Inverno positivo para milho e trigo

A diversidade dentro do sistema de produção é muito importante para manter níveis satisfatórios de produtividade. O produtor rural deve ficar atento à estabilidade do sistema de produção, procurando explorar ao máximo o potencial das alternativas de plantas que estão a disposição da agricultura. A cultura do trigo, por exemplo, a cada safra de inverno vem recuperando espaço na preferência dos cooperados Coamo, por vários fatores. Entre eles está a importância econômica do cereal e a viabilidade para o sistema de rotação de culturas. Outro fator levado em conta, e não de menor importância, é a resposta positiva ao investimento tecnológico.

Na região Centro-Oeste do Paraná o trigo é apontado como a principal opção de inverno. Na fazenda Paraíso, de propriedade da família Ferri, de Campo Mourão, o cereal foi semeado em 71 alqueires. Os cooperados Moacir José, Moacir Juliano e João Ferri, lembram que o trigo entra no esquema de rotação e ajuda a manter o solo equilibrado.

Ele esclarece que a falta de chuva verificada neste inverno atrapalhou um pouco a produtividade, mas o resultado não foi ruim. A média na propriedade foi fechada em 111 sacas por alqueire. “Poderia ser melhor, mas mesmo assim é uma boa média se associarmos a geada de maio e a falta de chuva que atingiu a lavoura neste ano. A seca atrapalhou um pouco o desenvolvimento da planta na fase inicial, mas o retorno ainda foi significativo”, justifica.

Segundo o cooperado a receita para o sucesso da sua lavoura, mesmo com as dificuldades, foi uma somatória de fatores, que vai desde a utilização de variedades apropriadas, até a boa adubação, rotação de culturas e controle fitossanitário, entre outros. “Nos anos de clima bom a diferença não aparece, mas quando o clima não ajuda fica evidente que o pacote tecnológico é quem determina a produtividade da lavoura”, explica Ferri.

Na verdade o cultivo do trigo é uma tradição levada a sério pela família Ferri. Não importa a situação de mercado do cereal, no inverno ele ganha espaço na propriedade. O fato é que mesmo diante dos riscos, por razões climáticas, e até de comercialização, os Ferri apostam na cultura, considerada por eles fundamental para o sistema de produção.

Sem chuva, qualidade aumenta

Com autoridade de quem sabe o que está falando, o cooperado Claude Likes, que tem formação acadêmica em engenharia agronômica, observa que o clima seco deste inverno acabou contribuindo para aumentar a qualidade do trigo. Optante da Coamo em Campo Mourão, ele, a irmã Ariely e o pai, Sidinei Likes, cultivaram 268 alqueires do cereal nesta safra, na propriedade localizada na região de Campina do Amoral.

Mas não foi só a qualidade do cereal que agradou os Likes neste ano. Mesmo com a falta de chuva as médias na fazenda foram fechadas com 115 sacas por alqueire. Nem mesmo a geada, que segundo o produtor atingiu mais as áreas localizadas nas partes baixas, foi tão prejudicial como se imaginava. “Penso que vamos conseguir ganhar dinheiro com a lavoura de inverno neste ano. O clima seco acabou elevando o pH da cultura e a qualidade está muito boa, sem contar a produtividade que também não foi ruim”, comemora.

Likes explica que o trigo é uma cultura que não sente tanto a falta de chuva, dependendo da fase em que ocorrer o déficit hídrico e, se não chover também na colheita, como aconteceu neste ano, a qualidade é garantida. Contudo, para chegar nessa produtividade, o pacote tecnológico adotado pelos Likes não deixou a desejar. Tanto que a soja (cultura que vai ocupar entrar na área de trigo) vai ser semeada sem a utilização de adubo na base. “Procuramos investir o necessário, com boa adubação e tratamento fitossanitário. Desta forma estamos conseguindo manter a cultura ano a ano e tirar o máximo de proveito dela. Como fizemos uma adubação pesada sobre do trigo, a soja será semeada apenas com cloreto de potássio em cobertura, já que temos um solo bem equilibrado”, comenta.

Os Likes podem se dar ao luxo de plantar soja sem a utilização de adubo na linha, em razão do grande equilíbrio químico encontrado no solo da propriedade. Na verdade, é uma aposta na qualidade do terreno, garantida pela construção de uma fertilidade que vem sendo feita há anos, e não do dia para noite.

Do ponto de vista econômico, o trigo é a melhor opção para o cultivo de inverno, e também cumpre uma função social dentro da propriedade dos Likes, trazendo vantagens para o sistema de produção. “Ele agiliza o plantio direto numa forma barata de conservação e melhoria de fertilidade do solo, sem contar os reflexos diretos para a soja, cultura que vamos semear nesta mesma área que estamos tirando o trigo”, completa.

Fonte: http://www.coamo.com.br/jornalcoamo/out07/agricultura.html