Instituto Florestal desenvolve projeto da seringueira na fabricação de móveis

Engana-se quem pensa que a seringueira só serve para fornecer látex, desconhecendo que a madeira desta árvore, de origem amazônica e nome científico Hevea brasilienses, é excelente matéria-prima para a fabricação de móveis. Irá se surpreender quem ignora que São Paulo é o maior fornecedor de borracha natural do país, responsável por cerca de 50% da produção nacional, concentrada no Polo da Borracha, na região noroeste do Estado, onde também se localizam os polos moveleiros de Votuporanga e Mirassol. A constatação destas realidades, com certeza desconhecidas por muitos, formaram os ingredientes básicos do Projeto “Disponibilidade da madeira da seringueira como matéria-prima para a confecção de mobiliário no Estado de São Paulo”.

Desenvolvido já há quatro anos pelo Instituto Florestal – IF, instituição vinculada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo – FAPESP, e tem entre seus objetivos a execução de um inventário florestal que quantifique e caracterize a madeira da seringueira e indique a predição da produção, necessária à sustentabilidade no abastecimento industrial. Conforme a equipe de especialistas do IF, a cultura da seringueira, enfrentando inúmeros desafios, está se estabelecendo como uma atividade lucrativa e sustentável, apresentando expressivo crescimento das suas áreas de plantio. Estabelecidos com o objetivo principal de produção do látex, classificado como um produto florestal não madeireiro, os seringais apresentam boas perspectivas como fornecedores de matéria-prima para o segmento de produtos de madeira sólida. De acordo com o IF, são conhecidas as características que a qualificam como excelente matéria-prima para diferentes finalidades, destacando-se móveis residenciais, de escritórios, móveis institucionais, escolares, médico-hospitalares, móveis para restaurantes, hotéis e similares, além de forros e escadas.

Para os técnicos, com a queda da produção do látex, após um período produtivo médio de 20 anos, há necessidade de substituição dos seringais, que no Polo da Borracha ocupam atualmente uma área de cerca de 80 mil hectares. Finalizado o ciclo de vida normal de 25 anos, portanto, haverá disponibilidade de madeira com perspectivas de uma renda extra ao produtor. Um ponto a ser considerado, segundo os estudiosos do Instituto, é a introdução de práticas silviculturais para a obtenção de toras de maior comprimento e sem “nós”, transformando o que atualmente constitui a “cultura” em “floresta de seringueira de uso múltiplo”, sendo o látex o principal produto e a madeira um produto decorrente, mas que poderá se tornar expressiva.

Para se ter uma idéia do mercado mundial que esse produto oferece, basta citar que a produção e exportação de mobiliário confeccionado com madeira de seringueira é atividade importante em diversos países asiáticos, como Malásia, Indonésia, Vietnã e Filipinas – onde foram introduzidas   sementes da árvore amazônica colhidas do Vale do Tapajós, no final do século 19, pelos colonizadores britânicos. Só a Malásia, com as exportações, fatura cerca de US$ 1 bilhão anualmente, enquanto um programa desenvolvido no Vietnã ambiciona alcançar num período de cinco anos exportações equivalentes a US$ 4 bilhões.

A fim de apoiar seus objetivos, o Instituto Florestal tem participado de workshops sobre as seringueiras, realizados pela Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha – APABOR, no interior do Estado, como aconteceu em Jales, em março último, e em Tanabi, agora no final de abril, com a apresentação do tema “Uso Potencial da Madeira de Seringueira”. O IF tem, ainda, aproveitado esses eventos para promover uma exposição de móveis de madeira da árvore, com mobiliário confeccionado pela equipe do Instituto, na Estação Experimental de Manduri, unidade de conservação localizada no município de Manduri, na região de Ourinhos.

As próximas palestras deverão acontecer em Macaubal, Presidente Prudente, Tabapuã e Barretos. São parceiros do IF na execução deste projeto, além da APABOR, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP, a Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário – ABIMOVEL, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo – SEBRAE/SP e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial/Centro Tecnológico de Formação Profissional da Madeira e do Mobiliário de Votuporanga – CEMAD-SENAI.

 

Fonte: http://www.seringueira.com/br/