Pecuária

Identificação da Puberdade e Maturidade Sexual em Pequenos Ruminantes

14/05/2008 – 19:48

Danielle Maria Azevêdo

Danielle Azevedo/Pesquisadora da Embrapa Meio-Norte
Parnaíba, 14 de maio de 2008. É comum encontramos em diversos rebanhos caprinos e ovinos o manejo em conjunto de machos e fêmeas. Porém, esta prática pode trazer sérios problemas como a cobertura em idade inadequada de fêmeas de reposição e cobertura de matrizes por seus próprios descendentes. Desta forma, é importante separarmos machos e fêmeas antes que se inicie a puberdade destes animais. Mas, o que é puberdade?
Puberdade é a idade em que os animais, machos e fêmeas, adquirem a capacidade de liberar gametas (espermatozóides ou óvulos, respectivamente) e manifestar uma seqüência completa de comportamento sexual. Na prática, a fêmea inicia a puberdade com o aparecimento do primeiro estro clínico (cio) seguido ou não de ovulação; no macho, a puberdade coincide com o desbridamento do pênis e surgimento dos primeiros espermatozóides no ejaculado.
A puberdade precoce tem grande importância. Em fêmeas, permite aumentar a eficiência reprodutiva do rebanho, incrementando o progresso genético e reduzindo o intervalo de gerações. Em machos a obtenção de sêmen em idade mais precoce é uma prática altamente desejável por acelerar a identificação de reprodutores superiores. Desta forma, animais que alcançam precocemente a puberdade possuem potencial para iniciar mais cedo sua vida reprodutiva, aumentando sua longevidade e conseqüentemente atingindo uma maior produtividade.
Diversos fatores influenciam o início da puberdade podendo-se destacar raça, peso corporal, época de nascimento, estado nutricional do animal e condições de saúde. Em raças caprinas e ovinas de zonas tropicais a nutrição é o principal fator responsável pelo desencadeamento da puberdade, estando então a puberdade mais relacionada ao peso corporal do que à idade do animal.
Em ovelhas e cabras nativas de zonas tropicais, a puberdade aparece em geral entre oito e 14 meses de idade. A puberdade em fêmeas de raças européias manejadas em zonas tropicais inicia-se mais tardiamente que nos animais nativos. Em zonas temperadas a puberdade começa entre oito e 12 meses, porém, em fêmeas de raças de clima temperado, criadas em zona tropical, a puberdade só é observada entre 12 e 20 meses. Este retardo é conseqüência de um menor crescimento destes animais em zonas tropicais.
Nos machos de raças nativas a puberdade inicia-se por volta de 4 a 5 meses, com os animais apresentando peso entre 10 e 15 kg.
É importante frisarmos que puberdade não significa, necessariamente, maturidade sexual. A maturidade sexual só é alcançada quando o animal atinge todo o seu potencial reprodutivo. Uma fêmea, já ao primeiro estro, está apta à reprodução, porém haverá uma menor prolificidade, o nascimento de crias fracas e uma redução no desenvolvimento corporal desta fêmea, o que poderá influir em sua vida reprodutiva e produtiva futura.
Em geral recomenda-se que uma fêmea só deva ser coberta quando atingir 60-70% do peso vivo de uma matriz adulta do rebanho em que é criada. No entanto, esta afirmação deve ser considerada com restrições, visto que Salmito-Vanderley (1999), utilizando cabras da raça Anglo Nubiana constatou que 40% das fêmeas desta raça, ao atingirem 60-70% do peso de uma fêmea adulta ainda não possuíam desenvolvimento corporal adequado para manter uma gestação a termo.
Quanto aos machos, cuja maturidade sexual ocorre por volta dos 6 a 8 meses, recomenda-se que sejam nesta idade, utilizados com cautela, cobrindo apenas um número reduzido de fêmeas, de preferência em monta controlada, pois sua capacidade reprodutiva ainda é limitada, além dos mesmos ainda não apresentarem o seu desenvolvimento corporal completo.
Referência Bibliográfica

SALMITO-VANDERLEY, C.S.B. Puberdade e maturidade sexual de fêmeas caprinas das raças Anglo Nubiana e Saanen exploradas em região tropical no Nordeste do Brasil. 84p. 1999. Dissertação (Mestrado em Reprodução de Pequenos Ruminantes). Universidade Estadual do Ceará.

Fonte: http://www.agrolink.com.br/colunistas/ColunaDetalhe.aspx?CodColuna=3064