Pecuária

Leite Caprino: Um Novo Enfoque de Pesquisa

Um produto começa a se firmar e ganhar conceito como um alimento de valor na dieta do povo brasileiro. Trata-se do leite de cabra.

Arlindo Luiz da Costa
Embrapa Caprinos

Ele tem valor nutritivo e é conhecido, contendo os elementos necessários à nutrição humana, como Açúcar (Lactose), Proteínas, Gorduras, Vitaminas, Ferro, Cálcio, Fósforo e outros minerais.

O produto tem reação alcalina e dificilmente azeda no estômago humano, tornando-se assim um fator de alta eficiência no tratamento de cólicas em crianças. Sua digestibilidade é elevada e ocorre pelo tamanho reduzido e fácil dispersão dos seus glóbulos de gordura e pela sua proteína de coagulação que forma uma coalhada fina, macia e com perfeita digestão em um curto espaço de tempo.

A produção nacional diária de leite de cabra é de 22.000 litros, sendo a produção mensal de 660.000 litros e a produção anual de 7.920.000 litros. O potencial de demanda, mesmo se considerando que a clientela para o leite de cabra é formada por um público diferenciado é, com certeza, o dobro destes valores de produção, havendo, portanto, um déficit de oferta de 22.000 litros de leite por dia e 660.000 litros de leite por mês.

A região Nordeste produz diariamente 10.000 litros de leite de cabra, 45.4% da produção nacional. O Estado do Rio Grande do Norte é o principal produtor, com 8.500 litros-dia. No Estado do Ceará, a produção de leite diária chega aos 1.000 litros, sendo que a região Norte do Estado apresenta um potencial de produção de 400 litros de leite por dia.

A produção do Sudeste é de 12.000 litros, 54.6% de todo o leite de cabra que é produzido no País, e por apresentar uma cadeia produtiva organizada, com processamento industrial e a garantia de comercialização do leite e de seus derivados, o que garante a evolução do setor.

O leite de cabra aos poucos vai gerando emprego e renda nas propriedades rurais. O mercado está subdividido em venda de leite fluído (93%), venda de leite em pó (4%) e venda de queijos, doces e iogurtes (3%). O preço médio do leite in natura adquirido aos produtores é de R$ 0,70 e o leite pasteurizado chega aos varejistas com o preço médio de R$ 1,30 e chega aos consumidores a um preço médio de 1,80.

No Estado do Rio Grande do Norte, por exemplo, existe uma atividade organizada com 300 produtores em 33 municípios com produção diária de 8.500 litros de leite gerando ao todo 35.000 empregos e garantindo uma renda de um salário mínimo de R$ 180.00 por mês com a produção de sete cabras em lactação. Este leite esta sendo adquirido pelo Governo daquele Estado e distribuído para a merenda escolar e para crianças carentes já tendo contribuído para reduzir em 39% a mortalidade infantil naquela região.

Em atenção à importância do produto leite de cabra para a diversificação das atividades rurais, a pesquisa agropecuária, através da Embrapa Caprinos criou um Núcleo de Pesquisa que tem como tema central o agronegócio sustentável do leite caprino com qualidade, dando ênfase à produção, ao processamento e ao mercado, como objetivo geral contribuir para promover o desenvolvimento da cadeia produtiva da caprinocultura leiteira.

O Núcleo Temático de Pesquisa com leite de cabra já está em funcionamento e de inicio estão sendo desenvolvidas, a partir de demandas solicitadas pelos próprios produtores, três propostas de Pesquisa relacionadas com Biotécnicas de Reprodução em Pequenos Ruminantes Domésticos com Inseminação Artificial e Transferencia de Embriões, Sistemas de Alimentação para Cabras Leiteiras e Avaliação da Resistência a Verminose Gastrointestinal em Caprinos Leiteiros.

Apesar de ser recomendado por médicos e nutricionistas como uma opção de alimento que deve ser consumido por crianças alérgicas ao leite de vaca e por idosos, o leite de cabra deve ter seu uso orientado como um fator de elevado potencial nutritivo capaz de proporcionar à população em geral uma alimentação completa.

Espera-se, com mais essa ação, um aumento no consumo e um crescimento da produção de leite de cabra em nossa região, estimulando o setor de laticínios, aumentando o emprego e a renda, melhorando as condições de vida do homem do campo e reduzindo o êxodo rural.


Fonte: Portal do Agronegócio.

http://www.cabanhainvernada.com.br/index.php?option=content&task=view&id=162&Itemid=31