Leite

Maior bacia leiteira do Estado

Crescimento
Maior bacia leiteira do Estado
São José do Rio Preto, 13 de setembro de 2009

  Thomaz Vita Neto  
Produção paulista cresceu, no ano passado, cerca de 3,1% em relação a 2007

Carlos Eduardo de Souza

O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados de São Paulo (Sindleite), Carlos Humberto Mendes de Carvalho, afirmou que a bacia leiteira da região de Rio Preto tornou-se a mais importante do Estado, deixando para trás o Vale do Paraíba que era, até recentemente, a principal produtora paulista. De acordo com Carvalho, o crescimento de áreas destinada ao plantio de eucalipto combinado com o valor da mão-de-obra contribuíram para a redução da produção leiteira no Vale. “Tem que concorrer com (salário de) metalúrgico, Embraer…” Segundo o Sindleite, o Estado de São Paulo é o maior consumidor de leite e derivados do País, consumindo entre 8 bilhões e 9 bilhões de litros com uma produção que gira em torno de 2,5 bilhões de litros.

Em 2008, a produção leiteira no Estado de São Paulo cresceu, segundo o Sindleite, cerca de 3,1% em relação a 2007. O crescimento vem sendo contínuo nos últimos dois anos, uma vez que os números apurados mostram que o setor fechou 2007 com o crescimento de 5,3% em relação a 2006, totalizando um crescimento acumulado de 8,5% na produção de leite neste período. Na Região Administrativa de Rio Preto, de acordo com dados do Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agrícola (Lupa), existem 3.657 propriedades que se dedicam à bovinocultura leiteira com um rebanho estimado em 126,4 mil cabeças. Carvalho afirmou que as perspectivas para 2009 e para os próximos anos são de crescimento contínuo em função da modificações na legislação tributária e a concessão de crédito outorgado de ICMS para o leite produzido no Estado de São Paulo, visando dar à produção paulista maior competitividade.

“A indústria láctea paulista quer aumentar sua participação nesse novo momento em que o setor lácteo observa um aumento no consumo interno e se apresenta como uma nova frente no agrobusiness para exportação.” Com isso, indústrias do setor preparam investimentos em plantas em algumas regiões como Araçatuba, Araraquara e também em Batatais, onde uma grande empresa leiteira mineira deve se associar a uma cooperativa agrícola para a produção de derivados de leite de maior valor agregado. Segundo dados preliminares do Sindleite, o crescimento do setor em 2009 não deve ser inferior ao 3,1% obtido no ano passado. Vale ressaltar que o Estado de São Paulo é responsável por cerca de 12% da produção do País, produzindo por mês perto de 200 milhões de litros de leite.

Para o diretor da Associação dos Produtores de Leite do Noroeste Paulista (Láctea Noroeste), Fernando Kachan, o crescimento em importância da bacia de leiteira da região é, antes de mais nada, natural e também uma consequência de alguns fatores como a profissionalização do setor. Kachan disse que a produção de leite sempre se afastou dos grandes centros. Além disso, a partir de programas desenvolvidos no Interior paulista, houve um aumento na produção leiteira em pequenas propriedades com adoção de técnicas simples de nutrição e manejo do rebanho e de pastagens. O diretor da Láctea Noroeste afirmou que os preços pagos ao produtor reagiram nos últimos meses, mas que uma análise detalhada demonstra que a indústria absorveu a maior parte do aumento de preços repassado ao consumidor do que os pecuaristas e o setor de varejo.

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