Laranja

Importância dos micro-nutrientes

Boro. A presença de B é importante na planta para facilitar o transporte de açucares, promover a síntese de pectinas e a divisão celular. Deficiências de B causam o espessamento do albedo da casca dos frutos, presença de goma, abortamento de sementes e intensa queda de frutos novos (Malavolta et al, 1989).

 

Cobre. Em geral o Cu está presente em diversos fungicidas utilizados para o controle de doenças, como a calda bordalesa, sendo raros os casos de deficiências, que existindo, se evidenciam pela diminuição do número de brotações, porém estas, embora esparsas, são vigorosas e apresentam folhas bem maiores do que o normal. Com o agravamento da deficiência pode ocorrer a morte de ramos novos, prejudicando a frutificação (Chapman, 1968).

Entretanto, os países afetados pelo cancro cítrico, como na Argentina, Uruguai e nos estados da Região Sul do Brasil, as pulverizações com produtos cúpricos, recomendadas para o controle dessa doença e de outras como a verrugose, pinta preta e alternária, podem redundar em problemas de uso excessivo, refletindo-se em toxidez às plantas. Esta pode manifestar-se através de redução do crescimento, queda de folhas, diminuição da frutificação e diminuição do tamanho dos frutos.

Ferro. O Fe entra na composição de enzimas e é importante na formação da clorofila.

Sua deficiência pode provocar queda de folhas novas, morte de ramos novos e formação de frutos pequenos pouco coloridos (Biggi, 1986). No brasil, cujos solos geralmente são ácidos e bem providos de Fe é muito rara a ocorrência de deficiências.

 

Manganês. Deficiências de Mn provocam o aparecimento de manchas cloróticas irregulares, principalmente em folhas novas. Segundo Chapman (1968), em vários estudos realizados na Califórnia, deficiências fracas não afetam a produtividade das plantas, como também observaram Peliser (1991) e Peliser et al (1993), mas podem desmerecer a coloração da casca e do suco e aumentam a flacidez do fruto. Entretanto deficiências fortes e persistentes podem reduzir a produção em 7 a 19%. Em solos ácidos é mais raro, acorrerem deficiências de Mn, sendo que Zanette et al (1978) verificaram que adubações nitrogenadas, com sulfato de amônio, aumentam a absorção de Mn; esse efeito sinergético do N pode estar relacionado com a acidificação do solo, causada pelo sulfato de amônio. Já em pomares submetidos a calagens as deficiências de Mn podem se manifestar com certa freqüência, tanto assim que, em regiões próximas aos vales dos rios Caí e Taquari, no Rio Grande do Sul, aproximadamente 40% dos pomares revelaram-se carentes deste nutriente (Koller et al, 1986).

 

Molibdênio. o Mo é indispensável para a redução de nitratos na planta e atua na biossíntese de proteínas e ácidos nucleicos (Biggi,1986). Deficiências podem acontecer em solos muito ácidos, arenosos e orgânicos, e por excesso de adubações nitrogenadas (Malavolta et al (1989). Em casos de deficiência surgem manchas amarelas nas folhas e quando a deficiência se acentua ocorre intenso desfolhamento das árvores. Na parte externa da casca dos frutos podem surgir manchas marrons com halo amarelo, que depreciam o aspecto dos frutos mas não atingem o albedo (Chapman, 1968). As deficiências são mais comuns em solos ácidos e nos arenosos. O Mo é facilmente perdido por lixiviação, sendo arrastado para camadas mais profundas do solo.

Zinco. o Zn exerce funções muito importantes na planta, sendo indispensável para a síntese do triptofano, que é um precursor do ácido indol-acético (AIA). Segundo (Malavolta et al (1989), carências de Zn podem ocorrer em solos pobres, arenosos e muito ácidos, quando se efetuam calagens ou adubações fosfatadas excessivas. Deficiências de Zn diminuem as brotações, cujas folhas novas diminuem de tamanho, tornam-se afiladas e apresentam manchas cloróticas entre as nervuras (Figura 2), podendo ocorrer a morte de ramos terminais. O florescimento e a produção de frutos diminuem, sendo que estes se tornam menores, pálidos e com baixo teor de suco (Rodrigues, 1983).

Carências de Zn são freqüentes no Brasil, sendo que, num levantamento feito no Rio Grande do Sul, Koller et al (1986) verificaram que, em aproximadamente 80% dos pomares da região produtora dos vales dos rios Caí e Taquari, as plantas apresentavam-se deficientes.

As deficiências podem ser corrigidas mediante pulverizações foliares com sulfato de zinco, preferentemente durante os fluxos de brotação primaveril (floração) e em novembro/dezembro.

Entretanto, Koller et al (1979) e Peliser et al (1993) verificaram que se a carência for fraca as adubações não redundam em aumento da frutificação.

 

Fonte: http://www.cesnors.ufsm.br/professores/zecca/fruticultura-agronomia/ADUBACaO%20E%20PRATICAS%20DE%20MANEJO.pdf