Pecuária

Início do período chuvoso: Como agir para evitar a degradação das pastagens

Após um grande período de seca, o início da estação chuva se aproxima para grandes regiões do Brasil. Apesar da seca ocorrer constantemente todos os anos, ainda é muito comum a falta de alimentos volumosos na maioria das fazendas brasileiras.

A adoção de alternativas como a irrigação de pastagens, tem contribuído para a produção de forragem durante a entressafra, aumentando as taxas de lotação animal e a produtividade. No entanto, sabemos que esta realidade faz parte de uma pequena fatia das propriedades rurais e que na maioria das situações, a estacionalidade na produção de forragens e a falta de volumosos ainda são predominantes.

Então, com base no que foi dito, o início do período chuvoso só traria bons resultados. Certo? Não, errado!

Na verdade, quando um planejamento alimentar não é bem feito para atender a demanda alimentar durante a entressafra, o início do período chuvoso será um dos principais catalisadores para o estabelecimento da degradação das pastagens.

Para entendermos melhor sobre o assunto, vamos ver alguns conceitos sobre a fisiologia e o manejo das plantas forrageiras.  

A rebrota vigorosa de uma pastagem, após a desfolha (pastejo), é dependente principalmente de:

a.    Pontos de crescimento eliminados: pois a rebrota a partir do meristema apical é mais rápida que aquela a partir de perfilhos novos;
b.    Área foliar remanescente: quanto maior a área foliar remanescente, maior é a capacidade fotossintética e menor será o período que a planta dependerá de suas reservas orgânicas e, conseqüentemente, mais rápida será a rebrota;
c.    Reserva orgânica da planta: quanto mais intensa for a desfolha mais a planta forrageira irá depender de suas reservas orgânicas no início da rebrota (pois a quantidades de folhas fotossinteticamente ativas serão baixas).

Por isso é importante conhecer o manejo adequado para cada espécie forrageira, como as alturas ideais de saída (a fim de se preservar os pontos de crescimento e área foliar remanescente) e de entrada dos animais nos piquetes (proporcionando tempo adequado para que as plantas acumulem reservas orgânicas nas raízes e nas bases dos colmos, que serão utilizadas na fase inicial de uma nova rebrota).

Quando o planejamento alimentar para a entressafra não é feito ou quando este é feito de forma inapropriada, é comum faltar forragem durante os meses de seca. Desta forma, o pecuarista entra no início do período chuvoso praticamente sem pasto (que foi consumido pelos animais durante toda a seca).

Como haverá restrição de alimento, os animais irão consumir seguidas vezes a rebrota do pasto ainda nova (fora das condições idéias de entrada dos animais), cujo o crescimento já é estimulado pelas condições mais favoráveis de temperatura, luminosidade e disponibilidade de água. Com isso, as reservas da planta se esgotam e as rebrotações subseqüentes ficarão cada vez mais debilitadas.

Este procedimento repedido durantes dois a três anos seguidos, associados a baixa fertilidade do solo e a presença de plantas invasoras comprometerá as pastagens, dando-se inicio, então, ao processo de degradação da pastagem.

Para que isso não ocorra, o produtor deve fazer um planejamento pecuário de modo que não haja déficit alimentar durante os meses secos do ano. Isso pode ser conseguido pela adoção da irrigação em parte das pastagens, conservação de volumosos (silagem ou feno), fornecimento de forrageiras picadas no cocho (ex. cana-de-acuçar, capim-elefante, etc.) ou até mesmo pela redução no numero de animais.  

Assim, quando ocorrerem as primeiras chuvas, as pastagens poderão ser vedadas evitando que a rebrota ainda nova seja consumida pelos animais. Este procedimento proporcionará condições ideais para que as plantas forrageiras cresçam e acumulem reservas orgânicas suficientes, garantindo que a próxima rebrota (logo após o pastejo) seja vigorosa, evitando-se que o processo de degradação da pastagem tenha início.

Fonte: http://www.iepec.com/noticia/inicio-do-periodo-chuvoso-como-agir-para-evitar-a-degradacao-das-pastagens