Pecuária

Inicia em Cruz Alta o 16º Fórum do Leite

22/10/13
Prestigiado por representantes do governo do Estado, indústria, estudantes, produtores e pesquisadores, iniciou, na noite desta segunda-feira (21/10), em Cruz Alta, o 16º Fórum de Produção Pecuária-leite. Paralelamente ao Fórum, no campus da Universidade de Cruz Alta (Unicruz), ocorre até quarta-feira (23/10), o 3º Salão de Trabalhos Científicos, com exposição de trabalhos da Embrapa Pecuária Sul, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Regional do Noroeste do RS, Universidade Fronteira Sul, Unicruz, Colégio Técnico Agrícola Sertão e Emater/RS-Ascar.

Na abertura da solenidade, a reitora da Unicruz, Elizabeth Dorneles, agradeceu o apoio recebido para a realização do evento. “É vocação da Unicruz realizar pesquisas que atendam as demandas da nossa comunidade”, completou o coordenador do Fórum, professor Lucas Siqueira.

Extensionistas da Emater/RS-Ascar e pequenos produtores de leite de 28 municípios da região Noroeste do Estado garantiram presença nos minicursos e fóruns temáticos. A iniciativa, segundo o gerente regional adjunto da Instituição, Antônio Altíssimo, aproxima produtores e corpo técnico da Emater/RS-Ascar de universidades e instituições de pesquisa, representada pela Embrapa.

Também presente na noite de abertura, o prefeito de Cruz Alta, Juliano da Silva, falou sobre investimentos no setor leiteiro, um dos setores primários mais importantes para a economia do município. Obras de infraestrutura, como estradas, segundo o prefeito, são estratégicas para facilitar a logística de transporte do produto, das propriedades rurais até a indústria.

Representantes de duas secretarias de governo, o coordenador regional da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), Carlos da Silva dos Santos, e o diretor do Departamento de Agricultura Familiar, da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), José Batista, deram ênfase ao Programa Leite Gaúcho – que capacita 30 mil famílias no Estado – e também discorreram sobre as linhas de crédito, por meio das quais o pequeno produtor tem feito melhorias nas pastagens e na genética dos animais, além de adquirir resfriadores de leite.

Sobre os investimentos para a assistência técnica aos agricultores, amplamente defendidos durante o evento, José Batista lembrou da política de recuperação e fortalecimento da Emater/RS-Ascar, compromisso assumido pelo governador Tarso Genro. Em função dessa política, o governo gaúcho ampliou em 75% o orçamento da Instituição, em comparação com 2010, totalizando investimentos de R$ 170,5 milhões para o ano de 2013.  Segundo Batista, essa decisão de governo tornou possível contratar aproximadamente 600 extensionistas para a Emater/RS-Ascar, além da compra de carros e computadores.

Qualidade do leite

Palestrante do evento, a médica veterinária e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Andreia Troller Pinto, abordou o tema Qualidade do leite: desafios da Instrução Normativa 62.

Com base em pesquisas realizadas no Rio Grande do Sul sobre a qualidade do leite, a médica veterinária da Ufrgs concluiu que a assistência técnica, independentemente de ser oferecida pelo governo, cooperativas ou iniciativa privada, é fundamental para elevar os indicadores de qualidade do leite produzido no Estado a níveis internacionais. Sem assistência técnica, defendeu Andreia, investimentos em crédito, estradas e avanços na legislação se mostrarão ineficazes.

O engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Pedro Urubatan Neto da Costa, um dos debatedores do evento, ofereceu outros elementos à pesquisa, também relacionados à prevenção, mas no ambiente externo ao da sala de ordenha. “Existem fatores de estresse, que deixam os animais suscetíveis a doenças”, disse Costa. “A falta de sombra e água nos piquetes e a exposição dos animais à sujeira são fatores que precisam ser melhorados nos nossos sistemas de produção”, completou o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar.

Presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Wilson Zanatta, defendeu investimentos em marketing para estimular o consumo de leite per capita no Brasil. “Temos de trabalhar para que o brasileiro consuma 220 litros de leite ao ano, que é a quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde”, disse Zanatta. Atualmente, segundo o presidente do Sindilat/RS, o consumo de leite per capita no país é de 94 litros ao ano.

Fonte: Agrolink