruana e capim elefante, entre outras). O incremento da taxa fotossintética, favorecido pelas condições climáticas, associado ao manejo da pastagem (adubação e piqueteamento), incrementa a produção de massa verde e a oferta de pasto ao rebanho bovino leiteiro.

?Importante destacar que no ano de 2016 tivemos os melhores preços dos últimos anos, no entanto, a maior oferta de forragens aumentou de forma significativa a captação de leite pelas indústrias, que aliada a uma demanda retraída jogou os preços para baixo no terceiro mês consecutivo?, avalia o diretor técnico da Emater/RS, Lino Moura.

Em algumas regiões do Estado, os produtores que utilizaram as pastagens de inverno, como azevém, trevos e cornichão, atualmente em final de ciclo, conseguiram manter o estado corporal dos animais e evitar queda na produção. Em algumas propriedades terminou o uso da silagem que havia e os animais são mantidos em pastagem. Os produtores que utilizam o sistema de piqueteamento nas pastagens têm conseguido um melhor aproveitamento das forrageiras.

Como o cultivo do milho é importante para a obtenção de forragem para o gado de leite, alguns produtores ainda estão plantando milho para silagem, uns fazem cobertura de ureia e outros confeccionaram fenos de aveia e azevém, conservando assim a forragem na propriedade. Como a época é de vazio forrageiro, muitos produtores que não possuem pastagens perenes de verão estão tendo que aumentar o fornecimento de silagem ou rações para manter a produção. Já os produtores de leite à base de pasto que possuem planejamento forrageiro conseguem manter alta a produtividade no período, com baixo custo, praticamente eliminando o vazio forrageiro de primavera.

Apicultura – Com a floração das matas, campos nativos e demais culturas, os enxames apresentam ótimas condições sanitárias e de desenvolvimento. O aumento das temperaturas e da luminosidade intensifica a atividade das colmeias. Os apicultores intensificam as capturas de enxames, a instalação de caixas e colocação de sobre caixas nos apiários. A revisão dos enxames e a troca dos quadros de cera é outro manejo realizado com o objetivo de produzir abelhas operárias de maior porte e capacidade produtiva. A expectativa é de uma boa safra de mel, pois os enxames estão bastante populosos e temos muitas flores.

GRÃOS

A semeadura do milho já atingiu 85% da área prevista (805.646 ha), com boa germinação. Parte da área cultivada já está entrando na fase de floração (pendoamento) e as condições climáticas, como sempre, terão papel importante e decisivo para a definição da safra. Atualmente o potencial produtivo é muito bom. Em algumas regiões ocorreu maior plantio de área no cedo, em detrimento da safrinha, que deve ser ocupada com a cultura da soja.

Na soja, é intensa a implantação da lavoura. A boa umidade no solo e os dias ensolarados favoreceram a semeadura de soja, que já atinge 27% no RS. Muitos produtores gaúchos realizam a colheita de trigo e o plantio da soja em sequência. Em muitas áreas de lavouras é grande o volume de resíduo de palha das culturas de inverno, o que exige condições de umidade do solo mais baixas para a realização da operação de plantio.

A elevação das temperaturas também beneficia a implantação e o desenvolvimento do feijão 1ª safra. A implantação da lavoura se aproxima dos 70% no Estado, mantendo um pequeno atraso. Esse percentual, a partir do mês de dezembro, deverá evoluir, quando as áreas da região dos Campos de Cima da Serra iniciaram a semeadura. Até o momento, há baixa incidência de pragas e doenças nas lavouras.

O plantio do arroz atinge cerca de 75% da área estimada no Estado, que é de 1.094 hectares. Entre as regiões, a que está com atraso maior é a Central. As chuvas foram favoráveis para a germinação das áreas plantadas, porém, em alguns locais, o grande volume de chuva causou prejuízos, com rompimento de taipas e enxurradas, que arrastaram sementes e fertilizantes. Os produtores continuam com trabalhos de recuperação das áreas prejudicadas. A expectativa dos orizicultores é de uma safra melhor em função das previsões climáticas, podendo ocorrer aumento de área em alguns locais.

A colheita do trigo segue em ritmo acelerado, inclusive em decorrência da necessidade de abrir áreas para a implantação da soja. As produtividades se mantêm elevada, com produtores colhendo acima de 4.500 kg/ha em determinados talhões, não compreendendo a média das lavouras, que deverá ficar um pouco acima da incialmente estimada (2.215 kg/ha).

Pêssego ? No Norte do RS, a safra de pêssego encontra-se em plena colheita das variedades Peach e Premier, com produtividade batendo na casa das 7 toneladas por hectare. Está começando a colheita da variedade Chimarrita, com frutos de boa qualidade, em menor quantidade, mas com maiores tamanhos e mais doces.

Alho ? Na Serra, prossegue a colheita das variedades precoces da cultura, sendo levadas para os galpões para a devida cura. A qualidade do produto colhido se mantém boa, assim com o calibre dos bulbos. As demais lavouras se encontram em bulbificação, mantendo a sanidade das plantas. No momento, a principal prática cultural é o despendoamento, ou seja, o corte da haste floral, tendo como principais objetivos favorecer o enchimento do bulbo e evitar a perda de peso pelo seu desenvolvimento nos galpões, durante o período de cura. A divulgação dos preços praticados no Centro Oeste brasileiro, região grande produtora do bulbo, vem gerando uma atmosfera positiva junto aos produtores da região, criando perspectivas de valorização futura do produto.

Fonte: Emater – RS