Soja

Irregularidade de chuva torna-se preocupação dos produtores de soja em Mato Grosso; La Niña finalizando

12/01/2017

A colheita da soja caminha para seu pico a partir da próxima semana

Além das pragas e doenças, como a mosca branca e ferrugem asiática, alguns produtores em Mato Grosso estão tendo problemas com a ausência de chuva. Segundo especialistas na área meteorológica, o fenômeno La Niña está finalizando e o clima deve ser de “neutralidade”, ou seja, pancadas de chuva de forma irregular. A colheita da soja caminha para seu pico a partir da próxima semana, bem como a semeadura do algodão e do milho segunda safra.

A última estimativa divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta para a soja uma previsão de 30,4 milhões de toneladas, enquanto para o milho segunda safra um volume de 25 milhões de toneladas e em algodão em pluma 985,6 mil toneladas.

Em Primavera do Leste os trabalhos de colheita da soja nos primeiros talhões ocorrem em áreas com pivô. São em torno de 20 mil hectares com sistema de irrigação no município. De acordo com o primeiro secretário do Sindicato Rural de Primavera do Leste, Fernando Cadore, a perspectiva é que a colheita na área de sequeiro (que não utiliza pivô) inicie na próxima semana.

Segundo Cadore, além das pragas e doenças, a preocupação dos produtores está sendo a irregularidade das chuvas. Ele comenta que há localidades com cerca de 15 dias sem chuva. “Chove em uma propriedade e na outra não ou numa mesma propriedade chove em um talhão e em outro não. São casos isolados, mas que podem prejudicar a soja que está em fase de preenchimento de grãos. Ainda não podemos dizer se haverá ou não perdas de produtividade”.

O agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos, pontua que esse padrão de chuvas irregulares deverá seguir pelos próximos 15 dias, aproximadamente. “Final de janeiro e meados de fevereiro esse padrão de irregularidade muda. O fenômeno La Niña está finalizando. Tudo indica que entraremos em fevereiro em clima de neutralidade”.

Marco Antônio, em entrevista ao Agro Olhar, explica que no fenômeno La Niña as chances de invernada (chuvas frequentes) é maior, enquanto no clima de neutralidade são pancadas de chuva de forma irregular. “O sistema com chuvas irregulares para a colheita é bom, porque o produtor consegue avançar em tal trabalho. O ruim é para a fase de desenvolvimento das culturas”.

Câmbio

Outra preocupação dos produtores mato-grossenses é quanto ao câmbio, uma vez que o custo da produção foi fechado com uma taxa cambial na casa dos R$ 3,61 e hoje o dólar está cotado em R$ 3,17.

Fonte: Olhar Direto