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Jovens transformam realidade econômica de povoado

Maceió (23/3) – Vinte jovens do povoado Chã de Jardim, no município Arreia, estado da Paraíba, passavam por dificuldades financeiras e, hoje, geram renda mensal de R$ 100 mil à comunidade onde vivem. A situação mudou quando eles, unidos, iniciaram projeto de aproveitamento das frutas que sobravam na região, transformando-as em polpa para vender na margem de rodovia. Com muito esforço e incentivo governamental o projeto cresceu de forma que atualmente emprega 40 pessoas diretamente e beneficia indiretamente as 200 famílias de Chã de Jardim.

Luciana Souza, 32, conta como tudo começou: “Muitas famílias de nosso povoado moravam no meio da Mata Atlântica. Lá criavam animais e plantavam algumas culturas. Com o passar do tempo as famílias cresciam e os espaços usados dentro da mata aumentavam. Mas o nosso território é o único remanescente de Brejo de Altitude. Então, o governo do estado da Paraíba, preocupado com a preservação da área, remanejou essas famílias para a margem da rodovia e orientou-as a viver da exploração do turismo, com a prática de trilhas guiadas”.

Mas o recurso proveniente desta atividade era pouco e as famílias passavam necessidade. Luciana Souza liderou um grupo de 19 jovens determinados que resolveu usar as frutas que sobravam da região para fazer polpa e vender na rodovia.

“Nós passávamos de casa em casa pedindo todas as frutas que sobravam e a comunidade doava. Fazíamos polpa e vendíamos na margem da rodovia. Nós também incentivávamos quem nos entregava as frutas com a doação de mudas e os próprios moradores foram aumentando sua produção. Um dos agricultores tinha três pés de acerola e hoje tem mais de 120. Tem coisa mais bonita que essa?”, questiona Luciana.

COOPERAR – Com o aumento da produção apareceram algumas dificuldades como o resfriamento das polpas e o transporte do produto. Luciana conta que em um dia foi necessário descartar toda a produção e, neste mesmo dia, teve a sorte de Roberto Vital, liderança do Projeto Cooperar, que é vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido (SEAFDS), passar em seu povoado e ver toda a produção no lixo.

“Vital parou o carro e tomou conhecimento de nossa história. Ele gostou da ideia e nos orientou até conseguirmos aprovação do projeto pelo órgão e pelo Banco Mundial. Com o financiamento da atividade e a parceria de outras instituições como o Sebrae nós crescemos e nos profissionalizamos. A nossa capacidade de produção atual é de 250 kg de polpa de fruta por dia, mas já estamos trabalhando para conseguir máquinas mais modernas que produzem dois mil quilos por hora”, fala emocionada Luciana.

Pensando no desenvolvimento do povoado, toda a matéria-prima utilizada na fabricação das polpas vem da própria comunidade e a clientela cresce a cada dia.

“Muita gente parava para comprar e perguntava se a gente tinha algum artesanato ou outro produto da região. Foi aí que pedimos na comunidade que quem tivesse alguma habilidade produzisse material e levasse para a loja. Começamos com cachaça e rapadura e hoje temos uma gama enorme de produtos que geram ainda mais renda. Dá orgulho de ver o esforço de cada um e o crescimento do negócio. Abrimos também um restaurante ao lado da loja e já atendemos cerca de 150 pessoas aos domingos. Estamos crescendo e desenvolvendo Chã de Jardim, pois toda nossa matéria-prima e força de trabalho é daqui”, afirma Luciana.

COOPERATIVISMO – Esse objetivo social de desenvolver economicamente o povoado levou a Organização das Cooperativas Brasileiras em Alagoas (OCB/AL) até a Paraíba para conhecer este e outros trabalhos promovidos pelo Projeto Cooperar.

“Os jovens cresceram muito e se tornaram um dos cases de sucesso do desenvolvimento da agricultura familiar na Paraíba. O nosso objetivo é trabalhar essas experiências positivas em conjunto com a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seapa) para fortalecer ainda mais o segmento em Alagoas”, explica a superintendente do Sistema OCB/AL, Márcia Túlia.

MEL – A superintendente visitou também uma Unidade de Extração de Mel no município de Mari e a Cooperativa da Agricultura Familiar (Coopaf), localizada em São Sebastião de Lagoa de Roça. Esta última inaugura no próximo mês uma indústria de beneficiamento de aves com capacidade de produzir 1000 frangos por hora.

“Foram experiências proveitosas. Elas sensibilizam o nosso olhar para apoiar projetos que muitas vezes já começaram e só precisam de um apoio para deslanchar”, pontua Márcia Túlia.

Fonte: Ascom Sistema OCB/AL