Macro e micronutrientes incrementam qualidade do látex

A seringueira é uma planta da Amazônia, região de solo pobre, o que a torna facilmente adaptável a solos de fertilidade não muito elevada. Comercialmente a adubação da seringueira é importante para melhorar o desempenho da produção de látex.

Uma planta exige todos os macro e micronutrientes. Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador aposentado do IAC, com especialidade em nutrição e adubação de plantas, Ondino Cleante Bataglia, um seringal com 20 anos de idade, por exemplo, precisa de mais de mil quilos de nitrogênio por hectare, 800 kg de potássio e 200 kg de fósforo, principais nutrientes contidos nos adubos.

A adubação é feita anualmente, dividida em duas ou três parcelas para melhor aproveitamento desses nutrientes, explica Ondino. “A seringueira tem a vantagem de um sistema radicular intenso, profundo e disperso no solo de modo que aproveite bem a adubação. Mesmo que haja chuvas e lixiviação de nutrientes, a seringueira não os perde”, completa.

CUSTO X BENEFÍCIO DE UMA BOA NUTRIÇÃO

Supondo a aplicação de 01 kg de adubo por planta, o custo sairá em torno de R$ 1,50/planta, de modo que ela precisa produzir pelo menos 01 kg a mais de látex por planta para compensar essa adubação. “Uma boa seringueira normalmente produz 10 kg de látex por ano. Se com a adubação o produtor conseguir acrescentar 01 kg com essa adubação, já paga pela borracha produzida a mais”, garante Ondino Cleante.

O crescimento da planta e a qualidade do látex estão relacionados também à nutrição da planta. Alguns experimentos mostram que a aplicação de 100 kg de potássio, por exemplo, aumenta 400 kg de borracha por ano.

As principais respostas são obtidas a partir do potássio. Em solos relativamente pobres, à medida que a planta cresce, ela imobiliza o nutriente, que não volta para o solo. Ele fica na planta e por isso é preciso que seja reposto.

As plantas normalmente exigem uma série de nutrientes, mas a seringueira pela extensão do sistema radicular consegue mobilizar micronutrientes. “A seringueira sempre dá um jeito de buscar esses nutrientes na camada mais profunda do solo para se abastecer, mas os macronutrientes geralmente têm que ser repostos”, conta o pesquisador do IAC.

EVITE PREJUÍZOS

O erro mais comum cometido pelos heveicultores é não fazer a adubação. Como a seringueira é uma planta rústica, que de qualquer modo cresce e se desenvolve, o agricultor não aduba e então a árvore perde em tamanho de copa, com menos folhas para produzir látex. Outro erro frequente, na opinião de Ondino Cleante, é a falta de base técnica, como análise de solo e análise de planta, que são primordiais nesta cultura, como em qualquer outra, já que são elas que indicam os nutrientes que estão faltando ou sobrando.

Se há uma análise com teores de médio para cima, significa que o solo está bem suprido de nutrientes e a adubação pode ser reduzida ou eliminada. “A análise de folha, por exemplo, é uma checagem para saber se aquele solo está nutrindo bem a planta e raramente é feita pelo agricultor, primeiro porque a folha da seringueira é muito alta, o que dificulta a sua colheita, e segundo por falta de hábito. Grandes empresas comerciais possuem sistema de monitoramento que permite saber se há ou não necessidade de adubação”, comenta o pesquisador.

É importante que o agricultor conheça quais produtos está comprando e se são realmente necessários, porque o processo de vendas é muito forte e às vezes o agricultor compra o que não precisa e deixa de comprar o que é necessário.

Fonte: www.revistacampoenegocios.com.br

http://www.seringueira.com/br/macro-e-micronutrientes-incrementam-qualidade-do-latex/