Leite: recuperação do mercado ainda vai demorar

14/12/2017

No mês passado, o mercado sinalizava uma lenta recuperação nos preços pagos ao produtor rural, depois de seis meses de quedas decorrentes da redução generalizada de consumo de leite e derivados. O otimismo durou pouco: depois de 5,2% de reajuste nos preços de novembro, a previsão para este mês de dezembro é de 1,7% de redução.

Essa situação foi dimensionada pelo Conselho Paritário Produtor/Indústrias de Leite do Estado de Santa Catarina (Conseleite/SC), que esteve reunido nesta semana em Joaçaba para definir os valores de referência para o mês.

De acordo com projeção do Conselho, o leite entregue em dezembro a ser pago em janeiro pelos Laticínios terá uma redução de quase dois centavos/litro nos valores de referência.

Os valores projetados são os seguintes: leite acima do padrão R$ 1,1271/litro; leite padrão R$ 0,9801 e abaixo do padrão R$ 0,8910. Os valores se referem ao leite posto na propriedade com Funrural incluso.

Em novembro, a recuperação parcial de preço estava fundada na leve melhoria do consumo interno e na suspensão das maciças importações do Uruguai. O recuo deste mês de dezembro decorre do excesso de produção e do baixo consumo, reflexo da queda de renda do brasileiro.

Membro do Conseleite e secretário do Sindicato Rural de Chapecó, o produtor rural José Carlos Araújo aponta outra dificuldade para a melhoria de preços, neste momento: as indústrias estão fortemente estocadas e o consumidor, nesse período de verão, prefere outras bebidas, como águas saborizadas, refrigerantes e cervejas.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) espera uma lenta recuperação, mas, avalia que somente a retomada do consumo em grande escala irá recompor a rentabilidade da cadeia produtiva de lácteos.

EXPRESSÃO NACIONAL

Santa Catarina é o quarto produtor nacional. O Estado gera 2,9 bilhões de litros ao ano. Praticamente todos os estabelecimentos agropecuários produzem leite, o que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O oeste catarinense responde por 75% da produção. Os 80.000 produtores de leite (dos quais, 60.000 são produtores comerciais) geram 8,3 milhões de litros/dia, mas, a capacidade industrial está estruturada para processar até 10 milhões de litros de leite/dia.

Fonte: Agrolink