Curiosidades

Inovação na agricultura

15/12/14 – 09:10
Benjamin Salles Duarte*

Inovar presume sucesso e se aplica à agricultura, indústria, ao comércio e aos serviços. Nos cenários de campo, onde se processam as mudanças tecnológicas recomendadas pela pesquisa agropecuária, as paisagens são muito diversificadas, inclusive em Minas Gerais, e somam-se as características climáticas, vocações regionais, os tipos de solos, relevos geográficos, níveis de tecnologias adotados, as singularidades do comércio por vias internas e presenças nas exportações do agronegócio, bem como o maior ou menor acesso dos empreendedores rurais às inovações e sem subestimar os papéis, entre outros, da televisão, do rádio e da internet como veículos de comunicação de massa de ampla magnitude geográfica. Num vasto elenco de atores públicos e privados, que atuam na agroeconomia mineira, se encontra também a assistência técnica e extensão rural exercida pela Emater-MG em 789 municípios do Estado.

São 551.617 estabelecimentos rurais, entre familiares, médios e grandes empresários, que produzem e ofertam não apenas alimentos, mas também energia limpa renovável, o que se configura perfeitamente alinhada com as exigências globais de reduzir o efeito estufa e suas presumíveis conseqüências na vida humana, biodiversidade e nas economias mundiais. Entretanto, nos limites da razoabilidade, é preciso entender que sem o gás carbônico (CO2) absorvido pelas plantas, especialmente as alimentares e sob a luz solar, não há o extraordinário fenômeno da fotossíntese, portanto, nada de alimentos. Essa é uma explicação bem simplificada.

Mas a agricultura brasileira, num contexto maior, está sendo convocada para novos desafios nesse viger do século 21 e sabendo-se, numa de suas vertentes, que a população rural está minguando numa perspectiva de tempo. Em Minas, apenas 15% da população total, estimada em 20,6 milhões de habitantes, vivem no campo e produzindo para consumo próprio, abastecendo o mercado interno e cumprindo os compromissos de exportações. Uma trilogia saudável e estratégica. Porém, os empreendedores rurais precisam ter ganhos para inovar nas culturas, criações e conservar os recursos naturais.

Há que se repetir, didaticamente, que o gosto do consumidor é soberano e o agregar valor aos produtos agropecuários implica também a sua qualidade nutricional, acessibilidade regular e preços. Os avanços foram significativos, mas essa obra está inacabada, pois ainda há muito espaço para ganhos de produção, produtividade e qualidade, em nível de campo, e suas conseqüências nos respectivos sistemas convergentes do agronegócio mineiro e brasileiro. Repita-se que pesquisa da Embrapa revela que o crescimento das safras agrícolas, com base no Censo Agropecuário de 2006, nacional, foi devido em 68% à adoção de tecnologias pelos empreendedores rurais, 22% pelo uso da mão de obra qualificada e apenas 10% devidos ao fator terra. O PIB do agronegócio estadual deve atingir R$ 159,2 bilhões em 2014 e as exportações, entre janeiro e novembro deste ano, já acumulam um superávit de US$ 6,9 bilhões, segundo dados da Secretaria de Agricultura de Minas, e numa economia claudicante como a do Brasil.

* Engenheiro agrônomo