Gerenciamento de Produção

Início da primavera inspira cuidados com a cafeicultura

24/09/13
Por Williams Ferreira – Pesquisador da Embrapa/EPAMIG na área de Agrometeorologia e Climatologia
Antônio Alves Pereira – Pesquisador da EPAMIG na área de Fitotecnia, atua em pesquisas com a cultura do café 

Viçosa – Nas últimas semanas de agosto, devido à entrada de frentes frias, a temperatura no Mato Grosso e no Paraná ficaram abaixo da média do período, sendo que neste último foi registrado inclusive a ocorrência de geadas, que de algum modo prejudicou o trigo de inverno. Todavia, na última semana a colheita de trigo de inverno foi favorecida pelo calor, que foi mais marcante nas regiões do Sul, assim como também na parte central do Brasil.

Nas últimas semanas em quase todo o país, com exceção do Rio Grande do Sul e do Litoral Nordestino, as chuvas foram poucas, sendo o período considerado mais seco e quente contribuindo para o final da colheita do Café no Sul de Minas e em São Paulo, onde também favoreceu a colheita e o plantio da cana.

Ao longo do mês de agosto a temperatura da superfície do Oceano Pacífico apresentou pouquíssima variação assegurando a continuidade da neutralidade do ENOS (EL Niño Oscilação Sul), ou seja, sem ocorrência do fenômeno El Niño, caracterizado por temperaturas anormalmente quentes, ou La Niña, caracterizado por temperaturas anormalmente frias, na região equatorial do Oceano Pacifico. Situação essa que deve permanecer ainda pelos próximos meses.

Tal condição favorece a ocorrência da normalidade climática para as estações do ano no Brasil. Todavia, com a chegada da primavera, no dia 22 de Setembro, às 17 h 44 (horário de Brasília) – (Equinócio de Primavera), marcando o fim do inverno 2013, é esperado para o mês de outubro que as chuvas ocorram acima da média para a região Central, Metropolitana de Belo Horizonte, Norte e Noroeste de Minas Gerais. O mês deve, entretanto, ser mais chuvoso nas regiões do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e Vale do Rio Doce em Minas, assim como no Noroeste e Litoral Norte do Espírito Santo.

Considerada como estação climática de transição, é nesta estação que a mudança no regime de chuvas e temperatura é mais marcante, pois é o período em que aumentam a ocorrência de chuvas em forma de pancadas, principalmente no final do dia, sendo também o período de chuvas mais intensas com maior ocorrência de descargas elétricas, os raios.

Apesar de ainda não ter iniciado a primavera, quando tem início a estação chuvosa para a maior parte do país, nas últimas semanas as chuvas no nordeste tem favorecido o solo aumentando as reservas hídricas para as culturas do cacau e da cana, que normalmente ocorre a partir de setembro. Para o início da primavera há probabilidade de que as chuvas ocorram acima da média normal do período na região de Alta Floresta, na porção norte do Mato Grosso e no Pantanal Sul Matogrossense, no Médio Araguaia, no nordeste do Mato Grosso, e na porção mais a Oeste do Paraná o que irá favorecer o plantio da soja no Paraná e Mato Grosso do Sul a partir de outubro.

A maior probabilidade de que as chuvas ocorram abaixo da média é para as regiões do Baixo Amazonas e Sul de Roraima, Centro Norte e Norte do Piauí, bem como a Leste do Maranhão, Litoral norte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A probabilidade de que as temperatura fiquem acima da média são para todo o Nordeste do Brasil com exceção do Oeste do Maranhão e da porção Centro Sul da Bahia, assim como para o Jequitinhonha, em Minas, e a porção Norte do Espírito Santo.

Temperaturas abaixo da média poderão ocorrer na região de Presidente Prudente, em São Paulo, bem como a porção Leste e Sudoeste do Mato Grosso do Sul.

Para o cafeicultor, o momento é de atenção com o manejo preventivo de doenças do cafeeiro comuns do período, entre as quais está a Phoma, que acontece principalmente em regiões de maior altitude com umidade mais elevada, como ocorre em parte do Espírito Santo e a Região da Zona da Mata Mineira, onde essa doença tem aparecido com grande frequência.

O uso de fungicidas para controle dessa doença deve ocorrer logo após as primeiras chuvas, que são os períodos de maior incidência das doenças, e continuado pelos três meses seguintes. A ocorrência dessas reduz a produção da planta pois provoca a morte dos botões florais, das brotações novas, queda dos chumbinhos, produzindo a chamada “roseta banguela” além da má granação dos frutos devido à desfolha da planta. A análise e o prognóstico climático aqui apresentado foram elaborados com base na estatística e no histórico da ocorrência de fenômenos climáticos globais, principalmente naqueles atuantes na América do Sul, e são de caráter experimental. Foram consideradas ainda as informações disponibilizadas livremente pelo NOAA, Instituto Internacional de Pesquisas sobre Clima e Sociedade – IRI, Met Office Hadley Centre, Centro Europeu de Previsão de Tempo de Médio Prazo – ECMWF, pelo Boletim Climático da Amazônia elaborado pela Divisão de Meteorologia (DIVMET) do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e dados climáticos do INMET/INPE. A informação é disponibilizada ao público em geral, porém, nenhuma garantia implícita ou explícita é dada pela EPAMIG, a qual não se responsabiliza pelo uso indevido, por parte de terceiros, das informações aqui disponibilizadas.

¹_Pesquisador da Embrapa/EPAMIG na área de Agrometeorologia e Climatologia, atua principalmente em pesquisas voltadas para o tema Mudanças Climáticas Globais. williams.ferreira@embrapa.br Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email ouwilliams.ferreira@epamig.br
²_Pesquisador da EPAMIG na área de Fitotecnia, atua em pesquisas com a cultura do café. pereira@epamig.br

Fonte: EPAMIG – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas