Pecuária

Instituições criam a Rede de Inovação na Ovinocultura

13/01/2017

De acordo com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Marcos Borba, a criação da rede visa mobilizar os agentes diretamente envolvidos

Na última quinta-feira (12/01), diferentes instituições iniciaram a formação da Rede de Inovação na Ovinocultura, em reunião realizada na sede da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), em Bagé/RS. O objetivo com a criação da rede é unir esforços de entidades públicas e privadas, visando a implementação de ações para o desenvolvimento da atividade e para o apoio à organização da cadeia produtiva da ovinocultura no Rio Grande do Sul. Participaram dessa primeira reunião representantes da Arco, Embrapa Pecuária Sul, Emater/RS, Sebrae/RS, Secretaria Estadual de Agricultura, APL do Alto Camaquã, Senac/RS, Universidade Positivo, IFSul, Núcleo de Ovinocultores de Santa Vitória do Palmar, Sindicato Rural de Mostardas e Brastexel.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Marcos Borba, a criação da rede visa mobilizar os agentes diretamente envolvidos com a ovinocultura para desenvolver ações coordenadas e cooperadas em prol da atividade. “Queremos reunir forças e competências dessas instituições e dos produtores para definir um plano de desenvolvimento da ovinocultura que seja implementado de forma conjunta, com ações que levem a uma maior organização da cadeia”, ressaltou o pesquisador. A formação da rede é também uma ação do projeto Ovinosul, liderado pela Embrapa Pecuária Sul e que também objetiva a organização da cadeia produtiva.

Ainda nessa primeira reunião foi apresentado um diagnóstico do setor elaborado por diferentes instituições no último ano. Desse diagnóstico foram levantadas 12 linhas gerais de ação que visam o desenvolvimento da atividade, visando eliminar os gargalos em todos os elos da cadeia. Entre as linhas de ação que estão sendo propostas está um programa de capacitação técnica de produtores de ovinos, uma maior aproximação entre os elos da cadeia, ações do estado como maior fiscalização, a promoção da carne ovina, o apoio a associação de produtores, entre outros. Esse documento será entregue a Câmara Setorial de Proteína Animal, órgão vinculado ao governo do estado, para subsidiar políticas públicas para o setor.

Ovinocultura em Debate

Um dia antes da reunião, na quarta-feira, a Embrapa Pecuária Sul e a Arco promoveram a terceira edição do Ovinocultura em Debate, dentro da programação da Agrovino, com apoio do Sindicato e Associação Rural de Bagé e da Abaco. Entre os palestrantes, um dos destaques foi o chef de cozinha gaúcho radicado em São Paulo, Marcos Livi que apresentou as tendências do uso da carne ovina na gastronomia nacional, ressaltando que o “mundo está redescobrindo o fogo” com a intenção de evidenciar uma re-valorização das formas tradicionais de preparo da carne. No entanto, segundo Livi, percebe-se hoje um interesse crescente nos pratos feitos a partir de carne de cordeiro, mas critica o fato de que o mercado está dominado por formas de apresentação como o carré e a paleta. “Parece que a maioria dos cozinheiros acredita que ovinos são compostos apenas por carré e paleta”, comenta ao reforçar a ideia de que existe um grande mercado para a carne de cordeiro, mas que ela precisa chegar ao consumidor de outras maneiras, com cortes diferenciados e mesmo na forma processada. “A carne gaúcha não perde para nenhuma do mundo, pela sua forma de produção e sua qualidade. Falta um trabalho maior com o consumidor, mostrando essas qualidades”, disse.

Outra palestrante foi a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Élen Nalério, que apresentou alguns resultados do projeto Aproveitamento Integral da Carne Ovina (Aprovinos). Dentro do projeto foram realizadas pesquisas para aferir a percepção de consumidores em relação à carne ovina. Segundo alguns resultados, a carne ovina não é mais consumida por falta de conhecimento das pessoas e também pela forma de apresentação, geralmente em cortes grandes e congelados. “Existem oportunidades para ampliar o consumo de corte ovina, melhorando o acesso das pessoas e apresentando nos supermercados cortes porcionados. Além disso, difundir que existem muitas formas de preparar a carne, além do churrasco”. A pesquisadora apresentou ainda os produtos processados de carne ovina desenvolvidas no projeto, como presuntos crus e defumados, copas, patês, oveicon (bacon ovino), mortadelas e linguiças. “São formas de agregar valor à carne ovina, utilizando principalmente categorias animais pouco valorizadas, como de borregos e ovelhas de descarte.

Já o presidente da Associação para o Desenvolvimento Sustentável do Alto Camaquã (Adac), Mateus Garcia, apresentou o trabalho que vem sendo feito com produtores de ovinos de oito municípios. Segundo ele, a organização dos produtores possibilitou a criação de ferramentas que estão propiciando melhorar desde a produção animal até a comercialização. Em oito anos, a Adac criou uma marca coletiva – Alto Camaquã – com a qual está comercializando diretamente a carne de cordeiro. No momento, o produto está sendo vendido em feiras e exposições, como a Expointer, a Fenadoce e Expo Alto Camauã, mas a ideia é expandir para novos mercados a partir de parcerias com empresas frigoríficas. “A organização dos produtores proporcionou a busca de parcerias com instituições como a Embrapa e a Arco que estão possibilitando que o produtor tenha mais renda e permaneça na atividade”.

Fonte: Agrolink