Café

Levantamento inédito é realizado para calcular reflexos das emissões de gases do efeito estufa na cafeicultura

Estado de Minas

AGROPECUÁRIO
02/05/2011

Impacto do nitrogênio

PESQUISA

Estudo inédito pretende medir as emissões de gases do efeito estufa na cafeicultura. A Illycaffè em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da Universidade de São Paulo (Cena/USP) está pesquisando lavouras de três regiões mineiras produtoras de café com o objetivo de avaliar essas emissões. A análise, coordenada por Carlos Clemente Cerri, professor titular do Cena/USP e especialista em mudanças climáticas, está sendo desenvolvida em Minas, pelo fato do estado concentrar dois terços da produção de café do país, com suas 23,7 milhões de sacas produzidas em 2010, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As análises foram concentradas em Presidente Olegário (Café do Cerrado), São João de Manhuaçu (Matas de Minas) e Cabo Verde (Sul de Minas).

O principal objetivo do estudo é identificar os maiores focos de emissão, para que possam ser analisadas maneiras de amenizar os efeitos dos principais gases gerados pela agricultura no Brasil, entre eles: o CO2 (dióxido de carbono); o CH4 (metano) e o N2O (óxido nitroso).

Segundo os primeiros resultados da pesquisa, as principais fontes de emissão da cafeicultura estão concentradas no solo e nos resíduos decorrentes da atividade. A conclusão da primeira fase, realizada entre setembro de 2009 e agosto de 2010, mostrou que “o uso de adubação nitrogenada tem enorme impacto sobre as emissões da cafeicultura”. Segundo Cerri, esse tipo de fertilização libera N2O, um dos gases que mais contribuem para agravar o efeito estufa.

Nas Matas de Minas, 78% do total de emissões analisadas são provenientes do uso de adubos que contêm nitrogênio em sua composição. No Cerrado, o número atinge 75%. No Sul de Minas, os fertilizantes nitrogenados respondem por 50% das emissões na produção do café, já que “a região apresenta maior uso de adubação organomineral (mais indicada)”, lembra Cerri. Quanto ao uso do calcário, dos combustíveis fósseis e da eletricidade, a contribuição para o total de emissões é menor. Levando em consideração a intensidade das emissões em CO2 equivalente, o Cerrado lidera o ranking. Na região, são lançadas na atmosfera 4,95 toneladas de dióxido de carbono (CO2 eq) por hectare. Na Zona da Mata, são 2,83 toneladas. Já o Sul de Minas responde por 2,03 toneladas a cada hectare. Na segunda fase do estudo serão analisados outras formas de emissões.

Fonte: http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=39206&levantamento-inedito-e-realizado-para-calcular-reflexos-das-emissoes-de-gases-do-efeito-estufa-na-cafeicultura.html