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Inflação, economia fraca e prisões de executivos derrubam a Bolsa; dólar sobe a R$ 3,08

Publicado em 19/06/2015

SÃO PAULO – Enquanto as bolsas mundiais sobem nesta sexta-feira (19) com rumores de que o contágio grego pode não ser tão forte, o Ibovespa caminha no sentido contrário refletindo o cenário doméstico. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostrou alta maior do que a esperada em junho ao mesmo tempo em que o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou 0,84% em abril, uma queda de 3,13% na comparação anual. Além disso, executivos da Odebrecht foram presos na Operação Lava Jato pela manhã e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mostrou preocupação com possível rebaixamento de rating do Brasil.
Às 12h25 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 0,95%, a 53.725 pontos, enquanto o dólar comercial subia 0,91%, a R$ 3,0859 na compra e a R$ 3,0866 na venda.
A inflação avançou 0,99% em junho, acumulando alta de 8,8% em 12 meses, foi a maior para meses de junho desde 1996. Já o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), atingiu o nível mais baixo desde maio de 2012.
Para João Pedro Bugger, analista da Leme Investimentos, o temor em relação à Grécia ainda traz volatilidade, principalmente para os mercados emergentes. Além disso, os dados econômicos preocupam, porque com o avanço bem acima do esperado da inflação o Banco Central deve elevar ainda mais as taxas de juros, o que pode trazer uma migração dos ativos de risco para a renda fixa.
A piora na economia se junta à notícia de que o governo já se prepara para reduzir a meta de superávit primário deste ano devido à dificuldade de manter as receitas do governo. Em relatório, a equipe de análise da XP Investimentos lembra que Levy segue em conversas com as agências de rating e o Congresso para mudar a meta de superávit após a forte queda das receitas da União, Estados e Municípios e a retração econômica acumulada no ano. O ministro tenta evitar que qualquer mudança afete a nota de grau de investimento brasileira. A agência de rating Standard & Poor’s precisaria de apenas um movimento para retirar a nota. A Moody’s estudará a nota em julho.
Enquanto o Ministro se desdobra, a votação do projeto de lei das desonerações, um dos principais pontos do ajuste fiscal, foi adiado para a próxima semana, mas já é dito que com as festas de São João existe um risco de novo adiamento por falta de quórum.

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