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Impulsionada pela cooperativa, ILPF ganha força no noroeste paranaense

08/01/2015

Propriedades de vários tamanhos, onde antes só havia pastagens degradadas e uma pecuária de retorno incipiente, tornaram-se modelos de produtividade mesmo em solo de consistência arenoso. Utilizando modernas tecnologias, pecuaristas se renderam à braquiária, um capim que vai fornecer alimento abundante para o gado no inverno e, de quebra, palha para o plantio direto da soja, no verão. A soja invade o areião, reformando pastos e dinamizando a economia regional de forma inovadora e sustentável.

Difusão – Desde 1997, a Cocamar vem difundindo o sistema de integração, no noroeste paranaense, com o apoio do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Instituto Emater.

Potencial – Dados da cooperativa apontam que o noroeste, com 110 municípios, possui cerca de 1,8 milhão de hectares com potencial de aproveitamento para a ILPF. O problema, segundo o presidente do conselho de administração da Cocamar, Luiz Lourenço, é que muitos pecuaristas são refratários a novidades e não querem nem ouvir falar de soja em suas propriedades, por não terem o costume de lidar com máquinas.

Apoio – A Cocamar incentiva a integração entre seus associados, mantendo uma unidade própria para a difusão desse sistema em Iporã, a 50 quilômetros de Umuarama. Ali, todos os anos, no mês de fevereiro, promove um dia de campo para demonstrar os resultados da soma da pecuária com soja e também o cultivo de eucalipto, que tem dupla aptidão: oferecer conforto térmico aos animais, com sombreamento, e uma fonte de renda a mais, com a venda da madeira. A Cocamar instalou também, em pontos estratégicos da região, estruturas para receber as safras e oferecer apoio técnico aos produtores.

Pequenos – Até mesmo pequenos proprietários de terras estão vislumbrando novas perspectivas graças à ILPF. Em Altônia, município vizinho a Iporã, Barruíno Gonzaga Siqueira, dono de 50 hectares, pensava que não ficaria mais por muito tempo de no campo. Com o solo fraco e o pasto degradado, ele só fazia a cria do rebanho, mantendo duas ou três cabeças por alqueire. Como o pasto não dava para nada, precisava suplementar a alimentação com cana-de-açúcar, resíduos, ração e, ainda, sal proteinado no inverno. “Era muito trabalho para pouco resultado”, lembra.

Resultados – Há quatro anos, incentivado pela Cocamar, ele começou a visitar propriedades onde viu de perto a integração e concluiu que estava ali a oportunidade. A primeira coisa que fez foi dessecar o pasto e plantar soja em parte de suas terras, para reformar a área destinada ao gado. Começava ali uma história de sucesso. Agora ele trabalha com cria, recria e engorda, planeja onde quer chegar, aumentou o rebanho, melhorou a qualidade dos animais com precocidade na terminação e aprendeu a fazer cruzamento industrial. Com os resultados, já adquiriu outros 50 hectares de pastos degradados e não pensa em parar por aí.

Ocupação – Graças à integração, o produtor mantém de 15 a 16 animais por alqueire, no inverno, número que salta para 25 no verão. “Mesmo assim, ainda sobra pasto”, garante, porque a braquiária viceja e proporciona muita massa verde. O abate é feito com o peso médio de 12 arrobas por cabeça e entre 18 a 20 meses de idade.

Custos – Com a soja, além de ter um pasto melhor, ele consegue pagar todos os custos e ainda ter lucro. “A integração permite resultados tanto na pecuária quanto na agricultura, além de preservar o ambiente”, salienta Siqueira.

Empolgados – Um número crescente de pecuaristas na região, entre pequenos, médios e grandes, tem aderido à integração lavoura e pecuária como alternativa para reformar as pastagens e tornar as propriedades sustentáveis, explica Eleandro Varlei Zanolli, técnico em agropecuária da cooperativa que presta assistência técnica aos produtores em Altônia.

Região – Atualmente, mais de 60 mil hectares são cultivados com ILPF na região da Cocamar. Há dois anos eram 45 mil, o que indica que a área vem crescendo e deve continuar se expandindo. “Quem faz integração não quebra”, comenta o pesquisador do Iapar, Sérgio José Alves, especialista no assunto, explicando que o produtor vai trabalhar com produtos nobres, de liquidez. “Ele fatura com pecuária altamente produtiva, tem a soja para melhorar a terra e cobrir os custos e ainda conta com a opção do eucalipto, mantido nas entrelinhas”.

Para ficar – A soja veio para ficar. Para o produtor Armando Gasparetto, que possui 605 hectares em Altônia, “se os pecuaristas não integrarem sua atividade com o cultivo de soja, vão se desintegrar”. O trocadilho, feito em tom de brincadeira, vira assunto sério quando se vê pastagens cada vez mais degradadas por toda a região. “Reformar da maneira antiga sai muito caro e não compensa. O pecuarista está contra a parede e, pior, vê o preço da carne subir sem conseguir aproveitar”, finaliza.

Fonte:Portal do Agronegócio